Thursday, July 30, 2026

JUVENTUDE E ETERNIDADE

 Ouve-se mais comentários a respeito do envelhecer, do que do viver...É tamanha a preocupação, que chega-se a uma conclusão: o ser humano, racional, está se rebelando demais contra a ordem natural das coisas! 

Curiosamente, nunca, desde que a sociedade criou regras éticas, a vida foi tão subestimada e  agredida. Ou essa a contradição não deve impor limites a expectativa humana?

Em "O retrato de Dorian Gray", Oscar Wilde tenta sintetizar a preocupação humana diante do envelhecimento do corpo, barganhando com uma tela, que retrata o jovem Gray, o desgaste causado pelo tempo. O quadro, com sua pintura, passa a "assumir" seu envelhecimento, enquanto Dorian Gray permanece lépido e faceiro, eternamente jovem, como sempre sonha a humanidade em sua vida fugaz!

Claro que, no final das contas, não dá certo e Gray é obrigado a encarar o seu retrato nos tons aguados da velhice extremamente avançada e, consequentemente, a morte tão temida. Pois o medo da velhice estaria intrinsecamente ligado ao medo da morte.

Temos o complexo de "Dorian Grey"! Wilde na sua época utilizou retrato, hoje utiliza-se o bisturi. Entre outras coisas, como botox, preenchimentos, cremes mágicos, fios de ouro ou de plástico, enfim, uma infinidade de recursos que pretendem manter a aparência mais jovem.


E por dentro?
Calma, existem recursos ortomoleculares! E no futuro a genética deverá criar outras maravilhas, a ponto de retardar o envelhecimento do organismo e permitir uma longevidade ainda desconhecida.

Ah, se Wilde soubesse que chegaríamos a este ponto!...Cleópatra, com seus banhos de leite, ficaria assombrada! Até a louca Condessa Elizabeth Bathory, que assassinou, bebeu e banhou-se no sangue de garotas para manter sua juventude e beleza, iria lamentar ter nascido no século XVII e não no terceiro milênio, em séculos que desafiam o universo!

Mas será que resolve mesmo?

Hoje mulheres e homens que desafiam o envelhecimento são criticados, em uma postura confusa em um mundo que exige juventude. Parece um beco sem saída: se a pessoa não se cuida, é velha e deve ser "encostada"; caso se cuide e mantenha a saúde e a aparência de juventude, é "ridícula"...

Isso quer dizer que existe mesmo um "complô" contra aqueles que vão envelhecendo, na disputa pelo mercado de trabalho, no argumento de que tudo deve ser renovado. É uma prática cruel do sistema de poder. 
Os jovens sentem-se em desvantagem, pois a maturidade e a experiência podem fazer milagres que a força da juventude, sua ansiedade e prepotência, não conseguem!

Agora a situação, pelo jeito, será invertida...a maioria da população mundial está amadurecendo! Ou seja, nas próximas décadas teremos 80% da população mundial acima dos 60 anos!
E então?

É bem provável que a ciência já tenha, a esta altura, concluído pesquisas que permitirão a renovação do organismo e que a longevidade de mais de uma centena de anos não seja absolutamente rara.
O mundo será, então, fundamentalmente integrado por pessoas maduras!

O que vai levar o homem a desejar a vida prorrogada indefinidamente. Com risco do sistema ameaçar interferir muito mais para controle populacional...O que seria de um planeta onde o embate entre o bem e o mal teria como pano de fundo os mesmos personagens?

Tempo e velhice serão pormenores. O negócio será viver cada vez mais. E como o ser humano nunca está satisfeito (e tempo sempre será relativo) por mais que a sua vida seja prolongada, vai chegar a desejar o impossível nesta cadeia natural de reciclagem orgânica: viver para sempre!

Nesse ponto voltamos para trás, para o amadurecimento, o envelhecimento e a morte, nesta caminhada da terceira década do terceiro milênio. Por que resistimos tanto em aceitar o ciclo natural da vida? 

Nos tempos primitivos, a velhice era rara, pois todos morriam jovens, nas guerras e doenças. Hoje é farta, repleta de opções.
Mas em contrapartida...não vamos também fazer apologia a velhice! Pois corre-se o risco de receber respostas atravessadas, porque viver mais não significa necessariamente viver melhor.
- Nossa, mas você está tão bem com 90 anos! Reclamar do que?
-Do que? Escuta aqui, quem sabe disso é minha escoliose, minha artrite e minhas pontes de safena!

...É, envelhecer é sempre difícil, pois a natureza não barganha retratos, bisturis e botox. O corpo muda, mesmo quando as pessoas envelhecem de forma saudável, porque as mudanças não acontecem na maturidade e desgaste físicos, mas em todo um conjunto: somos um organismo em constante mutação, desde a formação da vida no útero!

Mudanças são mudanças e quando acontecem em sintonia com a natureza, não podem ser ruins.
Talvez ao invés de tentar mudar a natureza devêssemos aprender a escuta-la, observa-la e aprender com seu ritmo.
Talvez a finitude, que é uma realidade insofismável, signifique um aprendizado para aumentar a percepção de que o corpo físico e o ego exagerado são transitórios demais para permitir a audácia humana de sentir-se dona do mundo e da natureza que a cerca, ao invés de sinalizar a necessidade de integrar-se a ela.

Talvez aí esteja o segredo da juventude eterna.
Será possível?   (Mirna Monteiro)

Thursday, July 23, 2026

HIPOCRISIA, PODER E CORRUPÇÃO

 Durante toda história da humanidade o homem tentou entender a voracidade do poder político. Talvez tenha sido justamente isso – a insanidade que marcava a briga política ao longo de séculos e séculos de organização da sociedade humana, que tenha levado à necessidade de pensar suas origens, seu presente e seu futuro.


A contradição sempre foi tamanha, entre aquilo que se propagava e a realidade do poder, que até mesmo o berço da democracia, a Grécia, começou a imaginar igualdade entre os homens de maneira a preservar a desigualdade, ou seja a garantia do poder. Que o diga o velho Sócrates, obrigado a beber cicuta porque cometeu a heresia de ensinar os jovens a pensar, ao contrário dos sofistas, que costumavam levar o conhecimento controlado e medido de acordo com os desejos do poder constituído.

Sócrates, naturalmente, não foi o único homem com pretensão de discutir o poder político e suas artimanhas que se deu mal. Por toda a história, quem ousasse pensar e desafiar o poder, entrava pelo cano. Fosse na fase da Inquisição, com todo o poder centralizado na igreja e em papas escolhidos não pela santidade, mas pelo oportunismo, fosse nos tempos modernos, onde a perseguição contra quem reclamava do abuso político e apontava as falhas de ideologias massificadas não foi menos cruel ou absurda!

E agora, no Terceiro Milênio, a “Idade da Informação”, do apogeu da mídia e do confronto com a maior comunicação popular da história da humanidade?

Bem, agora, sofisticaram-se os meios, mas o recheio do bolo continua o mesmo. O cenário em que vivemos é magnífico: naves espaciais orbitando a terra, satélites que mandam imagens do sujeito que passeia na Patagônia para a “Concinchina”, chips que substituem funções do cérebro humano, enfim!
Mas a briga pelo poder é tão mesquinha e perigosa como nos tempos de Calígula!
Mas e a nossa democracia, a nossa campanha política, o nosso voto popular?
Pois é, metade do caminho já andamos. O problema fica com a outra metade, pressionada por quem não quer “perder” o poder e que utiliza os mesmos recursos do “bem” para o “mal”. O jogo é sujo: denúncias vazias, que pretendem denunciar o que não existe na realidade. É só bagunça!
Não é um problema brasileiro. É um problema dos países comprometidos com interesses de grupos econômicos, habituados a imperar. A corrupção é endêmica, dizem os analistas brasileiros e (que vexame!) de outros países. A tendência de vestir a intenção de coletar lucros com a capa das boas intenções  confunde realmente o cidadão comum. O lobo que se esconde sob a capa do cordeiro ou o complexo do conto da chapeuzinho vermelho.

Corrupção endêmica significa corrupção enfronhada, absorvida pelo sistema. As pessoas confundem e imaginam que é novidade, sendo manipuladas pelo frenesi político, que propaga os próprios pecados, senão de profundo conhecimento de falcatruas, pelo menos no de omissão para punir e banir a corrupção de fato. A mídia infelizmente não escapa desse cerco e leva informação distorcida. No tempo das trevas, os livros eram raros, e o conhecimento empírico. Mesmo assim a sociedade humana rompeu as barreiras da falta de informação.
Hoje temos de admitir que somos obrigados a romper as barreiras da ignorância, fruto de informação distorcida, comum na política quando se briga pela imposição de projetos e supremacia partidária. O mesmo projeto que parece beneficiar a população nas acaloradas discussões em tribunas dos plenários pode ser aquele que no futuro será responsável por perdas irrecuperáveis. É preciso se perguntar: qual o interesse do poder político e econômico nas bandeiras de nossos legisladores.(Mirna Monteiro)

Thursday, July 16, 2026

A MATANÇA

 


A ocorrência de feminicídios aumenta a cada dia! O que está acontecendo  é uma "disputa de poder" ou "ódio ao sexo feminino"? 

Talvez a pergunta a seer feita seja esta: podemos tratar cada ameaça à vida de maneira isolada? Buscando causas nos galhos e ignorando a raiz da violência?

É espantoso o numero de mulheres que são assassinadas no mundo todo! Estatisticamente, calcula-se que a cada dez minutos, uma mulher é vítima e pelo menos 60% dos assassinatos tem autoria de pessoas próximas, como o companheiro. E  o Brasil ocupa a quinta posição no mundo como o país que mais mata mulheres.

Mas é espantosa também a ameaça à vida de crianças e adolescentes! Uma média de 13 a 29 crianças e adolescentes são assassinados por dia no Brasil! Em torno de 5 mil vítimas fatais por ano!

Por que isso está acontecendo?

A grave questão da violência contra a mulher não pode ser discutida e controlada sem discutir a violência contra a criança e o interesse político em uma sociedade desorganizada. Porque não são assuntos distintos, mas indelevelmente ligados a um fator: o desprezo pela vida, a ausência de valores éticos e a precarização da Justiça em todo o mundo. 

Vivemos em uma sociedade global que tende a normalizar violência extrema.  A omissão estimula armas e invasões de soberanias, cria guerras sem base real para exterminar a população civil, assassinando crianças e mulheres que não tem como se defender!

Devemos reconhecer que o mundo, hoje, distingue cada vez menos culturas e globaliza experiências e comportamentos. A tal ponto que opiniões e ações claramente psicopatas e destrutivas não são eliminadas pelo crivo crítico de grande parte das pessoas. 

Nossa sociedade atua com interpretações convenientes das leis. Ora, o marido que mata a mulher acaba com punição branda, mesmo que a pena seja pesada. Ainda que feminicídio seja classificado como crime hediondo há mais de dez anos, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão,  a maioria cumpre um terço de sua pena e vai para o regime aberto. Mas convém lembrar que a violência não tem idade, nem sexo. A psicopatia não tem gênero! Suzane Von Richthofen, planejou e ajudou a executar a morte dos pais, foi condenada a quase 40 anos de prisão, mas passou para regime aberto após 20 anos, assim como Elize Matsunaga, que fez picadinho do marido em 2012 e está em liberdade condicional desde 2022...

Criminosos homens, que parecem normais, matam mulheres desavisadas, que não atentam aos sinais de psicopatia do companheiro, assim como estupram e matam crianças, enquanto mulheres criminosas também matam seus companheiros, seus filhos! E filhos adultos também matam seus pais! 

Sem querer equiparar crimes, a verdade é que o maior desafio deste tempo é controlar criminosos que assumem papeis diferentes, de marido, de pais, de mães, mas que são feitos de um mesmo material violento e nocivo, que desabrocham em ambientes conturbados e sem o freio da ética e da punição severa.

Homens e mulheres podem ser assassinos perigosos. Nem sempre com uma arma nas mãos, mas até politicamente, quando incentivam propostas que matam pessoas, como o aumento da miséria, o uso de venenos perigosos nas plantações, ou que enfraqueçam leis ou permitam que inocentes sejam alvo de uma polícia criada no molde de um sistema exterminador.

É exatamente isso, a impunidade permite que psicopatas ou descerebrados atuem politicamente criando ambiente contrário à vida humana.

Há mais um fator a ser considerado na agressão à mulher. Não se trata de simples "disputa de poder" entre macho e fêmea, mas de adaptação ao sistema e equilíbrio. Nos tempos primitivos, quem ditava as regras era a mulher, nos bastidores da família. Cabia a ela estimular a visão do mundo e entendimento do meio aos filhos, enquanto o homem lidava com o ambiente externo e trazia o almoço e o jantar.  Na atual sociedade a mulher assumiu o papel de provedor, mas o homem não mudou. Esse fato trouxe à tona um crescente movimento de "machos alfa", que pressiona culturalmente os homens e cria conflitos que levam a maior dificuldade  na relação familiar

A violência contra a mulher, portanto, não é um fato isolado, mas parte da influência que determina o nosso ambiente familiar, cultural, social e econômico, que está criando monstros, porque isso convém ao sistema de poder que se alimenta do comportamento agressivo. Como é possível combater infanticídio ou feminicídio ou assassinatos (são quase 20 casos de mortes violentas por 100 mil habitantes), quando a  violência extrema parece ficção hollywoodiana? (Mirna Monteiro)


Leia também 

https://leiamirna.blogspot.com/2011/02/sete-segundos-e-nova-agressao-mulher.html

Tuesday, July 14, 2026

INTELIGENCIA HUMANA, IA E SOBREVIVÊNCIA

 

Veja se consegue imaginar isto aqui: você coloca uma lente de contato que não apenas permite navegação e dados, mas analisa através de suas lágrimas como está seu índice glicêmico ou seus hormônios, entre outras coisas. 

Então vem a pergunta: ora, unir biomedicina e IA parece que tem lógica, porque facilita diagnósticos e tratamentos e acelera pesquisas de medicamentos. Uma mão na roda! Ao tentar criar uma lente ocular com múltiplas funções, não apenas diagnóstica, tudo parece lógico! Mas nem tanto!

Se relacionarmos todas as vantagens e riscos no uso da IA, há uma questão que se destaca como muito perigosa: o seu poder sobre o ser humano. Até que ponto o domínio da Inteligência Artificial será controlado? Ou até que ponto controlará a sociedade humana?

Antes que alguém diga que os benefícios compensam o risco, é bom lembrar que a IA é fruto da informação humana. Uma espécie de inteligência com capacidade de armazenar e lidar com informações com uma eficácia que o cérebro humano não consegue obter. Portanto se a AI absorve toda experiência humana e todos os dados científicos, culturais e biológicos, também armazena, além dos acertos, os erros e disfunções que permeiam seu espaço.

Absorve portanto o o Bem e o Mal, reproduzindo a vivência humana!

Portanto a IA, quando não permanece sob controle de seus dados, pode cometer erros. Ou ser programada para isso.

Além da desinformação, a IA representa um risco à privacidade, porque mantém armazenados dados de bilhões, precisos e facilmente acessados. É através da IA que a tecnologia consegue operar espionagem em grandes áreas e localizar pessoas. Poderia ser operada para o bem, mas o problema é que serve para o mal, nas guerras e agressões, como  nos casos conhecidos na Palestina, Líbano, Irã, etc. 

Há outros riscos, como provocar maior desigualdade social e subtrair o papel do ser humano. O que começou com o aprimoramento mecânico após a revolução industrial, começa a chegar ao seu auge neste terceiro milênio, onde a robótica cumpre um  papel na indústria com maior perfeição. A IA substituiu o atendimento humano cada vez mais.

E a tal lente inteligente? Nesta sua fase de pesquisa monitora a saúde e tem biosensores, mas também a computação invisível, com umas tela de  microled que permite acesso a navegação e dados. Exatamente como naqueles filmes de ficção. Seria um aperfeiçoamento dos tais óculos da Meta, que integram IA, câmeras e áudio, o que aliás já está causando danos  e motivos para processos por invasão à privacidade.

Em resumo, essa lente que logo estará no mercado, pode não ser a maravilha que seus criadores divulgam, trazendo riscos para a saúde ocular, privacidade de dados e muitas implicações éticas! A presença de circuitos e baterias podem comprometer a retina ao causar falta de oxigenação.  E o contato prolongado pode causar irritação, inflamação e infecções mais graves.

Por mais sedutora que seja a ideia  de poder na interação organismo humano e IA, o homem biônico alimentado pela IA  se tornar-se presa no domínio do mal ou no descontrole de sua ação, pode ser a prisão definitiva da mente humana. (Mirna Monteiro)

 

Saturday, July 11, 2026

MANIPULADOS

Recentemente em uma discussão onde a temática girava em torno das artimanhas políticas e da imensa cara de pau de políticos da extrema direita, a crítica fervilhava. Havia evidente indignação nas criticas e opiniões a respeito da classe politica brasileira, com adjetivos nada agradáveis.
De repente uma pergunta primária trouxe um silêncio inesperado: "Como é que nós permitimos isso, gente? Como é que o povo cai nessa situação?"

Pode completar essa cena com a expressão de grande constrangimento  geral! Aliás ninguém respondeu e a discussão seguiu adiante. Obviamente a resposta a essa pergunta não pode ser resumida. Depende da qualidade de informação, de um Poder Judiciário sem contaminação, do cumprimento de leis, da formação moral e ética  da população e  muito mais! Poder e corrupção estão enfronhados no sistema desde sempre.

É claro que nestes tempos  tudo pode acontecer. Vivemos uma fase de conflitos, onde todos os acontecimentos pressionam para grandes mudanças. Mas até o momento a sociedade humana mudou muito pouco em sua essência. Mudou o cenário, mas o ser humano é moldado no barro velho.

Kant acreditava que a dignidade é qualidade inerente ao homem. E que essa dignidade seria determinante do valor moral, de forma que o respeito ao semelhante deveria gerar uma relação emoldurada pela dignidade.

Podemos divagar sobre esse pensamento e arriscar até que ponto, independente da cultura, a sociedade humana assimila a afirmação de que seres humanos seriam mais evoluídos a partir de sua capacidade de valorizar a própria dignidade. Porque ao longo da história humana a dignidade e a honra ocuparam espaços de importância vital, mas sempre foram soterrados pelas ações obscuras e secretas, que ocorriam nos bastidores da política, filosofia e do imaginário popular.

Intrigas, planos secretos, mentiras e o uso da boa fé do cidadão integram o caldeirão dos grupos que se unem no interesse de dominar a sociedade.

Os soberanos nunca dormiram em paz, conforme podemos observar nos registros históricos. Bons governantes ou déspotas corriam sempre o risco que se escondia nas sombras. As guerras eram travadas com outros soberanos, mas nos bastidores do  próprio reino fervilhavam conspirações.
Fora desse cenário, convinha manter os cidadãos longe da verdade.

Ao longo da história humana, isso nunca mudou. Os cenários se modificaram, a tecnologia transformou o mundo, mas sempre a serviço de um mesmo senhor: o poder e a manipulação da massa.

Do ponto de vista político, existe realmente diferença de percepção politica entre um camponês do século XVIII e o cidadão dos nossos dias?

Considerando a capacidade de um ou outro entender o que acontece o seu redor e quais seriam as razões de seu calvário ou de sua rotina menos dolorosa, não parece haver diferença...

Seja em tempos primitivos, seja neste início do Terceiro Milênio, a maneira como o poder domina a sociedade de várias culturas diferentes, ainda é a mesma. Essencialmente, o ser humano é o mesmo, confuso em sua interpretação do que seria ético e preservaria a sua dignidade, sendo presa fácil da manipulação de fatos.

Aí chegamos no começo desta conversa e à observação indignada: "como é que nós permitimos isso, gente?" 

Podemos dizer que essa também não é uma pergunta inusitada e foi justamente essa indignação popular que registrou historicamente levantes e revoluções.
Mas por maior que seja a tendência em minimizar as mudanças no estabelecimento da dignidade humana, somos obrigados a admitir que pela primeira vez na história da humanidade- pelo menos na história conhecida da humanidade - há algo diferente, que se coloca frente aos acontecimentos gerados pelos grupos de poder e domínio político. Trata-se de um processo inverso ao domínio da comunicação da massa, cuja cartilha começa a mostrar rupturas e amassados.

Leis que são deturpadas e ignoradas pelo poder político, abastecido de muito dinheiro desviado do publico e privado, estão gradativamente sendo observadas pelo cidadão comum, em seu conflito com a necessária preservação da dignidade humana!

O abuso da manipulação está remexendo com as entranhas da sociedade, que, ainda sem racionalizar o sentimento, está estabelecendo o espírito crítico não apenas individual, mas também coletivo.
Podemos arriscar a seguinte conclusão: manipulados começam a conscientizar que são submetidos a uma falsificação de sua dignidade. Mesmo com o abuso da mentira nas redes e na grande mídia.(Mirna Monteiro)

 


Thursday, July 02, 2026

O PASSADO NOS PERTENCE



Devemos enterrar o passado em algum abismo da memória para criar uma nova vida ou recomeçar do zero?



Há quem acredite nisso. Mas veja bem, apagar o passado é equivalente a repetir não exatamente os acertos, mas os erros. Ora, apagamos o aprendizado! Dessa forma não evoluímos.

O que fazer com o passado? Devemos enfrenta-lo e entender as circunstâncias de fatos que não são fáceis de ser avaliados. Pode ser uma ação ou sentimento, não importa. O que realmente faz do passado um poderoso aliado do futuro é a capacidade de reconhecer os erros ou os sentimentos dolorosos. Para não perpetuar o sofrimento causado ou sofrido!

A quem interessa "enterrar o passado" como se fosse um corpo morto, quando na verdade ele está ocupando nosso inconsciente pessoal ou coletivo e interfere em nosso futuro? Apenas  pessoas que encaram os erros como algo "natural" e que não têm respeito pela vida acham que os crimes que provocam podem ser esquecidos de fato. 

A dor das experiências ao longo da vida, assim como o amor e afetividade, são preciosidades para moldar não apenas o caráter, mas nossa capacidade de entender o processo da existência. A capacidade em reconhecer erros ou a dor em fases da vida permite a superação desses fatos e o fortalecimento no  aprendizado da vida. Aprendizado que não acaba, mesmo no enfrentamento da morte.(Mirna Monteiro)