Thursday, July 16, 2026

A MATANÇA

 


A ocorrência de feminicídios aumenta a cada dia! O que está acontecendo  é uma "disputa de poder" ou "ódio ao sexo feminino"? 

Talvez a pergunta a seer feita seja esta: podemos tratar cada ameaça à vida de maneira isolada? Buscando causas nos galhos e ignorando a raiz da violência?

É espantoso o numero de mulheres que são assassinadas no mundo todo! Estatisticamente, calcula-se que a cada dez minutos, uma mulher é vítima e pelo menos 60% dos assassinatos tem autoria de pessoas próximas, como o companheiro. E  o Brasil ocupa a quinta posição no mundo como o país que mais mata mulheres.

Mas é espantosa também a ameaça à vida de crianças e adolescentes! Uma média de 13 a 29 crianças e adolescentes são assassinados por dia no Brasil! Em torno de 5 mil vítimas fatais por ano!

Por que isso está acontecendo?

A grave questão da violência contra a mulher não pode ser discutida e controlada sem discutir a violência contra a criança e o interesse político em uma sociedade desorganizada. Porque não são assuntos distintos, mas indelevelmente ligados a um fator: o desprezo pela vida, a ausência de valores éticos e a precarização da Justiça em todo o mundo. 

Vivemos em uma sociedade global que tende a normalizar violência extrema.  A omissão estimula armas e invasões de soberanias, cria guerras sem base real para exterminar a população civil, assassinando crianças e mulheres que não tem como se defender!

Devemos reconhecer que o mundo, hoje, distingue cada vez menos culturas e globaliza experiências e comportamentos. A tal ponto que opiniões e ações claramente psicopatas e destrutivas não são eliminadas pelo crivo crítico de grande parte das pessoas. 

Nossa sociedade atua com interpretações convenientes das leis. Ora, o marido que mata a mulher acaba com punição branda, mesmo que a pena seja pesada. Ainda que feminicídio seja classificado como crime hediondo há mais de dez anos, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão,  a maioria cumpre um terço de sua pena e vai para o regime aberto. Mas convém lembrar que a violência não tem idade, nem sexo. A psicopatia não tem gênero! Suzane Von Richthofen, planejou e ajudou a executar a morte dos pais, foi condenada a quase 40 anos de prisão, mas passou para regime aberto após 20 anos, assim como Elize Matsunaga, que fez picadinho do marido em 2012 e está em liberdade condicional desde 2022...

Criminosos homens, que parecem normais, matam mulheres desavisadas, que não atentam aos sinais de psicopatia do companheiro, assim como estupram e matam crianças, enquanto mulheres criminosas também matam seus companheiros, seus filhos! E filhos adultos também matam seus pais! 

Sem querer equiparar crimes, a verdade é que o maior desafio deste tempo é controlar criminosos que assumem papeis diferentes, de marido, de pais, de mães, mas que são feitos de um mesmo material violento e nocivo, que desabrocham em ambientes conturbados e sem o freio da ética e da punição severa.

Homens e mulheres podem ser assassinos perigosos. Nem sempre com uma arma nas mãos, mas até politicamente, quando incentivam propostas que matam pessoas, como o aumento da miséria, o uso de venenos perigosos nas plantações, ou que enfraqueçam leis ou permitam que inocentes sejam alvo de uma polícia criada no molde de um sistema exterminador.

É exatamente isso, a impunidade permite que psicopatas ou descerebrados atuem politicamente criando ambiente contrário à vida humana.

Há mais um fator a ser considerado na agressão à mulher. Não se trata de simples "disputa de poder" entre macho e fêmea, mas de adaptação ao sistema e equilíbrio. Nos tempos primitivos, quem ditava as regras era a mulher, nos bastidores da família. Cabia a ela estimular a visão do mundo e entendimento do meio aos filhos, enquanto o homem lidava com o ambiente externo e trazia o almoço e o jantar.  Na atual sociedade a mulher assumiu o papel de provedor, mas o homem não mudou. Esse fato trouxe à tona um crescente movimento de "machos alfa", que pressiona culturalmente os homens e cria conflitos que levam a maior dificuldade  na relação familiar

A violência contra a mulher, portanto, não é um fato isolado, mas parte da influência que determina o nosso ambiente familiar, cultural, social e econômico, que está criando monstros, porque isso convém ao sistema de poder que se alimenta do comportamento agressivo. Como é possível combater infanticídio ou feminicídio ou assassinatos (são quase 20 casos de mortes violentas por 100 mil habitantes), quando a  violência extrema parece ficção hollywoodiana? (Mirna Monteiro)


Leia também 

https://leiamirna.blogspot.com/2011/02/sete-segundos-e-nova-agressao-mulher.html

Tuesday, July 14, 2026

INTELIGENCIA HUMANA, IA E SOBREVIVÊNCIA

 

Veja se consegue imaginar isto aqui: você coloca uma lente de contato que não apenas permite navegação e dados, mas analisa através de suas lágrimas como está seu índice glicêmico ou seus hormônios, entre outras coisas. 

Então vem a pergunta: ora, unir biomedicina e IA parece que tem lógica, porque facilita diagnósticos e tratamentos e acelera pesquisas de medicamentos. Uma mão na roda! Ao tentar criar uma lente ocular com múltiplas funções, não apenas diagnóstica, tudo parece lógico! Mas nem tanto!

Se relacionarmos todas as vantagens e riscos no uso da IA, há uma questão que se destaca como muito perigosa: o seu poder sobre o ser humano. Até que ponto o domínio da Inteligência Artificial será controlado? Ou até que ponto controlará a sociedade humana?

Antes que alguém diga que os benefícios compensam o risco, é bom lembrar que a IA é fruto da informação humana. Uma espécie de inteligência com capacidade de armazenar e lidar com informações com uma eficácia que o cérebro humano não consegue obter. Portanto se a AI absorve toda experiência humana e todos os dados científicos, culturais e biológicos, também armazena, além dos acertos, os erros e disfunções que permeiam seu espaço.

Absorve portanto o o Bem e o Mal, reproduzindo a vivência humana!

Portanto a IA, quando não permanece sob controle de seus dados, pode cometer erros. Ou ser programada para isso.

Além da desinformação, a IA representa um risco à privacidade, porque mantém armazenados dados de bilhões, precisos e facilmente acessados. É através da IA que a tecnologia consegue operar espionagem em grandes áreas e localizar pessoas. Poderia ser operada para o bem, mas o problema é que serve para o mal, nas guerras e agressões, como  nos casos conhecidos na Palestina, Líbano, Irã, etc. 

Há outros riscos, como provocar maior desigualdade social e subtrair o papel do ser humano. O que começou com o aprimoramento mecânico após a revolução industrial, começa a chegar ao seu auge neste terceiro milênio, onde a robótica cumpre um  papel na indústria com maior perfeição. A IA substituiu o atendimento humano cada vez mais.

E a tal lente inteligente? Nesta sua fase de pesquisa monitora a saúde e tem biosensores, mas também a computação invisível, com umas tela de  microled que permite acesso a navegação e dados. Exatamente como naqueles filmes de ficção. Seria um aperfeiçoamento dos tais óculos da Meta, que integram IA, câmeras e áudio, o que aliás já está causando danos  e motivos para processos por invasão à privacidade.

Em resumo, essa lente que logo estará no mercado, pode não ser a maravilha que seus criadores divulgam, trazendo riscos para a saúde ocular, privacidade de dados e muitas implicações éticas! A presença de circuitos e baterias podem comprometer a retina ao causar falta de oxigenação.  E o contato prolongado pode causar irritação, inflamação e infecções mais graves.

Por mais sedutora que seja a ideia  de poder na interação organismo humano e IA, o homem biônico alimentado pela IA  se tornar-se presa no domínio do mal ou no descontrole de sua ação, pode ser a prisão definitiva da mente humana. (Mirna Monteiro)

 

Saturday, July 11, 2026

MANIPULADOS

Recentemente em uma discussão onde a temática girava em torno das artimanhas políticas e da imensa cara de pau de políticos da extrema direita, a crítica fervilhava. Havia evidente indignação nas criticas e opiniões a respeito da classe politica brasileira, com adjetivos nada agradáveis.
De repente uma pergunta primária trouxe um silêncio inesperado: "Como é que nós permitimos isso, gente? Como é que o povo cai nessa situação?"

Pode completar essa cena com a expressão de grande constrangimento  geral! Aliás ninguém respondeu e a discussão seguiu adiante. Obviamente a resposta a essa pergunta não pode ser resumida. Depende da qualidade de informação, de um Poder Judiciário sem contaminação, do cumprimento de leis, da formação moral e ética  da população e  muito mais! Poder e corrupção estão enfronhados no sistema desde sempre.

É claro que nestes tempos  tudo pode acontecer. Vivemos uma fase de conflitos, onde todos os acontecimentos pressionam para grandes mudanças. Mas até o momento a sociedade humana mudou muito pouco em sua essência. Mudou o cenário, mas o ser humano é moldado no barro velho.

Kant acreditava que a dignidade é qualidade inerente ao homem. E que essa dignidade seria determinante do valor moral, de forma que o respeito ao semelhante deveria gerar uma relação emoldurada pela dignidade.

Podemos divagar sobre esse pensamento e arriscar até que ponto, independente da cultura, a sociedade humana assimila a afirmação de que seres humanos seriam mais evoluídos a partir de sua capacidade de valorizar a própria dignidade. Porque ao longo da história humana a dignidade e a honra ocuparam espaços de importância vital, mas sempre foram soterrados pelas ações obscuras e secretas, que ocorriam nos bastidores da política, filosofia e do imaginário popular.

Intrigas, planos secretos, mentiras e o uso da boa fé do cidadão integram o caldeirão dos grupos que se unem no interesse de dominar a sociedade.

Os soberanos nunca dormiram em paz, conforme podemos observar nos registros históricos. Bons governantes ou déspotas corriam sempre o risco que se escondia nas sombras. As guerras eram travadas com outros soberanos, mas nos bastidores do  próprio reino fervilhavam conspirações.
Fora desse cenário, convinha manter os cidadãos longe da verdade.

Ao longo da história humana, isso nunca mudou. Os cenários se modificaram, a tecnologia transformou o mundo, mas sempre a serviço de um mesmo senhor: o poder e a manipulação da massa.

Do ponto de vista político, existe realmente diferença de percepção politica entre um camponês do século XVIII e o cidadão dos nossos dias?

Considerando a capacidade de um ou outro entender o que acontece o seu redor e quais seriam as razões de seu calvário ou de sua rotina menos dolorosa, não parece haver diferença...

Seja em tempos primitivos, seja neste início do Terceiro Milênio, a maneira como o poder domina a sociedade de várias culturas diferentes, ainda é a mesma. Essencialmente, o ser humano é o mesmo, confuso em sua interpretação do que seria ético e preservaria a sua dignidade, sendo presa fácil da manipulação de fatos.

Aí chegamos no começo desta conversa e à observação indignada: "como é que nós permitimos isso, gente?" 

Podemos dizer que essa também não é uma pergunta inusitada e foi justamente essa indignação popular que registrou historicamente levantes e revoluções.
Mas por maior que seja a tendência em minimizar as mudanças no estabelecimento da dignidade humana, somos obrigados a admitir que pela primeira vez na história da humanidade- pelo menos na história conhecida da humanidade - há algo diferente, que se coloca frente aos acontecimentos gerados pelos grupos de poder e domínio político. Trata-se de um processo inverso ao domínio da comunicação da massa, cuja cartilha começa a mostrar rupturas e amassados.

Leis que são deturpadas e ignoradas pelo poder político, abastecido de muito dinheiro desviado do publico e privado, estão gradativamente sendo observadas pelo cidadão comum, em seu conflito com a necessária preservação da dignidade humana!

O abuso da manipulação está remexendo com as entranhas da sociedade, que, ainda sem racionalizar o sentimento, está estabelecendo o espírito crítico não apenas individual, mas também coletivo.
Podemos arriscar a seguinte conclusão: manipulados começam a conscientizar que são submetidos a uma falsificação de sua dignidade. Mesmo com o abuso da mentira nas redes e na grande mídia.(Mirna Monteiro)

 


Thursday, July 02, 2026

O PASSADO NOS PERTENCE



Devemos enterrar o passado em algum abismo da memória para criar uma nova vida ou recomeçar do zero?



Há quem acredite nisso. Mas veja bem, apagar o passado é equivalente a repetir não exatamente os acertos, mas os erros. Ora, apagamos o aprendizado! Dessa forma não evoluímos.

O que fazer com o passado? Devemos enfrenta-lo e entender as circunstâncias de fatos que não são fáceis de ser avaliados. Pode ser uma ação ou sentimento, não importa. O que realmente faz do passado um poderoso aliado do futuro é a capacidade de reconhecer os erros ou os sentimentos dolorosos. Para não perpetuar o sofrimento causado ou sofrido!

A quem interessa "enterrar o passado" como se fosse um corpo morto, quando na verdade ele está ocupando nosso inconsciente pessoal ou coletivo e interfere em nosso futuro? Apenas  pessoas que encaram os erros como algo "natural" e que não têm respeito pela vida acham que os crimes que provocam podem ser esquecidos de fato. 

A dor das experiências ao longo da vida, assim como o amor e afetividade, são preciosidades para moldar não apenas o caráter, mas nossa capacidade de entender o processo da existência. A capacidade em reconhecer erros ou a dor em fases da vida permite a superação desses fatos e o fortalecimento no  aprendizado da vida. Aprendizado que não acaba, mesmo no enfrentamento da morte.(Mirna Monteiro)


Sunday, June 28, 2026

QUEM SOU, ONDE ESTOU, PARA ONDE VOU...

 





Ninguém está dizendo que viver é fácil! Nunca foi afinal!

Imagine você andando pela floresta, batendo papo e de repente vira o almoço de um tigre de dentes de sabre...ou mais além no tempo, precisa enfrentar acusações de bruxaria por sugerir que a terra é redonda? Quem sabe em tempos mais modernos ser perseguido pelo submundo de tráfico e extorsões nos EUA, como nos anos 70 e 80?

Somos obrigados a concordar: viver nunca foi fácil e a luta pela sobrevivência é norma em qualquer época, em qualquer espaço do planeta, para humanos, animais, plantas, enfim, para todo ecossistema. 

Como os seres humanos sempre enfrentaram a realidade da sobrevivência? Fortalecendo não apenas o corpo, mas o pensamento. A capacidade de observar, pensar e deduzir, para transformar e ampliar sobrevivência.

E hoje? 

Hoje temos a solidão crescente, a sensação de vulnerabilidade e impotência, a insatisfação pessoal, a perda da identidade cultural, religiosa e moral, o esvaziamento dos valores espirituais. As igrejas impedem o pensamento e obrigam a submissão ao poder. E a incapacidade de filosofar sobre a vida buscando reais valores do pensamento, aumenta.

É o que se chama de "males da alma". 

Da mesma forma que a ciência descobre que um chip implantado no cérebro permite que uma pessoa paralisada obtenha resposta de movimento em membros artificiais ou comando em computadores e que terapias com polilaminina regeneram lesões medulares (incrível!) a depressão e o desânimo despertam mecanismos desconhecidos que levam o próprio cérebro a emitir ordens de desarmonia no organismo dos seres humanos, que recorrem à químicos buscando o bem estar. Mas nenhum medicamento pode restituir a paz de espírito e a força de vida!

Pensar sobre isso, a vida, discutir suas sensações, ansiedades, medos e angústias, tentar explicar o inexplicável, tudo isso integra o ser humano da era cibernética com a mesma intensidade do homem primitivo.


Não mudamos a nossa essência, embora o cenário onde vivemos tenha se modificado de forma impressionante, mostrando um mundo absolutamente diferente da antiguidade...em sua crosta!

O interior humano é tão frágil e confuso quanto o foi nos tempos da organização do pensamento, durante os primeiros passos na discussão da filosofia.

É bem provável que esta última afirmação seja otimista demais. A nossa fragilidade pode ter aumentado. Quando Sócrates discursava seus pensamentos e, por exemplo, um dos seus discípulos mais conhecidos, como Platão, tentava ordenar o próprio pensamento para expandir o conhecimento que recebia, a sociedade da época era simplificada, as regras de sobrevivência eram muito claras.

Hoje um adolescente não sabe onde está "localizada" a sua capacidade de pensamento. Quer dizer, aprendeu que o mundo é feito de imagens e acontecimentos ágeis, de individualidade (o egocentrismo cresce, como auto defesa em um meio onde vale tudo e o mais esperto sobrevive) e confusão. Não encontra respostas para suas perguntas, não consegue equilibrar-se sem a base dos valores morais e espirituais, que foram substituídos pela mídia.

Mas intuitivamente ele sabe que o "vale-tudo" não é compatível com família, com comunidade, com sociedade e, portanto, com a sobrevivência humana. Porque seja hoje, seja há milhares de anos, a dúvida que habita o ser humano é sempre a mesma.



QUEM SOU EU?

ONDE ESTOU?

PARA ONDE VOU?



Thursday, June 25, 2026

SOCIEDADE PERIGOSA NO MICRO E NO MACRO

 

Há inúmeras situações que podem levar alguém a tirar a vida de outra pessoa. Especialistas desdobram-se na análise de desvios de conduta, ambiente, circunstâncias ou patologias, tentando explicar uma ação que pode ser passional ou planejada friamente.
No final das contas há apenas um consenso comum e coincidente em todas história humana de violência: o receio da punição é a principal forma de controle da incidência de assassinatos, sejam eles motivados por qualquer circunstância ou mesmo tendo origem na psicopatia.
Indivíduos psicopatas não são minoria, como pensamos. Sabe-se hoje que grande parte das pessoas carrega consigo a tendência desse tipo de anomalia, em maior ou menor grau e em dependência do meio em que vivem.
O que significa que apesar de ser um indivíduo frio e calculista, o psicopata também controla suas ações com método e lógica do objetivo.
Em comunidades onde existe organização social e controle da violência, esse tipo de pessoas com tendência a matar também tem seu impulso homicida controlado.

A conclusão é simples portanto. Quando a violência aumenta, é óbvio que a sociedade está desorganizada e fragilizada em sua capacidade de deter e punir criminosos. O indivíduo com transtorno antissocial sente-se à vontade nesse ambiente para liberar seu instinto assassino.
O que acontece? Pessoas aparentemente "normais" que tem uma vida social, são médicos, jogadores de futebol, advogados, professores, pais ou filhos enfim, aparentemente acima de qualquer suspeita, passam a matar.

Nossas leis precisam se ajustar à ciência. Poucos anos de detenção não eliminam o risco de quem mata friamente.
Do ponto de vista científico qualquer indivíduo que age friamente, calculando a morte de outras pessoas, possui características psicopatas e poderá voltar a matar caso se sinta em segurança, diante de um sistema judicial ineficiente.
No livro "A máscara da sanidade" o psiquiatra Hervey Cleckley analisa quatro tipo de psicopatas que se misturam à população, os primários, que parecem não possuir qualquer emoção genuína (mostram superficialmente o que lhes convém), os secundários, mais passionais e sujeitos a matar em situações de estresse, os descontrolados, que se aborrecem ou perdem a linha mais facilmente que os demais (em geral ligados a pedofilia e outros desvios sexuais e sujeitos ao consumo de drogas) e os carismáticos, mentirosos mas atraentes e charmosos e com poder de persuasão sobre suas vítimas.
Nos tribunais ou na vida social psicopatas mentem com grande facilidade. Não sentem nenhuma angústia pessoal e não tem nenhum problema, já que o problema quem tem são os outros.

Sua capacidade para castigar as vítimas se baseia em um comportamento anormal do cérebro, que reage de forma completamente diferente de uma pessoa sã. Jamais assumem qualquer responsabilidade por seus atos, sem crivo da auto crítica.

Os conflitos sociais liberam a ação desse tipo de indivíduos psicopatas ou sociopatas. As pessoas em geral, no entanto, querem saber como lidar com essa realidade atual. "O pior é que a gente sabe cada vez menos sobre quem pode ser um bandido ou alguém que de repente pode até matar, parece filme americano de terror", escreveu um leitor que comentava o ataque a um cliente de um restaurante no Guarujá, morto a facadas pelo proprietário do lugar ao reclamar do preço cobrado.

Saber, de fato, parece cada vez mais difícil. Os novos agressores nem sempre têm históricos de violência ou aparentam ser assassinos. Ou mentem e criam falsas justificativas para matar, quando o motivo é roubar terras, explorar outros povos ou usufruir de suas riquezas. 

Isso pode acontecer em uma disputa de patrimônio, ou na exploração de terras indígenas ou ainda em invasão de outros países, como no caso dos assassinatos em massa na Palestina por Israel, entre outras violências e assassinatos por supostas guerras.

O mundo assiste e respeitadas as exceções, não reivindica a ética nos conflitos internacionais, permitindo pela omissão o genocídio de outros povos. Falar no sujeito que mata a mulher, no proprietário do restaurante que mata o cliente ou nos soldados israelenses que estupram e matam sem punição, são os mesmos crimes que, independente da quantidade de assassinatos, tem em sua origem o desprezo pela vida humana, pela ética e pelas leis. Calculistas e frios na psicopatia ou violentos e incontrolados na passionalidade, dependem de punição severa para garantia da sobrevivência da sociedade, seja de uma cidade, seja de outros países.

Houve tempos em que a palavra tinha o peso da credibilidade. O "fio de barba", que garantia a honestidade de acordos, fazia com que a justiça funcionasse sem a necessidade de tribunais.

Hoje os tribunais nem sempre conseguem prender criminosos, enquanto que o sistema não tem preparo para o sistema prisional exigido. O que na prática torna o cidadão mais responsável pela sua própria segurança, como nos tempos primitivos, quando o meio era absolutamente imprevisível e o risco de se tornar uma presa, constante. 

Mas é claro que isso não significa ceder aos sonhos dos psicopatas, que defendem o armamento da população como defesa da violência. Significa fortalecer a ética e as  leis, punindo e não suavizando os atos que ameaçam o equilíbrio da sociedade  (Mirna Monteiro)

Friday, June 12, 2026

COMO ENFRENTAMOS O MEDO DA VIDA

 

...Estamos perdendo o rumo?


Volta e meia encontramos alguém que desabafa, aflito: “estão todos loucos!  As pessoas estão perdendo a lucidez”

Por que? Os motivos são vários – irritação excessiva, ausência de auto-controle, falta de afetividade e tendência à destruição. Dentro da própria família os sintomas são cada vez mais óbvios – desagregação, egocentrismo, disputa interna, clima inamistoso.
Mas o que mais se ouve e impressiona é a afirmação de que as pessoas estão perdendo a capacidade crítica e qualquer freio moral.
A ausência de capacidade crítica torna a pessoa extremamente vulnerável ao erro e engano. A falta de “freios morais” a torna potencialmente perigosa, sujeita a achar natural a invasão da privacidade alheia ou apropriação de bens que não lhe pertencem ou ainda a atos violentos.

Seria um sintoma de loucura? Ou de histeria coletiva, um fator que desagrega a sociedade da racionalidade que permite uma convivência produtiva e pacífica?
Perguntas e perguntas. Que parece haver uma gradativa perda de identidade e um processo de histeria coletiva - onde se age pela emoção, sem um racicínio independente e lógica individual - isso parece! Há quem afirme que a sociedade moderna  está cada vez mais integrada por pessoas que confundem a realidade com a ilusão criada pela ficção ou pela mídia, farta em mensagens subliminares

Somos seres racionais e a nossa vontade é racional. Assim nos percebemos lúcidos e com capacidade de definir a realidade. Qualquer pensamento ou emoção que extrapolem determinados limites podem ser interpretados como uma ficção ou uma ilusão sob controle.
Mas é preciso considerar a capacidade humana de reintegrar-se em seu isolamento mental. No momento em que divagamos dentro de nós mesmos, a concepção do certo, errado ou do que é real pode mudar. Podemos permitir que haja maior abertura para a irracionalidade, a fantasia e a ilusão. Ou permitir uma reestruturação do pensamento diante de uma nova realidade, que permitirá maior segurança de sobrevivência.

Assim como nos sentimos seguros quando percebemos a realidade fora de nós, onde podemos ter a percepção sobre ela e diferenciar o que de fato é consistente e o que é ilusão, também a incapacidade de lidar com as duas realidades pode ser perigosa.
Tornar-se excessivamente pragmático portanto é colocar em risco a própria sanidade, uma vez que a pessoa que vive exclusivamente para uma realidade imediata e material – aquela que considera única – é facilmente dominada pelas regras desse mundo plastificado.
Ficará, por exemplo, mais sujeita à pressões de uma sociedade imediatista e superficial e mais sensível ao processo de histeria que se instala coletivamente.

O estudo da psicanálise demonstra a importância de nosso inconsciente. Considerando a Filosofia, esse mundo interior se torna muito mais amplo e capacitado para conduzir-se conscientemente e não consistir-se simplesmente em um reflexo do mundo exterior.

Deveríamos conscientizar a importância de nosso mundo mental, ou de nossa alma. No entanto, estamos sempre na dúvida sobre quais das sensações devem ser priorizadas em determinado momento: a liberdade do pensamento livre e da imaginação solta em nosso mundo interior, onde as percepções são tão ilimitadas, e a percepção da realidade externa, comunitária, que divide-se no mundo material.
Quando estamos sonhando, vivemos uma realidade ou uma ilusão? Para os mais pragmáticos, essa é uma pergunta absurda. Ora, o excesso de racionalidade leva à falta de criatividade e crescimento mental e portanto limita a capacidade de compreensão de um mundo lúdico ou mental.
Se nosso mundo interior, formado de sonhos, pensamentos e imagens, é perfeitamente estabelecido e desperta sensações, inclusive físicas, apesar da imaterialidade do mundo interior, por que não seria também uma realidade, em outro nível de percepção?
O que se pretende portanto é o equilíbrio entre a realidade imediata e a capacidade de percepção e criatividade humana. Atingir a medida certa não é tão importante quanto pensar sobre sua própria capacidade de integrar-se ao pensamento exocêntrico... que afinal representa a consciência do "uno" ou da relação entre todas as coisas. (Mirna Monteiro)

Saturday, May 02, 2026

 

Na mitologia os deuses tinham um péssimo defeito: adoravam manipular os pobres mortais. Lá de cima do Olimpo, entre brancas nuvens e regados a néctar e ambrosia,  combatiam  o tédio inventando desafios ou mesmo benesses para alterar o destino da humanidade.
Bons ou malvados, os deuses gregos e romanos representavam qualidades e defeitos humanos. Os humanos, por outro lado, espelhavam-se nos deuses que adotavam como regentes de sua vida, fazendo orações, sacrifícios e erguendo monumentos para agrada-los e receber sua proteção! 
Portanto, concluímos que se os deuses manipulavam os homens, aterrorizando-os com seu poder, os homens manipulavam os deuses, tocando-os em sua vaidade e seus humores...
A sociedade humana baseia a sua sobrevivência no poder da manipulação, que assim como o bem e o mal, também tem duas faces. 

Um bebê depende de cuidados para sobreviver e utiliza o choro para se comunicar, mas a natureza dotou suas cordas vocais de uma sonoridade que chama a atenção para suas necessidades. Não fosse assim e teríamos sérios problemas. O ser humano é o único animal totalmente dependente de cuidados em seus primeiros anos de vida.

Se alguém aqui disser que nunca manipulou ou tentou manipular alguém ou determinada circunstância, estará certamente mentindo ou é extremamente desatento. Manipulamos sim, a todo instante, quando interferidos de maneira indireta na vida da família, dos amigos, do chefe no trabalho ou dos empregados.

Portanto a questão principal não é se somos ou não manipulados ou até que ponto obtemos sucesso com tentativas de manipulação, mas sim até que ponto somos manipulados ou manipulamos alguém! 

Ou a partir de quando a manipulação pode ser considerada um ato desonesto, degradante ou ainda criminoso!

Sempre houve, ao longo da história, uma preocupação crescente com a manipulação. E uma listagem enorme de crimes com esse objetivo. 

Por exemplo, a Biblia, que mantém em suas página o aviso de que modificações de seus escritos seria hedionda. No entanto como é que escritos tão antigos, que passaram por tantas mãos e imposições de poder político poderiam permanecer inalterados? 

A manipulação de seu conteúdo, com adições e subtrações de textos de várias épocas, mostra a complexidade da informação a contradição de algumas afirmações.

Mas se a Bíblia serviu ao bem e ao mal, como nos tempos negros da Inquisição, governos autoritários destruíram livros com informações preciosas com o objetivo de manter o povo na ignorância.

Quanto menor a informação, maior a facilidade de manipulação. 

Nos tempos de hoje a informação ganhou uma dimensão inusitada, em um ambiente disseminador democrático como a internet, mas trouxe outro grande problema: qual informação procede e qual é a manipuladora?

O sujeito manipulado não tem consciência desse poder sobre sua mente, seus hábitos, seus pensamentos...Em contrapartida à maior informação, as técnicas para dominar tornaram-se aprimoradas. Uma das maneiras de manipulação envolve o inconsciente, com mensagens visuais e sonoras subliminares, que não são óbvias, mas lá estão em frações  e velocidade imperceptíveis aos olhos, captadas pelo nosso cérebro  e que permanecem no inconsciente humano tão poderosas como o grilo falante na cabeça de Pinóquio.

A investida naturalmente visa a massa, ou o coletivo, o mais poderoso "ser". Carl Jung defendia que o inconsciente coletivo - que seria transmitido as gerações posteriores, em uma herança natural,  não deriva de experiências individuais, como o inconsciente individual, trabalhado por Freud, ainda que precise de experiências reais para se manifestar. 

Traços funcionais do inconsciente coletivo, os arquétipos, não seriam observáveis entre si, mas apenas através das imagens que eles proporcionam.

Erich Fromm observou outro aspecto, o "inconsciente social", que seria a experiência humana tornada inacessível pela sociedade repressiva. Assim a humanidade é presa fácil da repressão do meio cultural, aliada do novo poder de influência sobre o indivíduo na vivência dessa cultura, através de mensagens subliminares em textos, filmes, video-game e todo e qualquer recurso visual e sonoro!

Talvez não seja possível avaliar até que ponto somos influenciados e manipulados. O que seria a experiência herdada, ou nossa capacidade de distinguir a razão ou ainda qual seria realmente a nossa opinião, pessoal, individual  e  original, sobre os fatos e ações de nossas vida?

Pergunta difícil de ser respondida...  (Mirna Monteiro)

Tuesday, February 17, 2026

O ESPELHO DISTÔNICO

 

Quando você olha no espelho, vê a mesma imagem que outras pessoas fazem de você? Se respondeu sim, é bom parar e observar muito bem a situação.
Quando outra pessoa olha para você, ela vai enxergar através do próprio prisma, considerando todas as expectativas, preconceitos, interesses, entre inúmeros outros fatores mentais e emocionais que podem interferir na sua avaliação.
Mas o problema não é a visão diferenciada das pessoas. O problema é aquilo que você imagina que será captado!

Esse é o drama a ser enfrentado na preocupação excessiva da imagem física. Uma pesquisa demonstrou que essa dificuldade de auto-percepção, aliada à preocupação em ser bem recebido pelo meio social, pode causar sérios danos à vida. Um deles é o risco de mortes de adolescentes e jovens por anorexia nervosa e bulimia. O outro é uma nova obsessão, a de realizar cirurgias plásticas e outras intervenções a ponto de ir mudando não apenas  detalhes físicos, como a própria personalidade. Em alguns casos o  resultado do exagero também é fatal; em outros transforma a pessoa em um ser com aparência artificial.

Uma em cada três pessoas tem imagem distorcida de si mesma, ainda que esteja com o peso ideal. Entre as mulheres, 31% com peso adequado se acham mais gordas do que deveriam. Curiosamente, entre os homens ocorre o oposto: 25% dos que tem peso adequado se acham mais magros do que deveriam ser...

Há como fugir desse esteriótipo? Difícil. A mídia cria o modelo, por exigência do mercado e os seres comuns do planeta correm atrás desse ideal de beleza.
É a escravidão mental que atinge a maioria das pessoas, independente do grau de instrução ou de sua condição econômica. Aparece na forma da insegurança emocional que recheia o medo de ser observado e julgado pelo meio.
É também um sintoma de que todos julgamos o mundo como se fossemos individuais e solitários!
De qualquer maneira a mulher sempre foi uma das maiores vitimas do modelo social, que eliminava com isso sua força política, ao resumi-la ao aspecto visual.
Na Grécia antiga Vênus de Milo mostrava um corpo feminino forte, sem os extremos exagerados que vemos entre a Renascença, onde a beleza feminina era traduzida em formas quase obesas e excessivamente arredondadas, e os espartilhos do século 19, que deixavam a “cintura de vespa”.  A Vênus aliás conseguiu vencer o tempo como um símbolo da beleza feminina...mesmo estando fora do padrão em muitas fases da história.
Engorda, emagrece, cintura fina, ombros largos e estufados...o corpo feminino já virou quadrado, retângulo, triângulo e trapézio! Pior foi o emagrecimento absoluto que começou a ganhar força após os anos 60, do século XX. As modelos eram tão magras e frágeis que pareciam bonecas.
Hoje a beleza da moda é o corpo magro e malhado, ornado de músculos. No início deste século XXI, onde as protuberâncias são obtidas com próteses e as gorduras sugadas em lipoesculturas e outros novos processos, pretende-se criar a "beleza perfeita"...Se é que isso é possível.  Perfeição artificial tornou o desejo de muitas pessoas, homens e mulheres. Só que o seu conceito ainda é discutível.

A verdade é que a mulher, ao longo da história, sempre foi tratada como objeto decorativo e sofreu pressões relacionadas aos “dotes físicos”. A culpa é da variedade de atributos físicos e de biotipos. Dependendo da época, um biotipo acertava o alvo.
Na Inglaterra do século XV as damas desejavam morrer ao constatar que não possuíam a pele alva o suficiente (apenas camponesas eram coradas), o corpo rechonchudo, a testa larga, olhos largos, cabelos claros (loiros ou ruivos), entre outras especificações, como pés delicados e mãos de seda.
Hoje as adolescentes ficam sem comer e vomitam por ver nas passarelas a magreza absoluta. Modelos têm corpo de eterna adolescente anoréxica, com pernas compridas e finas e corpo longilíneo o suficiente para tornar qualquer pano enrolado o máximo na arte da elegância.
Provavelmente em breve esse tipo cairá de moda. O que virá?
Afinal, o que é bonito e o que é feio? O que esperamos ao tentar nos metamorfosear constantemente? Todos sabemos que a diversidade do elemento humano impede a padronização de um determinado modelo. O que se perde ao se manter uma aparência equilibrada, sem os exageros do momento? A beleza da moda garante a harmonia em um relacionamento? Ou é aval da felicidade?

Para a feminista americana Nancy Wolf, a beleza não passa de uma invenção do homem para escravizar a mulher. Seria um sistema monetário, assim como o ouro. A anorexia seria um dano político causado às mulheres pela necessidade de manter o corpo magro e esbelto a qualquer preço.
Talvez essa seja uma visão extremamente radical, um tanto simplista, mas não deixa de ter algum sentido. Só que hoje não apenas a mulher, mas também o homem  é vítimas de um padrão ditado pela mídia.
A mania da magreza é, naturalmente, cultivada pelo meio cultural e atinge mais intensamente o sexo feminino, embora o padrão de beleza moderno também tenha como alvo o sexo masculino, como "necessidade de mercado". Mas seres humanos não podem ser tratados como mercadoria descartável, ou “modificável”.
Talvez o mundo devesse exigir que as modelos nas passarelas fossem tão diversificadas fisicamente como as criações que vestem. Caso contrário correremos o risco de perder, no futuro, a essência da beleza humana, transformada em seres com aparência alienígena, verdadeiros ciborgs da tecnologia estética.
(Mirna Monteiro)

Tuesday, February 03, 2026

TROMBETAS E BUZINAS DO APOCALIPSE

 

Se existe um assunto que é motivo de discussão cada vez mais frequente, esse é o o final dos tempos. Nunca antes o Apocalipse foi tão citado. Com ou sem conhecimento do texto do Livro das Revelações, ou o último livro do Novo Testamento.

Não importa se o comentário vem de alguém com conhecimento das profecias que descrevem a luta final entre o Bem e o Mal ou de leigos impressionados com a velocidade dos acontecimentos neste terceiro milênio. 

A humanidade estará no "fim da linha"? E quem ou o que permanecerá por aqui? 

A quem acredite que o ser humano abriu uma "caixa de pandora" chamada Inteligência Artificial. 

Com sua mania de ser algum deus ou quem sabe por puro  engano, a tecnologia controlada que repassa o conhecimento humano e sua criatividade, entre outras coisas, está ganhando vida própria. Como assim? Ora, a inteligência artificial que teoricamente é dominada pelo ser humano, servindo como um fantástico sistema para simular o pensamento humano,  e com maior capacidade que ele próprio para registrar informações, raciocinar, planejar, resolver problemas, enfim, muito mais, está começando a achar que não precisa mais do fator humano! 

As respostas de agentes de IA a perguntas sobre a humanidade está assombrando a ciência. Quanto mais os humanos criam sistemas de evolução da IA, mais ela aprende e começa a ir além das tarefas programadas.  Existe o tal aprendizado profundo, o chamado "Deep Learning", onde as máquinas utilizam redes neurais artificiais para simular o funcionamento do cérebro humano, sendo base para reconhecimento de voz e imagem. 

Em resumo, a humanidade poderia muito bem manter a IA limitada, aquela dos nossos sistemas que é treinada para tarefas específicas. Mas não, estamos atravessando um limite perigoso, conforme alertam especialistas. 

Uma prova é a disseminação de desinformação. IA é uma grande aliada da manipulação. Ou perder seu emprego para o sistema inteligente. Ou ainda, correr ricos de segurança cibernética. Sua privacidade acaba e ainda há perigo de sistemas autônomos tomarem decisões sem supervisão humana. 

Pode ser prematuro ainda todo esse risco, mas não é fantasia. É realidade!




Thursday, January 15, 2026

O MEDO DE VIVER E CONVIVER

 

 Mirna Monteiro


Sentir medo até certo ponto é natural. Se não tivéssemos a percepção do perigo não poderíamos preservar a vida.

Se estivermos em uma situação de risco ou que simula um risco - como uma montanha-russa por exemplo- sabemos que o mecanismo físico do receio vai fazer com que nosso cérebro provoque uma descarga poderosa de adrenalina para aliviar o corpo desse estresse momentâneo...
Até aí, tudo bem. No entanto quando passamos a sentir medo de situações ou momentos que não conseguimos definir ou racionalizar, nossa capacidade de defesa pode ficar comprometida. Seria o medo irracional, lesivo à sociedade,  pois dá origem a distorções que retornam como as ondas em uma praia. Não se trata de estados alterados, originados por alguma patologia, como a violência psicopata, mas de omissões imiscuídas no nosso dia a dia, de maneira quase imperceptível. É o medo de manifestar uma opinião, de expressar-se, de reclamar, de exigir direitos que são importantes para a manutenção da vida! É a necessidade de recolher-se, encolhendo-se e até mesmo anulando-se, vaporizando-se. O que acontece?
O problema do medo exagerado é o isolamento gradual da realidade, a ponto de atrapalhar o próprio senso de preservação. Um tipo de sensação negativa que vai além do receio de situações de risco, do ataque de um animal ou da agressão de um semelhante.
Há medo evidente de participar da vida e interagir com o meio. Ou seja, perde-se o "ponto" que justifica nossa própria existência.
Elimina-se assim, infelizmente, a nossa capacidade de vivenciar e sentir o prazer do contato humano, já que qualquer um, em qualquer circunstância, representa uma ameaça.
Atuar torna-se um risco e as pessoas evitam até mesmo opinar e exigir respeito às mais elementares regras de convivência.
"Imagine se vou reclamar em um restaurante...vão cuspir no próximo prato"..."Não se pode criticar o site de relacionamento, vai que acabe "sumindo" todos os meus dados e amigos"..."Como vou reclamar de diferenças no preço?...Vão pensar que estou contando meus trocados"...
Pior quando o medo se esconde atrás de uma capa de indiferença. "Eu não vou reclamar porque não adianta mesmo". Ou pelo receio da crítica, de ser alvo das atenções ou de ter de manter um compromisso com a situação após o episódio.
Quem age assim antecipa por conta própria a situação de risco. O funcionário que "cospe no prato" de um cliente que reclamou algum direito está lá, existe, ou foi criado? Como se pode viver partindo do pressuposto de que todas as pessoas que preparam ou servem os pratos cometem um ato assim, que é criminoso, apesar de servir de piadas!
Críticas e reclamações e a inconformação com  situações artificiais e ameaçadoras podem ser extremamente positivas para melhorar serviços e garantir o cumprimento de leis e da cidadania. A sociedade precisa aprender a ouvir e realizar críticas que possuem fundamento.
Como vivemos em um mundo de extremos, convém lembrar que reclamar sem motivo é tão ruim quanto a omissão. Para saber se exercitamos um direito saudável é só avaliar a situação naquele momento: é um tipo de distorção que pode afetar o conjunto social?
Também devemos lembrar que "o outro" nem sempre é o vilão da história. E verificar se nossa tentação de omitir-se a exercer a cidadania de maneira equilibrada, sem agressão, mas com firmeza, não está partindo de uma insegurança excessiva, ou da necessidade de aprovação constante, por recear criticas!
Atitudes de rejeição e agressividade também são uma demonstração de medo e ansiedade de autopreservar-se e não de princípios...
Há exemplos mais dramáticos do que uma cuspida. O risco que passamos quando nosso semelhante temeroso e confuso tem uma arma na mão ou dirige um veículo que se transforma em uma máquina de destruição. Não basta olhar para os dois sentido ao atravessar uma via, já que um bêbado não distingue o asfalto da avenida daquela calçada cheia de pedestres. Tampouco o segurança da agência bancária ou do shopping pode ser confiável, já que um descontrole súbito pode disparar uma arma, que por sua vez pode ir parar nas mãos de uma criança que a leva para a escola com a finalidade de impressionar os coleguinhas ou confundir a ficção com a realidade.
Politicamente temos de assumir uma atitude de equilíbrio. Visceralmente dependemos do controle de nossos instintos primários para respirar no ambiente social. Vivemos em comunidade e partilhamos esse meio. É onde encontramos a sobrevivência. Dizer que se vive só é irreal. Apenas viveríamos sós se fossemos isolados em uma ilha feita de rocha. Não há sobrevivência na vivência estéril. É preciso reconhecer o valor do meio social e contribuir para que haja maior garantia de convivência pacífica. (M M)