Monday, September 28, 2026

INVASORES DA MENTE

 Você consegue estabelecer o limite entre a realidade e a imposição das ideias fabricadas fora de seu espaço mental?

Há literatura de sobra a esse respeito. Todas com receitas para que o bombardeio de propagandas e mensagens subliminares não transforme você em um robô pautado por outras cabeças e intenções.

Como lidar com essa ameaça?
 
Quando vemos um filme ou divagamos na profusão de imagens e mensagens das redes sociais, nos distraimos o suficiente para a ação do que é chamado de mensagem subliminar. Ideias e  pensamentos podem ser distorcidos através de texto ou em flash de imagem ou ainda na combinação desses elementos. 

Resumindo,  todos podemos ser envolvidos por imagens ou gestos, que acabam sugestionando o suficiente  para que a mente abra espaço inconsciente para apelações do marketing ou sorrateiras ilusões gráficas que integram essas mensagens subliminares. 

São desenhos, simbolos ou palavras, programadas para aparecerem em fração de segundos, quando sua atenção está voltada para a imagem principal.
Neste caso, você não percebe o que aconteceu de maneira clara, mas seu inconsciente capta a mensagem e a guarda na memória.

Um exemplo: você, que nunca gostou de determinado produto ou situação, começa a considerar de outra forma sua opinião. É o seu espaço inconsciente, que foi sugestionado e dominado pela mensagem, de maneira subliminar e eficiente.

Fizeram isso com a coca-cola nas telas dos cinemas nos anos 50. Todo mundo passou a desejar o refrigerante quando assistia filmes. Ninguém se perguntou na época o que atiçava esse desejo.

Apesar de pouco ética, a mensagem subliminar é usada de maneira abusiva nos dias de hoje, principalmente para a política. Funcional, ela divide seu espaço de domínio do inconsciente com a técnica da repetição, ou seja, a mesma ideia ou o mesmo produto são repetidos centenas de vezes, até conseguir entrar definitivamente na sua mente.
É aquela história. Quando você menos espera, começa a repetir ideias que podem até ser repulsivas ou idiotas para o seu padrão, mas que de alguma forma ganharam espaço em seu pensamento.
As mentiras ou distorções dos fatos passam a ser interpretados como realidade, por mais absurdos que sejam. 

Da mesma forma que a pessoa sente impulsos para comer hamburger que detesta ou cantorola musiquinhas que nada tem a ver com sua preferência musical, ela assume pensamentos e ideias.

Alguns alertas são aterrorizantes e exagerados. Esse tipo de controle mental através de imagens de filmes, novelas, desenhos infantis, etc, pode fazer alguém tomar refrigerante ou comer batatinhas, também podem influenciar o seu humor, incentivando violência ou o estresse. Talvez você esteja com raiva do mundo e não saiba porque...
Foi tudo absorvido pela sua mente, sem perceber.

De qualquer maneira, subtraindo-se os exageros, a mensagem subliminar de fato existe é é reconhecida cientificamente, comprovada em seus efeitos no inconsciente humano.
Esse tipo de escravidão das ideias pode ser evitado?
 O que poderia evitar tantos estragos que entram em conflito em sua mente, seria justamente fazer com que ela trabalhe mais.

Muita leitura, jogos de raciocínio, busca de fontes variadas de informação, atenção constante a tudo que se passa dentro e fora desse processo mental.  E também o trabalho de higienização mental, como a prática de exercícios, algum esporte, contato com a natureza.

O que leva a dedução óbvia de que quanto mais tempo individuo passa isolado, tendo contato com filmes, propagandas, desenhos, internet,  maiores são os riscos de influência da propaganda e de mensagens subliminares, comerciais ou políticas.

Será que aquilo que você fala ou a maneira como age é fruto de seu próprio raciocínio...ou de propagandas?  (MIRNA MONTEIRO)

Friday, September 04, 2026

COMO ÓLEO E ÁGUA...PALANQUES E PÚLPITOS...

 A questão é: religião e política se misturam?  

Essa pergunta está em evidência, diante  do crescimento de igrejas que começam a assumir um papel político. Existe até uma "bancada evangélica", no Congresso! 

No entanto, isso está criando uma situação desconfortável, uma vez que a atuação política de qualquer igreja acaba contrariando sua própria razão de ser.

A razão é simples: embora o poder da religião ou da fé tenha sido usado para manipular a massa ao longo da história humana, desde os tempos mais primitivos, o que sustentava essa relação era justamente a dicotomia.

Ora, a fé implica nas necessidades do espírito, da alma, do interior humano, em sua relação com o universo, dentro do conceito óbvio da vida e da morte, a grande incógnita da humanidade.

A política é carnal, prática, negociante da vida, nos interesses do meio. Lida com a coisa pública, os espaços externos da vida.
Por esse motivo, religião e politica mantiveram-se sempre como coisas distintas, mesmo que nos bastidores a atuação da política na religião ocorresse fartamente.

É claro que nem sempre isso ocorreu discretamente. Aquele que decidia a política também comandava a igreja, como nos tempos em que imperadores eram sagrados Papa. Nos tempos da Inquisição toda política passava pelas mãos da igreja, através dos inquisidores, que recebiam o poder máximo não apenas sobre o espírito humano, mas sobre seu  destino político.

Não só a religião foi usada para politica, mas a politica também interferiu no direito à fé individual. E temos o exemplo dos estragos dessa mistura.

O tempo passou, a humanidade mudou hábitos e crenças, mas a religião permaneceu como esteio no novo mundo, mais discreta em seu papel político.

Por outro lado surgiu o estado laico, que adotamos como base de respeito individual, mas também como linha divisória entre a fé, que varia as doutrinas religiosas, e a política. 
A fé em Deus e os valores da alma e da vida não são dependentes de doutrinas, que existem como suporte espiritual.
Uma definição importante para evitar conflitos!

Padres e pastores salvam almas...ou fazem discursos sobre poder financeiro e político? Um pastor não pode, teoricamente,  ambicionar poder ou ser perdulário!

No  entanto existem igrejas e pastores riquíssimos. Veja a Universal do Reino de Deus! O bispo Macedo, fundador e líder,  possui um patrimônio pessoal estimado em R$ 10 bilhões!  A igreja mais  rica do mundo é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com patrimônio aproximado de US$ 293 bilhões!

Em um país onde qualquer um pode fundar uma igreja, a situação se complica.
Como assim? Bem, se você quiser ser um pastor de sua própria igreja, não tem problema. Basta criar uma diretoria com seis cargos, com a vantagem de que pode acumular alguns. Basta uma casa e pronto, já existe a sede da sua igreja, que é considerada uma entidade sem fins lucrativos.
Foi exatamente assim que as igrejas foram se multiplicando e crescendo, principalmente as chamadas  evangélicas.

Longe de contestar sua validade, o que se pergunta é o seguinte: se uma igreja se baseia no "chamado divino" e a interpretação é disso é muito pessoal, de quem acha que foi chamado, até que ponto a sua verdadeira função não estaria sendo mal conduzida? 
A boa fé  e o desespero humano poderiam ser usados por grupos políticos, da mesma maneira que irmandades secretas que usavam rituais como disfarce para ações  de grande peso político?
É, é óbvio. O que não quer dizer que essa realidade seja devidamente analisada e compreendida pelas pessoas.

Religião, consideram muitos, seria uma grande ajuda para suprir os valores que estão esvaziados na nossa sociedade, violenta e pouco ética.
Outro fator de peso que leva a pessoas a buscarem templos é o isolamento social crescente. Através dos cultos encontra-se, além do apoio espiritual, o contato social!

 Ainda ficamos em falta com a filosofia, a grande portadora do equilíbrio e do pensamento, praticamente banida das novas gerações que absorvem a confusão  existencial das redes sociais.

Nesse ponto entramos em uma realidade insofismável: religião, doutrinas, crenças, rituais, enfim, tudo que envolve a questão da fé, nem sempre promovem a consciência humana. Ao contrário da filosofia, que discute a vida, a relação entre os seres e o universo, a lógica da ética e do respeito humano à natureza divina.

No entanto, filosofia e religião entram em conflito. Como impor uma doutrina religiosa que exige obediência a rituais de pensamento e ação, quando o indivíduo usa a mente e a sensibilidade para o pensamento livre?

Embora religião e política não combinem e provoquem extrema contradição, a filosofia e política promovem uma união muito favorável ao equilíbrio social e cultural.

Um político pode ter o credo que bem entender. Através dele mostrará o que norteará as suas decisões para o conjunto.  Mas não deveria usar a influência obtida com a fé, que afinal não pertence a ele, ou manipular esse poder da fé para ganhar votos.
 (Mirna Monteiro)