Friday, October 16, 2026

DEIXANDO A VIDA MORRER

 


Um dos modismos na ficção é a eliminação da solidariedade e do amor ao próximo. O mundo se transforma em um lugar solitário, onde o que vale é a sobrevivência individual e não coletiva. 
No cenário urbano tradicional vale tudo em nome do poder e do dinheiro, não importa quantos sejam imolados para que um indivíduo atinja seu objetivo. 
Em cenários futuristas, quando vírus desconhecidos invadem a terra, é melhor cuidar da própria pele e atropelar o semelhante nas ruas e estradas  mesmo que sejam sadios, para evitar que um dia se transformem em potencial transmissores de alguma doença exterminadora...

Por que falamos da relação ficção e vida real?

Porque a ficção, em primeira análise, é a representação criativa do ser humano, em sua vivência real do passado e dos seus anseios, medos e expectativas do futuro.

Por esse motivo a ficção é transformara da sociedade sob diferentes aspectos. "Acorda" desavisados sobre o risco de certas ações, mas estimula os mais violentos a liberar os instintos mais baixos.

 Principalmente nos filmes, onde o crivo crítico fica mais comprometido do que na literatura escrita pelo poder da imagem, do som e das mensagens subliminares, onde a imaginação humana pode misturar-se e gerar verdadeiros atentados à sanidade de expectadores.
A ficção portanto, é poderosa formadora de opinião e conceitos sobre a vida. Pode despertar a filosofia ou, em oposto, o descaso com a vida. 

Pode ensinar a trajetória do ser na sociedade e orienta-lo no percurso ou tornar a vida humana tão fútil como um sanduíche de vento ou ainda dar a entender que a vida é apenas uma mera condições individual e que o coletivo é ameaçador e inimigo, destruindo a civilidade.

Esse poder não é novidade. Novidade é o potencial destruidor que tomou conta da ficção. 

Nos séculos passados a literatura inicia com contos da carochinha, que mostravam no teatro da linguagem a realidade da vida, dividida entre o bem e o mal. 

Por ai seguiam, tornam-se picante e estimulando mudanças de comportamento sexual que transformaria a moral do futuro. Agora pisoteiam a ética e civilidade, onde mesmo o "Bem e o Mal"  tornam-se mesclados e confusos.
É essa nova sociedade que transferiu para a vida real a inconsistência da ficção americana dos seus filmes sanguinolentos e compostos de seres ensandecidos, em uma sucessão de imagens  e barulho que elimina a possibilidade crítica do expectador. 

Tendência que passou a ser adotada na produção de filmes por outros países e que, no final das contas, com o passar de poucas décadas, aproxima-se do retrato de uma nova realidade social. A ponto de depararmos cada vez mais frequentemente com denúncias de que tudo conspira contra a sanidade humana, ultrapassando as telas da TV e do cinema e atingindo programas de computadores, sites e até telefones celulares, que utilizariam recursos subliminares, captados pelo inconsciente humano e não percebidos visualmente.

Se chegamos a esse ponto, não sabemos ainda. Mas que a transformação do homem como ser social é pouco segura, isso é inegável.

Por esse motivo quando médicos e outros funcionários de hospitais ou pronto-atendimento deixam seres humanos morrer na calçada ou em alguma cadeira na sala de espera, pensamos: parece coisa de ficção!

Da mesma forma quando observamos a necessidade de vigiar nosso sistema judiciário, denunciar sentenças absurdas e contrárias à ética, processar advogados que roubam seus clientes na tranquilidade das procurações ou defendem assassinos confessos como "pessoas normais"...parece coisa de cinema! 

Situações surgidas de mentes que desejam grandes bilheterias pelo choque da displicência e da maldade do sistema começam a se tornar parte da rotina da vida real.

O desleixo com a vida no entanto é responsabilidade da própria sociedade. 

Talvez seja o momento de reconhecer que estourar cabeças de zumbis e espirrar sangue para todos os lados não favorece a sobrevivência coletiva e nem individual e que a vida não precisa necessariamente imitar a arte, que nem sempre é criação válida. 

O que falta é o outro lado da balança, demonstrando que a vida é preciosa, seja ela de quem for e onde estiver, seja a de uma árvore secular, um animal ou o ser humano. 

Pensar sobre o assunto não é sonho ou utopia. É alternativa. De soberevivência! (Mirna Monteiro)

Friday, October 09, 2026

O QUE TEMOS A VER UNS COM OS OUTROS

 

O temos a ver com os outros?
Tudo e nada, ao mesmo tempo. 
Parece muito fácil ignorar situações que nos desagradam ou são complexas demais, a ponto de se tornarem uma espécie de ficção em nossa realidade.

Mas logo a frente, em algum momento futuro, o que era ficção - ou problema dos outros - vai se enroscar em nossa vida. Que afinal não será problema de outros também.

Até que ponto devemos nos sentir culpados ou responsáveis por situações que não provocamos ou com o sofrimento de quem não conhecemos?

Aparentemente, quanto mais problemas percebemos ao nosso redor, maior é a vontade de fechar as portas da consciência e de nosso espaço social. É ação automática, um irresistível impulso de defesa.

No entanto tudo o que acontece tem relação direta ou indireta com o mundo particular de cada um.

Do ponto de vista ético, participar da vida equivale a valorizar o semelhante como  si próprio, já que dependemos da comunidade para garantir a sobrevivência. Portanto quem é hermético ao sofrimento alheio contraria a natureza da autopreservação, a não ser que esteja sob ameaça, onde admite-se que valores éticos sejam atropelados pela natural luta pela vida em caso de confronto.

Há várias formas de omissão. Negar auxílio a alguém  é uma delas. Mas até que ponto?

Jornais, revistas e produtos responsáveis pela informação podem omitir determinados detalhes de um fato,  quando sabemos que uma simples fofoca que omite um aspecto da verdade, pode mudar a história?

A omissão esbarra em questões éticas. Suponhamos que uma pessoa seja perseguida injustamente e outras omitem seu paradeiro! Seria essa uma omissão ética?

Poderíamos omitir a existência de um calo no pé ou de algo pessoal sem que isso ocasione qualquer transtorno comunitario. Schopenhauer diferenciava a mera omissão ou mentira  de qualquer outra ação que não provocasse dano a alguém ou a qualquer coisa. 
Tem lógica! Omitir o tal calo no pé, portanto, não seria da conta do nariz alheio!

Digamos que um médico decida omitir o diagnóstico fatal de um paciente terminal que demonstra pavor da morte. Seria um ato piedoso omitir ou mentir? 

Essa sutil diferença entre a omissão- ou a mentira não pronunciada, exige capacidade de diferenciar e de prever desdobramentos do bem e o mal. 
Não é algo tão fácil.

Kant lembrava a responsabilidade da mentira ou da omissão da verdade. Todos os desdobramentos do acontecimento seriam portanto de quem cometeu a omissão, como uma mão que desvia a linha do destino.

Assim assumir a responsabilidade por uma omissão, decorra dela um ato justo ou injusto, é assumir-se responsável também pelo que vier a suceder. 

O que se percebe, no entanto, é uma tendência a se isolar e fugir. Quando as coisas vão mal, as pessoas lamentam e erguem muros, mantendo-se sobre eles enquanto aguardam que alguém ou alguma coisa transforme o caos em ordem. 

É uma atitude comodista. Ao longo da história a omissão acontecia mais por ignorância dos fatos do que por fuga da realidade. O preço pago por essa atitude sempre foi alto, de grandes sofrimentos.

Hoje vivemos em uma era onde a comunicação é farta, mas onde o conhecimento do que é divulgado nem sempre é real e seguro. 

Isso causa um grande desconforto. Necessitamos de certezas. 

Não há como preservar a própria integridade física escondendo-se atrás de muros. A violência rompe as barreiras físicas. A única maneira de obter segurança é o esforço em definir o emaranhado de informação e imposições de posturas de pensamento e ideias. 

Nesse caso, já que fugir não vai evitar desdobramentos do mal causado por uma omissão, melhor ficar com o parece ético e justo. 

Já dizia Aristóteles que a disposição de caráter torna as pessoas propensas a fazer o que é justo, desejando e agindo nesse sentido. Bem claro que  isso significa a qualidades morais e éticas, como honestidade, responsabilidade e justiça.

Mas o desafio é recriar essa qualidade em um mundo onde pessoas de bem são infladas pela cultura maquiavélica das redes. 

Não falamos de quem, até biologicamente, tem predisposição para o  egocentrismo e libera psicopatias, mas daqueles que, em ambiente saudável, teriam pensamento e ação saudáveis. 

Esses, que podem ter restituídos seu bom caráter e seu senso de equilíbrio, tem o poder de fortalecer aqueles que tem consciência plena da humanidade, enfraquecendo o mal e garantindo a própria  sobrevivência futura. (Mirna Monteiro)

Monday, September 28, 2026

INVASORES DA MENTE

 Você consegue estabelecer o limite entre a realidade e a imposição das ideias fabricadas fora de seu espaço mental?

Há literatura de sobra a esse respeito. Todas com receitas para que o bombardeio de propagandas e mensagens subliminares não transforme você em um robô pautado por outras cabeças e intenções.

Como lidar com essa ameaça?
 
Quando vemos um filme ou divagamos na profusão de imagens e mensagens das redes sociais, nos distraimos o suficiente para a ação do que é chamado de mensagem subliminar. Ideias e  pensamentos podem ser distorcidos através de texto ou em flash de imagem ou ainda na combinação desses elementos. 

Resumindo,  todos podemos ser envolvidos por imagens ou gestos, que acabam sugestionando o suficiente  para que a mente abra espaço inconsciente para apelações do marketing ou sorrateiras ilusões gráficas que integram essas mensagens subliminares. 

São desenhos, simbolos ou palavras, programadas para aparecerem em fração de segundos, quando sua atenção está voltada para a imagem principal.
Neste caso, você não percebe o que aconteceu de maneira clara, mas seu inconsciente capta a mensagem e a guarda na memória.

Um exemplo: você, que nunca gostou de determinado produto ou situação, começa a considerar de outra forma sua opinião. É o seu espaço inconsciente, que foi sugestionado e dominado pela mensagem, de maneira subliminar e eficiente.

Fizeram isso com a coca-cola nas telas dos cinemas nos anos 50. Todo mundo passou a desejar o refrigerante quando assistia filmes. Ninguém se perguntou na época o que atiçava esse desejo.

Apesar de pouco ética, a mensagem subliminar é usada de maneira abusiva nos dias de hoje, principalmente para a política. Funcional, ela divide seu espaço de domínio do inconsciente com a técnica da repetição, ou seja, a mesma ideia ou o mesmo produto são repetidos centenas de vezes, até conseguir entrar definitivamente na sua mente.
É aquela história. Quando você menos espera, começa a repetir ideias que podem até ser repulsivas ou idiotas para o seu padrão, mas que de alguma forma ganharam espaço em seu pensamento.
As mentiras ou distorções dos fatos passam a ser interpretados como realidade, por mais absurdos que sejam. 

Da mesma forma que a pessoa sente impulsos para comer hamburger que detesta ou cantorola musiquinhas que nada tem a ver com sua preferência musical, ela assume pensamentos e ideias.

Alguns alertas são aterrorizantes e exagerados. Esse tipo de controle mental através de imagens de filmes, novelas, desenhos infantis, etc, pode fazer alguém tomar refrigerante ou comer batatinhas, também podem influenciar o seu humor, incentivando violência ou o estresse. Talvez você esteja com raiva do mundo e não saiba porque...
Foi tudo absorvido pela sua mente, sem perceber.

De qualquer maneira, subtraindo-se os exageros, a mensagem subliminar de fato existe é é reconhecida cientificamente, comprovada em seus efeitos no inconsciente humano.
Esse tipo de escravidão das ideias pode ser evitado?
 O que poderia evitar tantos estragos que entram em conflito em sua mente, seria justamente fazer com que ela trabalhe mais.

Muita leitura, jogos de raciocínio, busca de fontes variadas de informação, atenção constante a tudo que se passa dentro e fora desse processo mental.  E também o trabalho de higienização mental, como a prática de exercícios, algum esporte, contato com a natureza.

O que leva a dedução óbvia de que quanto mais tempo individuo passa isolado, tendo contato com filmes, propagandas, desenhos, internet,  maiores são os riscos de influência da propaganda e de mensagens subliminares, comerciais ou políticas.

Será que aquilo que você fala ou a maneira como age é fruto de seu próprio raciocínio...ou de propagandas?  (MIRNA MONTEIRO)

Friday, September 04, 2026

COMO ÓLEO E ÁGUA...PALANQUES E PÚLPITOS...

 A questão é: religião e política se misturam?  

Essa pergunta está em evidência, diante  do crescimento de igrejas que começam a assumir um papel político. Existe até uma "bancada evangélica", no Congresso! 

No entanto, isso está criando uma situação desconfortável, uma vez que a atuação política de qualquer igreja acaba contrariando sua própria razão de ser.

A razão é simples: embora o poder da religião ou da fé tenha sido usado para manipular a massa ao longo da história humana, desde os tempos mais primitivos, o que sustentava essa relação era justamente a dicotomia.

Ora, a fé implica nas necessidades do espírito, da alma, do interior humano, em sua relação com o universo, dentro do conceito óbvio da vida e da morte, a grande incógnita da humanidade.

A política é carnal, prática, negociante da vida, nos interesses do meio. Lida com a coisa pública, os espaços externos da vida.
Por esse motivo, religião e politica mantiveram-se sempre como coisas distintas, mesmo que nos bastidores a atuação da política na religião ocorresse fartamente.

É claro que nem sempre isso ocorreu discretamente. Aquele que decidia a política também comandava a igreja, como nos tempos em que imperadores eram sagrados Papa. Nos tempos da Inquisição toda política passava pelas mãos da igreja, através dos inquisidores, que recebiam o poder máximo não apenas sobre o espírito humano, mas sobre seu  destino político.

Não só a religião foi usada para politica, mas a politica também interferiu no direito à fé individual. E temos o exemplo dos estragos dessa mistura.

O tempo passou, a humanidade mudou hábitos e crenças, mas a religião permaneceu como esteio no novo mundo, mais discreta em seu papel político.

Por outro lado surgiu o estado laico, que adotamos como base de respeito individual, mas também como linha divisória entre a fé, que varia as doutrinas religiosas, e a política. 
A fé em Deus e os valores da alma e da vida não são dependentes de doutrinas, que existem como suporte espiritual.
Uma definição importante para evitar conflitos!

Padres e pastores salvam almas...ou fazem discursos sobre poder financeiro e político? Um pastor não pode, teoricamente,  ambicionar poder ou ser perdulário!

No  entanto existem igrejas e pastores riquíssimos. Veja a Universal do Reino de Deus! O bispo Macedo, fundador e líder,  possui um patrimônio pessoal estimado em R$ 10 bilhões!  A igreja mais  rica do mundo é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com patrimônio aproximado de US$ 293 bilhões!

Em um país onde qualquer um pode fundar uma igreja, a situação se complica.
Como assim? Bem, se você quiser ser um pastor de sua própria igreja, não tem problema. Basta criar uma diretoria com seis cargos, com a vantagem de que pode acumular alguns. Basta uma casa e pronto, já existe a sede da sua igreja, que é considerada uma entidade sem fins lucrativos.
Foi exatamente assim que as igrejas foram se multiplicando e crescendo, principalmente as chamadas  evangélicas.

Longe de contestar sua validade, o que se pergunta é o seguinte: se uma igreja se baseia no "chamado divino" e a interpretação é disso é muito pessoal, de quem acha que foi chamado, até que ponto a sua verdadeira função não estaria sendo mal conduzida? 
A boa fé  e o desespero humano poderiam ser usados por grupos políticos, da mesma maneira que irmandades secretas que usavam rituais como disfarce para ações  de grande peso político?
É, é óbvio. O que não quer dizer que essa realidade seja devidamente analisada e compreendida pelas pessoas.

Religião, consideram muitos, seria uma grande ajuda para suprir os valores que estão esvaziados na nossa sociedade, violenta e pouco ética.
Outro fator de peso que leva a pessoas a buscarem templos é o isolamento social crescente. Através dos cultos encontra-se, além do apoio espiritual, o contato social!

 Ainda ficamos em falta com a filosofia, a grande portadora do equilíbrio e do pensamento, praticamente banida das novas gerações que absorvem a confusão  existencial das redes sociais.

Nesse ponto entramos em uma realidade insofismável: religião, doutrinas, crenças, rituais, enfim, tudo que envolve a questão da fé, nem sempre promovem a consciência humana. Ao contrário da filosofia, que discute a vida, a relação entre os seres e o universo, a lógica da ética e do respeito humano à natureza divina.

No entanto, filosofia e religião entram em conflito. Como impor uma doutrina religiosa que exige obediência a rituais de pensamento e ação, quando o indivíduo usa a mente e a sensibilidade para o pensamento livre?

Embora religião e política não combinem e provoquem extrema contradição, a filosofia e política promovem uma união muito favorável ao equilíbrio social e cultural.

Um político pode ter o credo que bem entender. Através dele mostrará o que norteará as suas decisões para o conjunto.  Mas não deveria usar a influência obtida com a fé, que afinal não pertence a ele, ou manipular esse poder da fé para ganhar votos.
 (Mirna Monteiro)


Monday, August 31, 2026

APOCALIPSE SOB O CASCO DA TARTARUGA

 Parece estranho abordar essa questão, que ocupa cada vez mais a mente das pessoas, como algo provocado por algo ou alguém, humano, desumano, imponderável ou um inevitável desfecho programado para punição terrena. 

Mas, convenhamos, essa possibilidade de estágio final serve muito mais para implantar caos e submissão à cultos religiosos, do que à salvação do planeta! 

Pela lógica, ao perceber que a  humanidade caminha para uma situação de grande ameaça à sobrevivência, as pessoas deveriam evitar alimentar as distorções que são responsáveis pelo risco de um apocalipse e não omitir-se ou acabar mandando às favas as ações necessárias para conter o avanço da tal besta do apocalipse. 

Aliás, se previsões e profecias existem, certamente devem funcionar como um alerta e não como um assunto encerrado. A não ser que um asteroide gigantesco provoque um choque com a Terra, o futuro da humanidade está nas mãos  da própria humanidade!

Algumas perguntas: 

"Se está havendo mudanças drásticas no clima, obrigando o planeta a revirar-se para reencontrar seu equilíbrio, por que motivo a maioria dos povos aceita passivamente o desmatamento, a contaminação do solo, a instalação de data centers que consomem entre 10 e 40 MW de potência(uma cidade de 40 a 80 mil habitantes consome isso!) entre  outras agressões?

"Se sabemos que a invasão da privacidade do indivíduo é um risco para a soberania dos países, por que permitimos que o sistema financeiro mundial domine a economia e um pequeno grupo de pessoas decida algoritmos em toda a internet?"

"Se pastores de igrejas evangélicas tem a função de nortear a fé e princípios cristãos em seus fiéis, por que usam seus púlpitos para defender a extrema direita, já que todos cristão sabe que Jesus Cristo foi vítima dessa mesma extrema direita que detinha o poder na época, entre conquistadores romanos e fariseus?..."

"Se a consciência tranquila é um demonstração de fé inabalável e defesa do Bem, porque tantas igrejas evangélicas poderosas mantém pastores vociferando aos fiéis desgraças e pavor a quem não pagar o  dízimo ou não aceitar todas as suas preleções?" 

"Por que tem igrejas evangélicas disputando vagas politicas na bancada do Congresso Nacional ao invés de cuidar da  alma dos fiéis?"

Há muitas outras perguntas, que se respondidas podem ajudar a evitar um apocalipse...


Tuesday, August 25, 2026

O MAL DISFARÇADO

 Entre as distorções humanas, as mais graves e impressionantes são a tortura, a intenção de matar friamente e a pedofilia. A pergunta mais frequente é esta: o que leva um adulto a aproveitar-se da fragilidade de uma criança para cometer um abuso, com ou sem aparente violência?  

A ciência tenta explicar essa ação, que afinal não é nova. Por toda a história da humanidade crianças foram vítimas de violência. Mas as regras morais criadas pela sociedade organizada permitiu uma teia protetora, que se não impedia ações criminosas contra a criança, pelo menos dificultava e tornava a prática menos comum.

Hoje, no século XXI, parece que retrocedemos ao tempo dos bárbaros: os casos de agressões à criança, com ou sem violência sexual, aumentam. Os assassinatos de mulheres pelos companheiros também cresceram vertiginosamente. 
Pais matam filhos e filhos matam os pais!

Os casos de psicopatia são mais diversificados também e podem incluir situações em que mães que acabam de gerar tentam livrar-se de seus recém-nascidos de maneira chocante. 
No caso da agressão sexual chega-se a uma conclusão sobre as causas desse ato criminoso: todo pedófilo é um psicopata, embora nem sempre o psicopata seja um pedófilo!

Por que o pedófilo é um psicopata, em menor ou maior grau? 
Pela ausência de sentimentos. 
Uma pessoa que submete uma criança ao abuso sexual ou a outras formas de violência não consegue sentir o sofrimento infringido a ela. Caso contrário jamais faria isso, pois a natureza humana tem a tendência a proteger o semelhante indefeso. 

Omissão ou sadismo são situações deturpadas e indicam intolerância ou rejeição ao meio, entre outros problemas.
Nos últimos tempos a psicopatia tem sido a analisada de todas as formas. A falta de freio moral tornou a sociedade humana mais sujeita às distorções causadas pelos indivíduos com esse transtorno.

O psicopata é considerado um indivíduo altamente perigoso. Principalmente porque esconde a sua face cruel. è dissimulado e lida muito bem com  a mentira para atingir seus objetivos.  

De uma maneira geral entende-se que a caracte­rística principal do psicopata é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos alheios, que inicia na infância ou começo da adolescên­cia e continua na idade adulta.

Também reconhece-se hoje graus variados de psicopatia, que vai de leve, a moderada e grave, de acordo com o ambiente e circunstâncias. Os serial-killers seriam a forma mais grave de psicopatia. 

O sujeito que não sente empatia por nada além dele, seja de outras pessoas ou mesmo animais, não mantendo qualquer forma de emoção na relação com o mundo, seria um psicopata menos drástico.. ou ainda hibernado. 
Mas nem por isso pouco perigoso.

O diagnósti­co para esse transtorno, colocando de maneira simplificada, deve levar em consideração a existência de pelo menos três critérios que podem ser descritos como um fracasso em conformar-se com normas legais, uma propensão para enga­nar, impulsividade, agressividade, desrespeito pela segurança própria ou alheia, irresponsabi­lidade que pode estar vinculada ao trabalho ou às finanças, bem como uma ausência de remor­so.


Ausência de remorso! 
Impossibilidade de sentir a dor alheia!
O psicopata nem sempre é um indivíduo excluído do meio, muito pelo contrário. Eles estão em todos os lugares, podendo pertencer ao submundo ou classes sociais sofisticadas.

Da mesma forma, são sensíveis a esse meio quando nascem e se desenvolvem. Segundo os estudos, que vem sendo realizados há séculos (o termo foi introduzido por Phillippe Pinel há cerca de 200 anos)entende-se que há fatores genéticos preponderantes, mas o meio também é responsável por acentuar ou suavizar essa predisposição.

Isso significa que mesmo com a predisposição genética, o indivíduo que conviver em um lar equilibrado e isento de violência terá menor gravidade nessa patologia, ficando mais apto a conviver socialmente dentro das regras. Esse mesmo indivíduo, se for criado em um lar desajustado e sofrer abusos e violência na infância, fatalmente será um psicopata de maior periculosidade.

Também existe entre os estudiosos um consenso em relação à incidência de indivíduos com essa patologia: cerca de 4% da população, dos quais 3% são homens e 1% mulheres. O que parece ter mudado: a tendência à psicopatia pode atingir uma boa parte das pessoas, que em ambientes de estímulo à agressividade e permissividade, sem freios de punição pelos crimes passam de "normais" a extremamente desequilibradas. Como indivíduos armados, soldados ou civis,  que detém o poder de vida e morte sobre outros e que demonstram seu "lado negro como algozes.

Um aspecto interessante da psicopatia é lembrado pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, que escreveu um livro sobre o assunto (Mentes Perigosas): o poder destrutivo dos psicopatas.

São manipuladores, perversos e desprovidos de culpa, remorso ou arrependimento, são capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus próprios interesses. 

Podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas em sua maioria não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. 

Por serem charmosos, eloquentes, ‘inteligentes’, envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, políticos,  amantes que parecem normais e até bons amigos. 

Mas em seu íntimo visam apenas benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade".

Bastante complicado lidar com isso. Mesmo não sendo maioria na sociedade humana, não é tão difícil você ter um psicopata ao lado.


Psicopatas são "irracionais"? 

Não, de forma alguma, tanto que quando infringem leis morais e legais, como no caso da pedofilia, sabem que é um crime.

O psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, afirma que os psicopatas têm total ciência dos seus atos. "A parte cognitiva ou racional é perfeita, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e porque estão fazendo. O déficit deles está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravessa o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha exercida de forma livre e sem qualquer culpa".

Talvez haja no futuro uma maneira de lidar com os indivíduos psicopatas, que causam tantos estragos à célula familiar e à sociedade como um todo, em maior ou menor grau. 
O que se sabe, hoje, é que pessoas com esse problema não se regeneram - ou seja, cedo ou tarde vão repetir a ação criminosa se tiverem oportunidade para isso.  (Mirna Monteiro)

Friday, August 21, 2026

A VELHA ETIQUETA NO NOVO MUNDO

 Vamos ser práticos: etiqueta é bom ou ruim? Afinal as boas maneiras e o relacionamento social nunca saem de moda...Talvez estejam por baixo, é verdade...mas regras ainda valem, não é?


Talvez não. Para a maioria dos jovens, falar em etiqueta é coisa do século passado. Adolescentes adoram desafiar os costumes (...O que são costumes hoje?) e desafiar tradições...sem bem que achar alguma tradição atualmente também é complicado. A cultura de massa nivelou as pessoas e democratizou hábitos, vestimentas e comportamentos.

Isso não é ruim. Mas a ausência do interesse em conhecer regras básicas de comportamento profissional ou social extrapolou a descontração e atingiu em cheio a consideração pelo semelhante. Passa a ser não uma questão de ditadura de costumes, mas de respeito a leis e a cidadania!


Digamos que não é vergonha desconhecer os talheres de peixe, mas prestar atenção ao mundo ao seu redor é importante. 
Assentos dianteiros de veículos coletivos são destinados a pessoas idosas. Quantas vezes um marmanjo ainda imberbe ou até barbudo, esparrama-se pelo banco, deixando de pé uma senhora de 80 anos?...
Ou o que dizer de alguém que tosse na mesa da refeição sem se preocupar com a carga de sua tossida? E aqueles que espirram na cara do interlocutor?

Não, não é exagero. 

Podemos mudar o nome, mas não rejeitar todas as regras do que chamamos etiqueta. Associada injustamente a uma atitude antinatural e afetada, a arte das boas maneiras acabou soterrada em algum espaço deste novo século, sofrendo avarias desde a revolução cultural das ultimas décadas do século XX. 
No entanto saber os limites da ação individual no meio coletivo não sai de moda: é regra básica da cidadania mesmo na ficção futurista!

Regras de comportamento são uma questão de sobrevivência...

Digamos que refeições à moda francesa podem ser inoperantes diante dos fast-foods de hoje. No entanto saber que as mãos devem estar limpas e o alimento deve ser bem mastigado...é regra atemporal...

Algumas regras básicas da velha etiqueta "moderna", de meados do século XX podem ser atualizadas de maneira a agradar "gregos" e "troianos", enquadrando-se perfeitamente na nossa cultura global de hoje. Mais do que simples convenção, o comportamento hoje é questão de sobrevivência!

Um exemplo: a etiqueta tradicional  defendia o seguinte: "Sua casa é seu campo de experiências sociais: seja cortês com todos que residem nela" . Isso não tem como sair de moda. 

Sem consideração pelo outro, não há convivência possível! A gentileza deve começar dentro de sua casa! Não se transformar em um campo de batalha e desgaste, como vemos atualmente!

Outro: "as pessoas mais novas devem ser apresentadas as mais velhas e as solteiras às casadas"...esse tipo de convenção é absolutamente dispensável. No entanto cumprimentar as pessoas de maneira gentil e não atropelar pedestres na calçada é algo que, definitivamente, não sai de moda e deve ser rigorosamente observado.

Vamos a algumas atitudes que diferenciam hoje as pessoas e as colocam em um patamar respeitável:



RESPEITAR O MEIO AMBIENTE - Não jogar lixo nas ruas, nas praias e jardins, recolher o cocô do cachorro em via pública a (quando passear com o cachorro, leve uma pazinha e saco de lixo), não desperdiçar água, cuidar para que o lixo tóxico seja devidamente coletado (pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, óleo de cozinha, etc)



RESPEITAR O SEMELHANTE - lembrar que todos dividem o mesmo espaço é a regra numero 1! Isso inclui respeitar as filas (que são torturantes para todos), observar a lei ( preferência para idosos, por exemplo), atender ou ser atendido com educação ( você tem o direito de reclamar, mas lembra-se de usar argumentos e firmeza e não estupidez) , não abusar do barulho depois de determinado horário ( os vizinhos tem direito de dormir) entre outras coisas (a lista é enorme)



NÃO SENTIR-SE O DONO DE RUAS E ESTRADAS - Essa é crucial: algumas pessoas quando estão na direção de um veículo perdem o senso da realidade. É fundamental lembrar que ruas e estradas são um espaço comunitário e possuem regras que devem ser cumpridas para evitar o caos. É o caso das filas! Todos tem pressa! Portanto se você não conseguir parar na faixa e respeitar os pedestres, evitar velocidade excessiva e ficar costurando e bordando nas rodovias, você é sujeito marginal e não um alguém que respeita o meio!



RESPEITAR ANIMAIS E PLANTAS - Quem diria, não é, mas as plantas devem ser tratadas com respeito, já que são fonte de sobrevivência. Os animais são organismos com necessidades e sensações semelhantes aos humanos.
Assim quando você bate em um animal, o erro é tão grande quanto o de torturar um ser humano! 
Por uma questão de dignidade, essa regra é inviolável: tratar com respeito a natureza. 
Tanto a ciência como o bom senso mostra o quanto somos todos interdependentes. 
Nada garante a sobrevivência  humana quando isolada da natureza. Para sobreviver dependemos do equilíbrio natural. 
E ponto final! (Mirna Monteiro)

Wednesday, August 19, 2026

PREVISÕES PREVISÍVEIS...

 Quando ouvia dissertações sobre previsões e profecias em uma palestra, o sujeito na platéia adiantou-se e opinou: "Não há fundamento! Quando se acerta alguma coisa é coincidência e quando não se acerta está claro que não passa de pura imaginação humana, de ficção"! 

A sua frente a pessoa sorriu e pediu que um outro ouvinte abrisse um bilhete que havia recebido na entrada: "O que está escrito a respeito?"

-Que alguém sentado na terceira fileira discordaria e iria se manifestar contra a ideia de prever qualquer coisa!

Bem, previsão comprovada!...

Quando negamos a possibilidade de prever os acontecimentos, negamos a nossa capacidade de observar, sentir e projetar a mente. O sábio Confúcio já sabia que não se pode viver como um mero expectador da vida, esquecendo-se de que toda a ação e pensamento determinam aquilo que a humanidade será. Ou enfrentará! "Aquele que não prevê acontecimentos longínquos, expõe-se a desgraças próximas".

É verdade que prever os fatos é diferente de profetizar, mas apenas sob um ponto de vista relativo. Uma previsão baseia-se na observação do passado e do presente e uma profecia tem como mediador a visão do futuro, sem preocupar-se em estabelecer a lógica dos acontecimentos que formarão uma nova realidade.

A interpretação que se tem de profecia lembra um ambiente místico, onde seres que se isolam das tentações terrenas mantém a mente livre para captar imagens do futuro através de uma sintonia que vence as barreiras do tempo. 
Durante toda a história da humanidade e em culturas diferentes, a profecia sempre manteve um lugar de honra, fosse na forma do Oráculo de Delphos, do feiticeiro reverenciado pela tribo, das sacerdotisas ou de sociedades místicas.

No entanto prever o futuro é uma questão de lógica, conforme a própria ciência descobriu. Nos velhos tempos os pajés tentavam descobrir quando iria chover. Nos nossos tempos equipamentos mostram claramente os mistérios da meteorologia.  Oráculos tentavam desvendar os movimentos sísmicos, que hoje são claros para a geologia, que assim como a astronomia consegue prever desastres naturais da terra ou do sistema solar.

Mas será que tudo é assim mesmo, tão simples? Poderíamos através da lógica, da lei de ação e reação, dos conhecimentos da física, prever acontecimentos e evitar as desgraças e o sofrimento decorrente delas?
 Poderíamos evitar um divórcio em família, um assassinato passional, um acidente de trânsito ou o desmoronamento de uma encosta?

Até certo ponto, certamente teríamos de admitir essa possibilidade. Se sabemos que andar nas ruas em determinados horários pode colocar em risco nossa integridade física, assim como dirigir em estradas em alta velocidade é sinal de acidente iminente, por que isso acontece ordinariamente?

Podemos alegar que é uma questão de circunstâncias alheias a vontade. 
Por exemplo, enfrentar o trânsito em alta velocidade é contingência da sobrevivência...enquanto que morar em encostas é única alternativa para um teto, apesar de que as encostas também foram desmatadas para a construção de mansões...e assim por diante! 

O ser humano parece viver de justificativas e argumentos de sobrevivência que contrariam a autopreservação.

Nostradamus, médico e alquimista conhecido pelas suas profecias, inclusive a do fim do mundo (se é que interpretamos suas quadras com alguma precisão), teria pressentido a morte do rei Henrique II, nos contatos com a rainha Catarina de Médicis, e avisado que o Rei não deveria participar de qualquer torneio até os 41 anos.
 E Henrique morreu exatamente aos 41 anos vítima de uma lança que atravessou a armadura, atingindo um dos olhos, em um amigável torneio!

Parece que seja em tempos ainda obscuros, seja em plena era da ciência, a questão não é exatamente a falta de previsão, mas a vocação humana para o imediatismo e para o desafio...além do desleixo com a vida. 
Em tempos de grandes desafios, negar a necessidade de prever os acontecimentos é o mesmo que entregar-se aos riscos. É uma forma de descuido. Mesmo considerando a força do inevitável - acontecimentos que mesmo sendo previstos e cuidadosamente evitados ainda assim ocorrem por força de circunstâncias que independem da vontade humana - a atenção ao meio e à sequência natural dos fatos precisa ser conscientizada, com a mesma convicção com que se escova os dentes para combater as cáries ou se toma água para evitar a desidratação.

Devemos crer nas previsões e profecias? Sem dúvida!...(Mirna Monteiro)

Monday, August 17, 2026

O QUE SERÁ DO TRABALHO NO FUTURO?

 

O sábio proverbio chinês tem lá sua razão, quando afirma que se você escolher um trabalho que goste, não trabalhará um único dia em sua vida, e sim vivenciará momentos de prazer em sua jornada de trabalho.

Mas Confúcio certamente não poderia imaginar que 1.500 anos depois essa consideração sábia seria utópica, por dois motivos. 
Um deles é o fato de que a vocação, por mais importante que ainda seja no mundo do trabalho, é sucateada pela confusão de interpretações a respeito da alternativa de sobrevivência nas novas exigências da sociedade. 
Outro é a oportunidade de sobreviver, simplesmente, em um momento onde a tecnologia substitui cada vez mais a a mão de obra humana.

É claro que não se pode ser pessimista. Por toda história da civilização humana, as sociedades sempre procuraram superar as armadilhas armadas por ela mesma e contra ela mesma, na busca de novos horizontes da sobrevivência e na facilitação de seu trabalho.
Isso, desde a invenção dos instrumentos cortantes e da roda, que foi a maior criação humana em direção às maravilhas tecnológicas do futuro. 

Maravilhas que hoje ameaçam os postos de trabalho.

Trabalho é fundamental para a vida. Há muito tempo a União Europeia quebra a cabeça para resolver como reduzir a taxa de 6,0% de desempregados, o que mostra que os países mais civilizados e culturalmente invejáveis não conseguiram evitar o peso do girar da velha roda neolítica transformada em um chip microscópico.

O pragmatismo que envolveu o mundo no século XX  parece não se encaixar na capacidade humana quando o assunto é criatividade da sobrevivência.

 Que o digam os EUA, que sofrem com o  desemprego e a dificuldade de acertar soluções, enquanto mantém as ações externas em modelos  que não funcionam mais.

No Brasil o processo é oposto e as taxas de desemprego diminuíram desde 2023 e o primeiro trimestre deste ano fechou com uma queda de 5,4%.  
Com a aprovação da mudança da escala  6X1 para 5X2, a situação para o trabalhador irá melhorar. 
Na Europa o trabalho na escala 5X2 ou cinco dias de trabalho para dois de descanso, com uma média de 35 a 40 horas semanais de trabalho, mantém bom equilibrio.

O brasileiro, apesar das dificuldades enfrentadas pela sociedade mundial, possui um talento inato para "dar um jeitinho" quando a situação aperta: é intuitivo e empreendedor. Mergulha de cabeça em novos empreendimentos, buscando seu lugar ao sol. As vezes até mesmo sem verificar a profundidade de seu mergulho. Mas depende de uma política econômica de investimento na micro e pequena empresa.

Ainda existe espaço para a vocação e o exercício prazeroso do  trabalho? 
Sim, sem dúvida. Mas parece que isso exige boa dose de criatividade e novos caminhos, a exemplo dos antigos desbravadores, mas com nova mentalidade. 
Se antes as florestas eram derrubadas à força dos braços, hoje devem ser preservadas com inteligência justamente para garantir a força do trabalho futuro, que muda de formato. 

Se as cidades incharam e lotaram as alternativas de colocação profissional, que novos negócios sejam criados para corrigir as disfunções provocadas.

De uma maneira geral a mentalidade sobre emprego, trabalho e negócios precisa ser arejada com novas alternativas, algumas ainda não inventadas, quem sabe? 
O que precisa ser avaliado com a máxima honestidade é a inteligência artificial que vem sorrateiramente ocupando a mão de obra humana. O resultado desse avanço rápido da IA sobre a mão de obra humana ainda é imprevisível na roda econômica, que sempre funcionou com produção e consumo. E quem consome precisa produzir.
A única certeza é que não se pode projetar futuro sobre escombros e sim de maneira produtiva e consciente. (Mirna Monteiro)

Tuesday, August 04, 2026

CONSIDERAÇÕES SOBRE A INVEJA

 

Não, não se trata de correr em busca do sal grosso, de carrancas e patuás. Ainda que a inveja possa ser tratada de forma doméstica - como uma dor-de-cotovelo entre amigas, o aborrecimento por atributos que um colega de trabalho, um desconhecido que tenha projeção na mídia, ou até um simples sorvete maior que o outro, ela é sem dúvida perigosa.

A inveja transtorna e causa doenças para aqueles que ficam ruminando suas decepções e tristezas. Mas se o "olho gordo" é tratado popularmente de maneira até folclórica e bem humorada, esse tipo de sentimento pode ser considerado a própria origem do mal.

A inveja é menosprezada em sua nocividade. Causa mais estragos do que poderíamos supor. Provavelmente ela se esconde, quietinha e camuflada, nos bastidores de todas as grandes desgraças da humanidade.

Exagero? Não exatamente. Veja só o caso de Caim e Abel... os mais céticos devem reconhecer que não há como negar a antiguidade da inveja, tampouco a sua realidade, mesmo abominando o registro bíblico.
Ela ( a inveja) está onipresente nas grandes guerras, nas revoluções, no sadismo da humanidade.

Por exemplo, Calígula era extremamente invejoso e isso norteava a sua crueldade. Poder e inveja formam um coquetel desastroso. Hitler era frustrado pela sua falta de talento, tanto que imaginou um mundo onde toda a arte existente estaria sob sua guarda. De preferência acabando com os autores, porque a inveja admira o talento, mas não pode perdoa-lo.

A inveja é amiguinha da mediocridade. Vivem de mãos dadas, suportando-se mutuamente, mas tentando unir-se para destruir o objeto de sua ira. 
Porque a inveja se esconde também sob a ira, esse sentimento odiento que faz o sujeito cuspir a maldade. 

A dramaticidade aqui é importante para definir a balbúrdia criada na humanidade por esse sentimento inerente, que habita a alma humana como um protozoário potencial, ou um defeito natural em hibernação - se não for vigiado acaba ganhando espaço.

No final das contas a única alternativa para evitar que a inveja faça seus estragos é cultivando o próprio talento. Uma espécie de "vacina" contra esse mal, que permite uma vida menos espremida e perigosa, dolorosamente competitiva e regida pela moral e valores supérfluos que pretendem controlar o mundo da mesma maneira que se controla o gado no pasto.

Não podemos desvincular a inveja das grandes desgraças da humanidade causadas pela ambição, pelo ódio e até por frustrações e baixa autoestima. A inveja é base do egocentrismo,  já que aquele que ambiciona dominar o outro ou o mundo ao seu redor, só consegue enxergar as próprias entranhas e não percebe a dor ou o direito alheio.

Se a virtude depende de disposição para para criar e construir, a inveja também depende da decisão de não permitir o artificialismo do poder. De alguma forma é preciso quebrar o círculo vicioso que impõe a agressividade na conquista de um espaço através da eliminação do objeto da inveja, que afinal pode ser sublimada, como todo e qualquer sentimento, individual ou politicamente no espaço coletivo. (Mirna Monteiro

Monday, August 03, 2026

A MORTE E A LÓGICA IRRACIONAL

 





Lógica, ilógica...deixando e lado a teoria das idéias, onde se pressupõe o que seria admitido como realidade ou engano dos sentidos, a morte seria uma realidade incontestável, pois é óbvia e ao mesmo tempo impossível de ser razoavelmente definida, a não ser em nossa percepção física.
Isso é muito desconfortável!
É muito pouco provável que a morte seja desconfortável para quem a enfrentou. É complicado imaginar as possibilidades além da vida, mas digamos que, na pior das hipóteses (sob a ansiedade dos que se recusam a aceitar a finitude), os seres se apaguem como uma lâmpada, sendo "nada".
"Nada" é nada, puft!
...Mas a energia obtida pelos filamentos da lâmpada está por aí...



Vamos analisar uma possibilidade científica, a de que no universo tudo é matéria, inclusive nosso pensamento ou nossa consciência. Nesse caso não pode ser ruim para quem morreu, pois se morreu em seu estado físico mais grosseiro (ou para quem quiser complicar, de material molecular acumulado e pesado, próprio para um planeta primitivo... ou o que?) sobrevive em seu estado quântico e, portanto, deve poder passear pelas dimensões do tempo ou por espaços que bem podem ser algo que interpretamos como paraíso.
Vamos divagar e aceitar as possibilidades que historicamente povoam as crenças do ser humano, desde sua forma mais primitiva, até as culturas que pretendem ser sofisticadas.

Digamos que haja espaços pré-determinados para as almas, de um lado as penadas, de outro as que cumpriram o bem, como na alegoria do inferno e do céu. Também nada poderá ser mais oportuno. Pois se quem amamos tanto é uma boa alma, decerto que irá para um espaço privilegiado, onde diferentes crenças comungam que é bem mais agradável do que aqui. E se boa alma não for, não há pelo que chorar se a morte representar um tipo de enfrentamento desconfortável...ou, quem sabe, o "puft!", ou o vazio total e irreversível...
Aparentemente, preocupar-se com a morte parece ser desnecessário. Ao contrário, preocupar-se com a vida, é fundamental! É por ela que devemos lutar, com unhas e dentes e é ela, a vida, que devemos respeitar. Toda e qualquer forma de vida deve ser respeitada.
Sendo isso inquestionável, chegamos a um acordo: a vida é tão importante, enquanto vida, que pode ser interpretada como o antagonismo da morte, o que não representa uma verdade. Por que? Ora, sabemos o que é vida! Não sabemos o que é a morte! Tudo que se sabe sobre a morte é conjectura e torna esta discussão extremamente chata.
Mas certamente esquecemos um fator de peso: o medo do desconhecido. Não é a morte em si, mas o que é provável a partir dela que a torna tão temida. Para amenizar isso não há remédio, a não ser a própria vida. Quando plena e valorizada, fornece uma espécie de coragem para enfrentar o que quer que a morte signifique. É como uma fusão com o universo. Os ateus e agnósticos mais radicais ficam furiosos com essa possibilidade, pois ela reforça a teoria do divino, pois reconhece uma força onipotente entre big-bangs e buracos negros. Uma força natural que pode não ser consciente, mas que é interdependente de todas as matérias e suas variações no mundo quântico.
É, esta discussão vai longe. Segue pela vida e além da morte! Porque pelo que se sabe, todos vamos, de mente aberta ou cara emburrada.  E em uma rotina semelhante outros aqui ficam, repetindo o mesmo questionamento de outros que virão!...(Mirna Monteiro)

5 comments:

  1. Anonymous7:32 PM

    Esse texto ai pirou minha cabeça

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  2. Muito legal, linda. E gostei sobretudo disso: " Para amenizar isso não há remédio, a não ser a própria vida. Quando plena e valorizada, fornece uma espécie de coragem para enfrentar o que quer que a morte signifique. É como uma fusão com o universo. Os ateus e agnósticos mais radicais ficam furiosos com essa possibilidade, pois ela reforça a teoria do divino, pois reconhece uma força onipotente entre big-bangs e buracos negros. Uma força natural que pode não ser consciente, mas que é interdependente de todas as matérias e suas variações no mundo quântico."

    Só não vejo onde isso possa irritar ateus ou agnósticos. Pelo contrário, a universalização desse impulso e o fato de não pensarmos em morte quando temos uma vida ao menos momentaneamente plena e intensa podem mesmo fazer-nos dispensar qualquer deus.... Ao menos é o que sinto em mim. Posso pensar num caos infinito de forças inesgotáveis em luta e de seres que se autocriam a partir das configurações dessas forças. E se posso imaginar um universo (ou mesmo um multiverso) infinito e puro poder não-racional, para que pressupor um ser infinito e puro poder racional? Toda ordem, afinal, pode não ser mais que precária e provisória configuração momentãnea de forças que, por sua imensa resistência umas sobre as outras, parecem momentaneamente neutralizadas e estáveis. Para que introduzir um Ser que apenas visaria a reproduzir num nível cósmico nossa meramente instrumental racionalidade?

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  3. atlantisatlanta8:32 AM

    Para que introduzir um ser que apenas visaria reproduzir nossa meramente instrumental racionalidade?
    Concordando com sua colocação, mas lembrando que, entre os mistérios, que nada mais são do que nossa incapacidade de sentir a realidade, está o fato de que o ser humano pode não ser capaz de entender além dos instintos primários. Assim sendo, é possível aceitar a necessidade de um ser que o console em sua limitação.

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  4. Anonymous9:38 AM

    Muito interessante esse texto (crônica?) que deixa a impressão agradavel de que a morte não é um fim mas um meio. Alea iacta est!

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  5. Anonymous9:38 AM

    Muito interessante esse texto (crônica?) que deixa a impressão agradavel de que a morte não é um fim mas um meio. Alea iacta est!

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Thursday, July 30, 2026

JUVENTUDE E ETERNIDADE

 Ouve-se mais comentários a respeito do envelhecer, do que do viver...É tamanha a preocupação, que chega-se a uma conclusão: o ser humano, racional, está se rebelando demais contra a ordem natural das coisas! 

Curiosamente, nunca, desde que a sociedade criou regras éticas, a vida foi tão subestimada e  agredida. Ou essa a contradição não deve impor limites a expectativa humana?

Em "O retrato de Dorian Gray", Oscar Wilde tenta sintetizar a preocupação humana diante do envelhecimento do corpo, barganhando com uma tela, que retrata o jovem Gray, o desgaste causado pelo tempo. O quadro, com sua pintura, passa a "assumir" seu envelhecimento, enquanto Dorian Gray permanece lépido e faceiro, eternamente jovem, como sempre sonha a humanidade em sua vida fugaz!

Claro que, no final das contas, não dá certo e Gray é obrigado a encarar o seu retrato nos tons aguados da velhice extremamente avançada e, consequentemente, a morte tão temida. Pois o medo da velhice estaria intrinsecamente ligado ao medo da morte.

Temos o complexo de "Dorian Grey"! Wilde na sua época utilizou retrato, hoje utiliza-se o bisturi. Entre outras coisas, como botox, preenchimentos, cremes mágicos, fios de ouro ou de plástico, enfim, uma infinidade de recursos que pretendem manter a aparência mais jovem.


E por dentro?
Calma, existem recursos ortomoleculares! E no futuro a genética deverá criar outras maravilhas, a ponto de retardar o envelhecimento do organismo e permitir uma longevidade ainda desconhecida.

Ah, se Wilde soubesse que chegaríamos a este ponto!...Cleópatra, com seus banhos de leite, ficaria assombrada! Até a louca Condessa Elizabeth Bathory, que assassinou, bebeu e banhou-se no sangue de garotas para manter sua juventude e beleza, iria lamentar ter nascido no século XVII e não no terceiro milênio, em séculos que desafiam o universo!

Mas será que resolve mesmo?

Hoje mulheres e homens que desafiam o envelhecimento são criticados, em uma postura confusa em um mundo que exige juventude. Parece um beco sem saída: se a pessoa não se cuida, é velha e deve ser "encostada"; caso se cuide e mantenha a saúde e a aparência de juventude, é "ridícula"...

Isso quer dizer que existe mesmo um "complô" contra aqueles que vão envelhecendo, na disputa pelo mercado de trabalho, no argumento de que tudo deve ser renovado. É uma prática cruel do sistema de poder. 
Os jovens sentem-se em desvantagem, pois a maturidade e a experiência podem fazer milagres que a força da juventude, sua ansiedade e prepotência, não conseguem!

Agora a situação, pelo jeito, será invertida...a maioria da população mundial está amadurecendo! Ou seja, nas próximas décadas teremos 80% da população mundial acima dos 60 anos!
E então?

É bem provável que a ciência já tenha, a esta altura, concluído pesquisas que permitirão a renovação do organismo e que a longevidade de mais de uma centena de anos não seja absolutamente rara.
O mundo será, então, fundamentalmente integrado por pessoas maduras!

O que vai levar o homem a desejar a vida prorrogada indefinidamente. Com risco do sistema ameaçar interferir muito mais para controle populacional...O que seria de um planeta onde o embate entre o bem e o mal teria como pano de fundo os mesmos personagens?

Tempo e velhice serão pormenores. O negócio será viver cada vez mais. E como o ser humano nunca está satisfeito (e tempo sempre será relativo) por mais que a sua vida seja prolongada, vai chegar a desejar o impossível nesta cadeia natural de reciclagem orgânica: viver para sempre!

Nesse ponto voltamos para trás, para o amadurecimento, o envelhecimento e a morte, nesta caminhada da terceira década do terceiro milênio. Por que resistimos tanto em aceitar o ciclo natural da vida? 

Nos tempos primitivos, a velhice era rara, pois todos morriam jovens, nas guerras e doenças. Hoje é farta, repleta de opções.
Mas em contrapartida...não vamos também fazer apologia a velhice! Pois corre-se o risco de receber respostas atravessadas, porque viver mais não significa necessariamente viver melhor.
- Nossa, mas você está tão bem com 90 anos! Reclamar do que?
-Do que? Escuta aqui, quem sabe disso é minha escoliose, minha artrite e minhas pontes de safena!

...É, envelhecer é sempre difícil, pois a natureza não barganha retratos, bisturis e botox. O corpo muda, mesmo quando as pessoas envelhecem de forma saudável, porque as mudanças não acontecem na maturidade e desgaste físicos, mas em todo um conjunto: somos um organismo em constante mutação, desde a formação da vida no útero!

Mudanças são mudanças e quando acontecem em sintonia com a natureza, não podem ser ruins.
Talvez ao invés de tentar mudar a natureza devêssemos aprender a escuta-la, observa-la e aprender com seu ritmo.
Talvez a finitude, que é uma realidade insofismável, signifique um aprendizado para aumentar a percepção de que o corpo físico e o ego exagerado são transitórios demais para permitir a audácia humana de sentir-se dona do mundo e da natureza que a cerca, ao invés de sinalizar a necessidade de integrar-se a ela.

Talvez aí esteja o segredo da juventude eterna.
Será possível?   (Mirna Monteiro)