Sunday, June 28, 2026

QUEM SOU, ONDE ESTOU, PARA ONDE VOU...

 





Ninguém está dizendo que viver é fácil! Nunca foi afinal!

Imagine você andando pela floresta, batendo papo e de repente vira o almoço de um tigre de dentes de sabre...ou mais além no tempo, precisa enfrentar acusações de bruxaria por sugerir que a terra é redonda? Quem sabe em tempos mais modernos ser perseguido pelo submundo de tráfico e extorsões nos EUA, como nos anos 70 e 80?

Somos obrigados a concordar: viver nunca foi fácil e a luta pela sobrevivência é norma em qualquer época, em qualquer espaço do planeta, para humanos, animais, plantas, enfim, para todo ecossistema. 

Como os seres humanos sempre enfrentaram a realidade da sobrevivência? Fortalecendo não apenas o corpo, mas o pensamento. A capacidade de observar, pensar e deduzir, para transformar e ampliar sobrevivência.

E hoje? 

Hoje temos a solidão crescente, a sensação de vulnerabilidade e impotência, a insatisfação pessoal, a perda da identidade cultural, religiosa e moral, o esvaziamento dos valores espirituais. As igrejas impedem o pensamento e obrigam a submissão ao poder. E a incapacidade de filosofar sobre a vida buscando reais valores do pensamento, aumenta.

É o que se chama de "males da alma". 

Da mesma forma que a ciência descobre que um chip implantado no cérebro permite que uma pessoa paralisada obtenha resposta de movimento em membros artificiais ou comando em computadores e que terapias com polilaminina regeneram lesões medulares (incrível!) a depressão e o desânimo despertam mecanismos desconhecidos que levam o próprio cérebro a emitir ordens de desarmonia no organismo dos seres humanos, que recorrem à químicos buscando o bem estar. Mas nenhum medicamento pode restituir a paz de espírito e a força de vida!

Pensar sobre isso, a vida, discutir suas sensações, ansiedades, medos e angústias, tentar explicar o inexplicável, tudo isso integra o ser humano da era cibernética com a mesma intensidade do homem primitivo.


Não mudamos a nossa essência, embora o cenário onde vivemos tenha se modificado de forma impressionante, mostrando um mundo absolutamente diferente da antiguidade...em sua crosta!

O interior humano é tão frágil e confuso quanto o foi nos tempos da organização do pensamento, durante os primeiros passos na discussão da filosofia.

É bem provável que esta última afirmação seja otimista demais. A nossa fragilidade pode ter aumentado. Quando Sócrates discursava seus pensamentos e, por exemplo, um dos seus discípulos mais conhecidos, como Platão, tentava ordenar o próprio pensamento para expandir o conhecimento que recebia, a sociedade da época era simplificada, as regras de sobrevivência eram muito claras.

Hoje um adolescente não sabe onde está "localizada" a sua capacidade de pensamento. Quer dizer, aprendeu que o mundo é feito de imagens e acontecimentos ágeis, de individualidade (o egocentrismo cresce, como auto defesa em um meio onde vale tudo e o mais esperto sobrevive) e confusão. Não encontra respostas para suas perguntas, não consegue equilibrar-se sem a base dos valores morais e espirituais, que foram substituídos pela mídia.

Mas intuitivamente ele sabe que o "vale-tudo" não é compatível com família, com comunidade, com sociedade e, portanto, com a sobrevivência humana. Porque seja hoje, seja há milhares de anos, a dúvida que habita o ser humano é sempre a mesma.



QUEM SOU EU?

ONDE ESTOU?

PARA ONDE VOU?



Thursday, June 25, 2026

SOCIEDADE PERIGOSA NO MICRO E NO MACRO

 

Há inúmeras situações que podem levar alguém a tirar a vida de outra pessoa. Especialistas desdobram-se na análise de desvios de conduta, ambiente, circunstâncias ou patologias, tentando explicar uma ação que pode ser passional ou planejada friamente.
No final das contas há apenas um consenso comum e coincidente em todas história humana de violência: o receio da punição é a principal forma de controle da incidência de assassinatos, sejam eles motivados por qualquer circunstância ou mesmo tendo origem na psicopatia.
Indivíduos psicopatas não são minoria, como pensamos. Sabe-se hoje que grande parte das pessoas carrega consigo a tendência desse tipo de anomalia, em maior ou menor grau e em dependência do meio em que vivem.
O que significa que apesar de ser um indivíduo frio e calculista, o psicopata também controla suas ações com método e lógica do objetivo.
Em comunidades onde existe organização social e controle da violência, esse tipo de pessoas com tendência a matar também tem seu impulso homicida controlado.

A conclusão é simples portanto. Quando a violência aumenta, é óbvio que a sociedade está desorganizada e fragilizada em sua capacidade de deter e punir criminosos. O indivíduo com transtorno antissocial sente-se à vontade nesse ambiente para liberar seu instinto assassino.
O que acontece? Pessoas aparentemente "normais" que tem uma vida social, são médicos, jogadores de futebol, advogados, professores, pais ou filhos enfim, aparentemente acima de qualquer suspeita, passam a matar.

Nossas leis precisam se ajustar à ciência. Poucos anos de detenção não eliminam o risco de quem mata friamente.
Do ponto de vista científico qualquer indivíduo que age friamente, calculando a morte de outras pessoas, possui características psicopatas e poderá voltar a matar caso se sinta em segurança, diante de um sistema judicial ineficiente.
No livro "A máscara da sanidade" o psiquiatra Hervey Cleckley analisa quatro tipo de psicopatas que se misturam à população, os primários, que parecem não possuir qualquer emoção genuína (mostram superficialmente o que lhes convém), os secundários, mais passionais e sujeitos a matar em situações de estresse, os descontrolados, que se aborrecem ou perdem a linha mais facilmente que os demais (em geral ligados a pedofilia e outros desvios sexuais e sujeitos ao consumo de drogas) e os carismáticos, mentirosos mas atraentes e charmosos e com poder de persuasão sobre suas vítimas.
Nos tribunais ou na vida social psicopatas mentem com grande facilidade. Não sentem nenhuma angústia pessoal e não tem nenhum problema, já que o problema quem tem são os outros.

Sua capacidade para castigar as vítimas se baseia em um comportamento anormal do cérebro, que reage de forma completamente diferente de uma pessoa sã. Jamais assumem qualquer responsabilidade por seus atos, sem crivo da auto crítica.

Os conflitos sociais liberam a ação desse tipo de indivíduos psicopatas ou sociopatas. As pessoas em geral, no entanto, querem saber como lidar com essa realidade atual. "O pior é que a gente sabe cada vez menos sobre quem pode ser um bandido ou alguém que de repente pode até matar, parece filme americano de terror", escreveu um leitor que comentava o ataque a um cliente de um restaurante no Guarujá, morto a facadas pelo proprietário do lugar ao reclamar do preço cobrado.

Saber, de fato, parece cada vez mais difícil. Os novos agressores nem sempre têm históricos de violência ou aparentam ser assassinos. Ou mentem e criam falsas justificativas para matar, quando o motivo é roubar terras, explorar outros povos ou usufruir de suas riquezas. 

Isso pode acontecer em uma disputa de patrimônio, ou na exploração de terras indígenas ou ainda em invasão de outros países, como no caso dos assassinatos em massa na Palestina por Israel, entre outras violências e assassinatos por supostas guerras.

O mundo assiste e respeitadas as exceções, não reivindica a ética nos conflitos internacionais, permitindo pela omissão o genocídio de outros povos. Falar no sujeito que mata a mulher, no proprietário do restaurante que mata o cliente ou nos soldados israelenses que estupram e matam sem punição, são os mesmos crimes que, independente da quantidade de assassinatos, tem em sua origem o desprezo pela vida humana, pela ética e pelas leis. Calculistas e frios na psicopatia ou violentos e incontrolados na passionalidade, dependem de punição severa para garantia da sobrevivência da sociedade, seja de uma cidade, seja de outros países.

Houve tempos em que a palavra tinha o peso da credibilidade. O "fio de barba", que garantia a honestidade de acordos, fazia com que a justiça funcionasse sem a necessidade de tribunais.

Hoje os tribunais nem sempre conseguem prender criminosos, enquanto que o sistema não tem preparo para o sistema prisional exigido. O que na prática torna o cidadão mais responsável pela sua própria segurança, como nos tempos primitivos, quando o meio era absolutamente imprevisível e o risco de se tornar uma presa, constante. 

Mas é claro que isso não significa ceder aos sonhos dos psicopatas, que defendem o armamento da população como defesa da violência. Significa fortalecer a ética e as  leis, punindo e não suavizando os atos que ameaçam o equilíbrio da sociedade  (Mirna Monteiro)

Friday, June 12, 2026

COMO ENFRENTAMOS O MEDO DA VIDA

 

...Estamos perdendo o rumo?


Volta e meia encontramos alguém que desabafa, aflito: “estão todos loucos!  As pessoas estão perdendo a lucidez”

Por que? Os motivos são vários – irritação excessiva, ausência de auto-controle, falta de afetividade e tendência à destruição. Dentro da própria família os sintomas são cada vez mais óbvios – desagregação, egocentrismo, disputa interna, clima inamistoso.
Mas o que mais se ouve e impressiona é a afirmação de que as pessoas estão perdendo a capacidade crítica e qualquer freio moral.
A ausência de capacidade crítica torna a pessoa extremamente vulnerável ao erro e engano. A falta de “freios morais” a torna potencialmente perigosa, sujeita a achar natural a invasão da privacidade alheia ou apropriação de bens que não lhe pertencem ou ainda a atos violentos.

Seria um sintoma de loucura? Ou de histeria coletiva, um fator que desagrega a sociedade da racionalidade que permite uma convivência produtiva e pacífica?
Perguntas e perguntas. Que parece haver uma gradativa perda de identidade e um processo de histeria coletiva - onde se age pela emoção, sem um racicínio independente e lógica individual - isso parece! Há quem afirme que a sociedade moderna  está cada vez mais integrada por pessoas que confundem a realidade com a ilusão criada pela ficção ou pela mídia, farta em mensagens subliminares

Somos seres racionais e a nossa vontade é racional. Assim nos percebemos lúcidos e com capacidade de definir a realidade. Qualquer pensamento ou emoção que extrapolem determinados limites podem ser interpretados como uma ficção ou uma ilusão sob controle.
Mas é preciso considerar a capacidade humana de reintegrar-se em seu isolamento mental. No momento em que divagamos dentro de nós mesmos, a concepção do certo, errado ou do que é real pode mudar. Podemos permitir que haja maior abertura para a irracionalidade, a fantasia e a ilusão. Ou permitir uma reestruturação do pensamento diante de uma nova realidade, que permitirá maior segurança de sobrevivência.

Assim como nos sentimos seguros quando percebemos a realidade fora de nós, onde podemos ter a percepção sobre ela e diferenciar o que de fato é consistente e o que é ilusão, também a incapacidade de lidar com as duas realidades pode ser perigosa.
Tornar-se excessivamente pragmático portanto é colocar em risco a própria sanidade, uma vez que a pessoa que vive exclusivamente para uma realidade imediata e material – aquela que considera única – é facilmente dominada pelas regras desse mundo plastificado.
Ficará, por exemplo, mais sujeita à pressões de uma sociedade imediatista e superficial e mais sensível ao processo de histeria que se instala coletivamente.

O estudo da psicanálise demonstra a importância de nosso inconsciente. Considerando a Filosofia, esse mundo interior se torna muito mais amplo e capacitado para conduzir-se conscientemente e não consistir-se simplesmente em um reflexo do mundo exterior.

Deveríamos conscientizar a importância de nosso mundo mental, ou de nossa alma. No entanto, estamos sempre na dúvida sobre quais das sensações devem ser priorizadas em determinado momento: a liberdade do pensamento livre e da imaginação solta em nosso mundo interior, onde as percepções são tão ilimitadas, e a percepção da realidade externa, comunitária, que divide-se no mundo material.
Quando estamos sonhando, vivemos uma realidade ou uma ilusão? Para os mais pragmáticos, essa é uma pergunta absurda. Ora, o excesso de racionalidade leva à falta de criatividade e crescimento mental e portanto limita a capacidade de compreensão de um mundo lúdico ou mental.
Se nosso mundo interior, formado de sonhos, pensamentos e imagens, é perfeitamente estabelecido e desperta sensações, inclusive físicas, apesar da imaterialidade do mundo interior, por que não seria também uma realidade, em outro nível de percepção?
O que se pretende portanto é o equilíbrio entre a realidade imediata e a capacidade de percepção e criatividade humana. Atingir a medida certa não é tão importante quanto pensar sobre sua própria capacidade de integrar-se ao pensamento exocêntrico... que afinal representa a consciência do "uno" ou da relação entre todas as coisas. (Mirna Monteiro)