Monday, August 31, 2026

APOCALIPSE SOB O CASCO DA TARTARUGA

 Parece estranho abordar essa questão, que ocupa cada vez mais a mente das pessoas, como algo provocado por algo ou alguém, humano, desumano, imponderável ou um inevitável desfecho programado para punição terrena. 

Mas, convenhamos, essa possibilidade de estágio final serve muito mais para implantar caos e submissão à cultos religiosos, do que à salvação do planeta! 

Pela lógica, ao perceber que a  humanidade caminha para uma situação de grande ameaça à sobrevivência, as pessoas deveriam evitar alimentar as distorções que são responsáveis pelo risco de um apocalipse e não omitir-se ou acabar mandando às favas as ações necessárias para conter o avanço da tal besta do apocalipse. 

Aliás, se previsões e profecias existem, certamente devem funcionar como um alerta e não como um assunto encerrado. A não ser que um asteroide gigantesco provoque um choque com a Terra, o futuro da humanidade está nas mãos  da própria humanidade!

Algumas perguntas: 

"Se está havendo mudanças drásticas no clima, obrigando o planeta a revirar-se para reencontrar seu equilíbrio, por que motivo a maioria dos povos aceita passivamente o desmatamento, a contaminação do solo, a instalação de data centers que consomem entre 10 e 40 MW de potência(uma cidade de 40 a 80 mil habitantes consome isso!) entre  outras agressões?

"Se sabemos que a invasão da privacidade do indivíduo é um risco para a soberania dos países, por que permitimos que o sistema financeiro mundial domine a economia e um pequeno grupo de pessoas decida algoritmos em toda a internet?"

"Se pastores de igrejas evangélicas tem a função de nortear a fé e princípios cristãos em seus fiéis, por que usam seus púlpitos para defender a extrema direita, já que todos cristão sabe que Jesus Cristo foi vítima dessa mesma extrema direita que detinha o poder na época, entre conquistadores romanos e fariseus?..."

"Se a consciência tranquila é um demonstração de fé inabalável e defesa do Bem, porque tantas igrejas evangélicas poderosas mantém pastores vociferando aos fiéis desgraças e pavor a quem não pagar o  dízimo ou não aceitar todas as suas preleções?" 

"Por que tem igrejas evangélicas disputando vagas politicas na bancada do Congresso Nacional ao invés de cuidar da  alma dos fiéis?"

Há muitas outras perguntas, que se respondidas podem ajudar a evitar um apocalipse...


Tuesday, August 25, 2026

O MAL DISFARÇADO

 Entre as distorções humanas, as mais graves e impressionantes são a tortura, a intenção de matar friamente e a pedofilia. A pergunta mais frequente é esta: o que leva um adulto a aproveitar-se da fragilidade de uma criança para cometer um abuso, com ou sem aparente violência?  

A ciência tenta explicar essa ação, que afinal não é nova. Por toda a história da humanidade crianças foram vítimas de violência. Mas as regras morais criadas pela sociedade organizada permitiu uma teia protetora, que se não impedia ações criminosas contra a criança, pelo menos dificultava e tornava a prática menos comum.

Hoje, no século XXI, parece que retrocedemos ao tempo dos bárbaros: os casos de agressões à criança, com ou sem violência sexual, aumentam. Os assassinatos de mulheres pelos companheiros também cresceram vertiginosamente. 
Pais matam filhos e filhos matam os pais!

Os casos de psicopatia são mais diversificados também e podem incluir situações em que mães que acabam de gerar tentam livrar-se de seus recém-nascidos de maneira chocante. 
No caso da agressão sexual chega-se a uma conclusão sobre as causas desse ato criminoso: todo pedófilo é um psicopata, embora nem sempre o psicopata seja um pedófilo!

Por que o pedófilo é um psicopata, em menor ou maior grau? 
Pela ausência de sentimentos. 
Uma pessoa que submete uma criança ao abuso sexual ou a outras formas de violência não consegue sentir o sofrimento infringido a ela. Caso contrário jamais faria isso, pois a natureza humana tem a tendência a proteger o semelhante indefeso. 

Omissão ou sadismo são situações deturpadas e indicam intolerância ou rejeição ao meio, entre outros problemas.
Nos últimos tempos a psicopatia tem sido a analisada de todas as formas. A falta de freio moral tornou a sociedade humana mais sujeita às distorções causadas pelos indivíduos com esse transtorno.

O psicopata é considerado um indivíduo altamente perigoso. Principalmente porque esconde a sua face cruel. è dissimulado e lida muito bem com  a mentira para atingir seus objetivos.  

De uma maneira geral entende-se que a caracte­rística principal do psicopata é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos alheios, que inicia na infância ou começo da adolescên­cia e continua na idade adulta.

Também reconhece-se hoje graus variados de psicopatia, que vai de leve, a moderada e grave, de acordo com o ambiente e circunstâncias. Os serial-killers seriam a forma mais grave de psicopatia. 

O sujeito que não sente empatia por nada além dele, seja de outras pessoas ou mesmo animais, não mantendo qualquer forma de emoção na relação com o mundo, seria um psicopata menos drástico.. ou ainda hibernado. 
Mas nem por isso pouco perigoso.

O diagnósti­co para esse transtorno, colocando de maneira simplificada, deve levar em consideração a existência de pelo menos três critérios que podem ser descritos como um fracasso em conformar-se com normas legais, uma propensão para enga­nar, impulsividade, agressividade, desrespeito pela segurança própria ou alheia, irresponsabi­lidade que pode estar vinculada ao trabalho ou às finanças, bem como uma ausência de remor­so.


Ausência de remorso! 
Impossibilidade de sentir a dor alheia!
O psicopata nem sempre é um indivíduo excluído do meio, muito pelo contrário. Eles estão em todos os lugares, podendo pertencer ao submundo ou classes sociais sofisticadas.

Da mesma forma, são sensíveis a esse meio quando nascem e se desenvolvem. Segundo os estudos, que vem sendo realizados há séculos (o termo foi introduzido por Phillippe Pinel há cerca de 200 anos)entende-se que há fatores genéticos preponderantes, mas o meio também é responsável por acentuar ou suavizar essa predisposição.

Isso significa que mesmo com a predisposição genética, o indivíduo que conviver em um lar equilibrado e isento de violência terá menor gravidade nessa patologia, ficando mais apto a conviver socialmente dentro das regras. Esse mesmo indivíduo, se for criado em um lar desajustado e sofrer abusos e violência na infância, fatalmente será um psicopata de maior periculosidade.

Também existe entre os estudiosos um consenso em relação à incidência de indivíduos com essa patologia: cerca de 4% da população, dos quais 3% são homens e 1% mulheres. O que parece ter mudado: a tendência à psicopatia pode atingir uma boa parte das pessoas, que em ambientes de estímulo à agressividade e permissividade, sem freios de punição pelos crimes passam de "normais" a extremamente desequilibradas. Como indivíduos armados, soldados ou civis,  que detém o poder de vida e morte sobre outros e que demonstram seu "lado negro como algozes.

Um aspecto interessante da psicopatia é lembrado pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, que escreveu um livro sobre o assunto (Mentes Perigosas): o poder destrutivo dos psicopatas.

São manipuladores, perversos e desprovidos de culpa, remorso ou arrependimento, são capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus próprios interesses. 

Podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas em sua maioria não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. 

Por serem charmosos, eloquentes, ‘inteligentes’, envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, políticos,  amantes que parecem normais e até bons amigos. 

Mas em seu íntimo visam apenas benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade".

Bastante complicado lidar com isso. Mesmo não sendo maioria na sociedade humana, não é tão difícil você ter um psicopata ao lado.


Psicopatas são "irracionais"? 

Não, de forma alguma, tanto que quando infringem leis morais e legais, como no caso da pedofilia, sabem que é um crime.

O psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, afirma que os psicopatas têm total ciência dos seus atos. "A parte cognitiva ou racional é perfeita, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e porque estão fazendo. O déficit deles está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravessa o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha exercida de forma livre e sem qualquer culpa".

Talvez haja no futuro uma maneira de lidar com os indivíduos psicopatas, que causam tantos estragos à célula familiar e à sociedade como um todo, em maior ou menor grau. 
O que se sabe, hoje, é que pessoas com esse problema não se regeneram - ou seja, cedo ou tarde vão repetir a ação criminosa se tiverem oportunidade para isso.  (Mirna Monteiro)

Friday, August 21, 2026

A VELHA ETIQUETA NO NOVO MUNDO

 Vamos ser práticos: etiqueta é bom ou ruim? Afinal as boas maneiras e o relacionamento social nunca saem de moda...Talvez estejam por baixo, é verdade...mas regras ainda valem, não é?


Talvez não. Para a maioria dos jovens, falar em etiqueta é coisa do século passado. Adolescentes adoram desafiar os costumes (...O que são costumes hoje?) e desafiar tradições...sem bem que achar alguma tradição atualmente também é complicado. A cultura de massa nivelou as pessoas e democratizou hábitos, vestimentas e comportamentos.

Isso não é ruim. Mas a ausência do interesse em conhecer regras básicas de comportamento profissional ou social extrapolou a descontração e atingiu em cheio a consideração pelo semelhante. Passa a ser não uma questão de ditadura de costumes, mas de respeito a leis e a cidadania!


Digamos que não é vergonha desconhecer os talheres de peixe, mas prestar atenção ao mundo ao seu redor é importante. 
Assentos dianteiros de veículos coletivos são destinados a pessoas idosas. Quantas vezes um marmanjo ainda imberbe ou até barbudo, esparrama-se pelo banco, deixando de pé uma senhora de 80 anos?...
Ou o que dizer de alguém que tosse na mesa da refeição sem se preocupar com a carga de sua tossida? E aqueles que espirram na cara do interlocutor?

Não, não é exagero. 

Podemos mudar o nome, mas não rejeitar todas as regras do que chamamos etiqueta. Associada injustamente a uma atitude antinatural e afetada, a arte das boas maneiras acabou soterrada em algum espaço deste novo século, sofrendo avarias desde a revolução cultural das ultimas décadas do século XX. 
No entanto saber os limites da ação individual no meio coletivo não sai de moda: é regra básica da cidadania mesmo na ficção futurista!

Regras de comportamento são uma questão de sobrevivência...

Digamos que refeições à moda francesa podem ser inoperantes diante dos fast-foods de hoje. No entanto saber que as mãos devem estar limpas e o alimento deve ser bem mastigado...é regra atemporal...

Algumas regras básicas da velha etiqueta "moderna", de meados do século XX podem ser atualizadas de maneira a agradar "gregos" e "troianos", enquadrando-se perfeitamente na nossa cultura global de hoje. Mais do que simples convenção, o comportamento hoje é questão de sobrevivência!

Um exemplo: a etiqueta tradicional  defendia o seguinte: "Sua casa é seu campo de experiências sociais: seja cortês com todos que residem nela" . Isso não tem como sair de moda. 

Sem consideração pelo outro, não há convivência possível! A gentileza deve começar dentro de sua casa! Não se transformar em um campo de batalha e desgaste, como vemos atualmente!

Outro: "as pessoas mais novas devem ser apresentadas as mais velhas e as solteiras às casadas"...esse tipo de convenção é absolutamente dispensável. No entanto cumprimentar as pessoas de maneira gentil e não atropelar pedestres na calçada é algo que, definitivamente, não sai de moda e deve ser rigorosamente observado.

Vamos a algumas atitudes que diferenciam hoje as pessoas e as colocam em um patamar respeitável:



RESPEITAR O MEIO AMBIENTE - Não jogar lixo nas ruas, nas praias e jardins, recolher o cocô do cachorro em via pública a (quando passear com o cachorro, leve uma pazinha e saco de lixo), não desperdiçar água, cuidar para que o lixo tóxico seja devidamente coletado (pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, óleo de cozinha, etc)



RESPEITAR O SEMELHANTE - lembrar que todos dividem o mesmo espaço é a regra numero 1! Isso inclui respeitar as filas (que são torturantes para todos), observar a lei ( preferência para idosos, por exemplo), atender ou ser atendido com educação ( você tem o direito de reclamar, mas lembra-se de usar argumentos e firmeza e não estupidez) , não abusar do barulho depois de determinado horário ( os vizinhos tem direito de dormir) entre outras coisas (a lista é enorme)



NÃO SENTIR-SE O DONO DE RUAS E ESTRADAS - Essa é crucial: algumas pessoas quando estão na direção de um veículo perdem o senso da realidade. É fundamental lembrar que ruas e estradas são um espaço comunitário e possuem regras que devem ser cumpridas para evitar o caos. É o caso das filas! Todos tem pressa! Portanto se você não conseguir parar na faixa e respeitar os pedestres, evitar velocidade excessiva e ficar costurando e bordando nas rodovias, você é sujeito marginal e não um alguém que respeita o meio!



RESPEITAR ANIMAIS E PLANTAS - Quem diria, não é, mas as plantas devem ser tratadas com respeito, já que são fonte de sobrevivência. Os animais são organismos com necessidades e sensações semelhantes aos humanos.
Assim quando você bate em um animal, o erro é tão grande quanto o de torturar um ser humano! 
Por uma questão de dignidade, essa regra é inviolável: tratar com respeito a natureza. 
Tanto a ciência como o bom senso mostra o quanto somos todos interdependentes. 
Nada garante a sobrevivência  humana quando isolada da natureza. Para sobreviver dependemos do equilíbrio natural. 
E ponto final! (Mirna Monteiro)

Wednesday, August 19, 2026

PREVISÕES PREVISÍVEIS...

 Quando ouvia dissertações sobre previsões e profecias em uma palestra, o sujeito na platéia adiantou-se e opinou: "Não há fundamento! Quando se acerta alguma coisa é coincidência e quando não se acerta está claro que não passa de pura imaginação humana, de ficção"! 

A sua frente a pessoa sorriu e pediu que um outro ouvinte abrisse um bilhete que havia recebido na entrada: "O que está escrito a respeito?"

-Que alguém sentado na terceira fileira discordaria e iria se manifestar contra a ideia de prever qualquer coisa!

Bem, previsão comprovada!...

Quando negamos a possibilidade de prever os acontecimentos, negamos a nossa capacidade de observar, sentir e projetar a mente. O sábio Confúcio já sabia que não se pode viver como um mero expectador da vida, esquecendo-se de que toda a ação e pensamento determinam aquilo que a humanidade será. Ou enfrentará! "Aquele que não prevê acontecimentos longínquos, expõe-se a desgraças próximas".

É verdade que prever os fatos é diferente de profetizar, mas apenas sob um ponto de vista relativo. Uma previsão baseia-se na observação do passado e do presente e uma profecia tem como mediador a visão do futuro, sem preocupar-se em estabelecer a lógica dos acontecimentos que formarão uma nova realidade.

A interpretação que se tem de profecia lembra um ambiente místico, onde seres que se isolam das tentações terrenas mantém a mente livre para captar imagens do futuro através de uma sintonia que vence as barreiras do tempo. 
Durante toda a história da humanidade e em culturas diferentes, a profecia sempre manteve um lugar de honra, fosse na forma do Oráculo de Delphos, do feiticeiro reverenciado pela tribo, das sacerdotisas ou de sociedades místicas.

No entanto prever o futuro é uma questão de lógica, conforme a própria ciência descobriu. Nos velhos tempos os pajés tentavam descobrir quando iria chover. Nos nossos tempos equipamentos mostram claramente os mistérios da meteorologia.  Oráculos tentavam desvendar os movimentos sísmicos, que hoje são claros para a geologia, que assim como a astronomia consegue prever desastres naturais da terra ou do sistema solar.

Mas será que tudo é assim mesmo, tão simples? Poderíamos através da lógica, da lei de ação e reação, dos conhecimentos da física, prever acontecimentos e evitar as desgraças e o sofrimento decorrente delas?
 Poderíamos evitar um divórcio em família, um assassinato passional, um acidente de trânsito ou o desmoronamento de uma encosta?

Até certo ponto, certamente teríamos de admitir essa possibilidade. Se sabemos que andar nas ruas em determinados horários pode colocar em risco nossa integridade física, assim como dirigir em estradas em alta velocidade é sinal de acidente iminente, por que isso acontece ordinariamente?

Podemos alegar que é uma questão de circunstâncias alheias a vontade. 
Por exemplo, enfrentar o trânsito em alta velocidade é contingência da sobrevivência...enquanto que morar em encostas é única alternativa para um teto, apesar de que as encostas também foram desmatadas para a construção de mansões...e assim por diante! 

O ser humano parece viver de justificativas e argumentos de sobrevivência que contrariam a autopreservação.

Nostradamus, médico e alquimista conhecido pelas suas profecias, inclusive a do fim do mundo (se é que interpretamos suas quadras com alguma precisão), teria pressentido a morte do rei Henrique II, nos contatos com a rainha Catarina de Médicis, e avisado que o Rei não deveria participar de qualquer torneio até os 41 anos.
 E Henrique morreu exatamente aos 41 anos vítima de uma lança que atravessou a armadura, atingindo um dos olhos, em um amigável torneio!

Parece que seja em tempos ainda obscuros, seja em plena era da ciência, a questão não é exatamente a falta de previsão, mas a vocação humana para o imediatismo e para o desafio...além do desleixo com a vida. 
Em tempos de grandes desafios, negar a necessidade de prever os acontecimentos é o mesmo que entregar-se aos riscos. É uma forma de descuido. Mesmo considerando a força do inevitável - acontecimentos que mesmo sendo previstos e cuidadosamente evitados ainda assim ocorrem por força de circunstâncias que independem da vontade humana - a atenção ao meio e à sequência natural dos fatos precisa ser conscientizada, com a mesma convicção com que se escova os dentes para combater as cáries ou se toma água para evitar a desidratação.

Devemos crer nas previsões e profecias? Sem dúvida!...(Mirna Monteiro)

Monday, August 17, 2026

O QUE SERÁ DO TRABALHO NO FUTURO?

 

O sábio proverbio chinês tem lá sua razão, quando afirma que se você escolher um trabalho que goste, não trabalhará um único dia em sua vida, e sim vivenciará momentos de prazer em sua jornada de trabalho.

Mas Confúcio certamente não poderia imaginar que 1.500 anos depois essa consideração sábia seria utópica, por dois motivos. 
Um deles é o fato de que a vocação, por mais importante que ainda seja no mundo do trabalho, é sucateada pela confusão de interpretações a respeito da alternativa de sobrevivência nas novas exigências da sociedade. 
Outro é a oportunidade de sobreviver, simplesmente, em um momento onde a tecnologia substitui cada vez mais a a mão de obra humana.

É claro que não se pode ser pessimista. Por toda história da civilização humana, as sociedades sempre procuraram superar as armadilhas armadas por ela mesma e contra ela mesma, na busca de novos horizontes da sobrevivência e na facilitação de seu trabalho.
Isso, desde a invenção dos instrumentos cortantes e da roda, que foi a maior criação humana em direção às maravilhas tecnológicas do futuro. 

Maravilhas que hoje ameaçam os postos de trabalho.

Trabalho é fundamental para a vida. Há muito tempo a União Europeia quebra a cabeça para resolver como reduzir a taxa de 6,0% de desempregados, o que mostra que os países mais civilizados e culturalmente invejáveis não conseguiram evitar o peso do girar da velha roda neolítica transformada em um chip microscópico.

O pragmatismo que envolveu o mundo no século XX  parece não se encaixar na capacidade humana quando o assunto é criatividade da sobrevivência.

 Que o digam os EUA, que sofrem com o  desemprego e a dificuldade de acertar soluções, enquanto mantém as ações externas em modelos  que não funcionam mais.

No Brasil o processo é oposto e as taxas de desemprego diminuíram desde 2023 e o primeiro trimestre deste ano fechou com uma queda de 5,4%.  
Com a aprovação da mudança da escala  6X1 para 5X2, a situação para o trabalhador irá melhorar. 
Na Europa o trabalho na escala 5X2 ou cinco dias de trabalho para dois de descanso, com uma média de 35 a 40 horas semanais de trabalho, mantém bom equilibrio.

O brasileiro, apesar das dificuldades enfrentadas pela sociedade mundial, possui um talento inato para "dar um jeitinho" quando a situação aperta: é intuitivo e empreendedor. Mergulha de cabeça em novos empreendimentos, buscando seu lugar ao sol. As vezes até mesmo sem verificar a profundidade de seu mergulho. Mas depende de uma política econômica de investimento na micro e pequena empresa.

Ainda existe espaço para a vocação e o exercício prazeroso do  trabalho? 
Sim, sem dúvida. Mas parece que isso exige boa dose de criatividade e novos caminhos, a exemplo dos antigos desbravadores, mas com nova mentalidade. 
Se antes as florestas eram derrubadas à força dos braços, hoje devem ser preservadas com inteligência justamente para garantir a força do trabalho futuro, que muda de formato. 

Se as cidades incharam e lotaram as alternativas de colocação profissional, que novos negócios sejam criados para corrigir as disfunções provocadas.

De uma maneira geral a mentalidade sobre emprego, trabalho e negócios precisa ser arejada com novas alternativas, algumas ainda não inventadas, quem sabe? 
O que precisa ser avaliado com a máxima honestidade é a inteligência artificial que vem sorrateiramente ocupando a mão de obra humana. O resultado desse avanço rápido da IA sobre a mão de obra humana ainda é imprevisível na roda econômica, que sempre funcionou com produção e consumo. E quem consome precisa produzir.
A única certeza é que não se pode projetar futuro sobre escombros e sim de maneira produtiva e consciente. (Mirna Monteiro)

Tuesday, August 04, 2026

CONSIDERAÇÕES SOBRE A INVEJA

 

Não, não se trata de correr em busca do sal grosso, de carrancas e patuás. Ainda que a inveja possa ser tratada de forma doméstica - como uma dor-de-cotovelo entre amigas, o aborrecimento por atributos que um colega de trabalho, um desconhecido que tenha projeção na mídia, ou até um simples sorvete maior que o outro, ela é sem dúvida perigosa.

A inveja transtorna e causa doenças para aqueles que ficam ruminando suas decepções e tristezas. Mas se o "olho gordo" é tratado popularmente de maneira até folclórica e bem humorada, esse tipo de sentimento pode ser considerado a própria origem do mal.

A inveja é menosprezada em sua nocividade. Causa mais estragos do que poderíamos supor. Provavelmente ela se esconde, quietinha e camuflada, nos bastidores de todas as grandes desgraças da humanidade.

Exagero? Não exatamente. Veja só o caso de Caim e Abel... os mais céticos devem reconhecer que não há como negar a antiguidade da inveja, tampouco a sua realidade, mesmo abominando o registro bíblico.
Ela ( a inveja) está onipresente nas grandes guerras, nas revoluções, no sadismo da humanidade.

Por exemplo, Calígula era extremamente invejoso e isso norteava a sua crueldade. Poder e inveja formam um coquetel desastroso. Hitler era frustrado pela sua falta de talento, tanto que imaginou um mundo onde toda a arte existente estaria sob sua guarda. De preferência acabando com os autores, porque a inveja admira o talento, mas não pode perdoa-lo.

A inveja é amiguinha da mediocridade. Vivem de mãos dadas, suportando-se mutuamente, mas tentando unir-se para destruir o objeto de sua ira. 
Porque a inveja se esconde também sob a ira, esse sentimento odiento que faz o sujeito cuspir a maldade. 

A dramaticidade aqui é importante para definir a balbúrdia criada na humanidade por esse sentimento inerente, que habita a alma humana como um protozoário potencial, ou um defeito natural em hibernação - se não for vigiado acaba ganhando espaço.

No final das contas a única alternativa para evitar que a inveja faça seus estragos é cultivando o próprio talento. Uma espécie de "vacina" contra esse mal, que permite uma vida menos espremida e perigosa, dolorosamente competitiva e regida pela moral e valores supérfluos que pretendem controlar o mundo da mesma maneira que se controla o gado no pasto.

Não podemos desvincular a inveja das grandes desgraças da humanidade causadas pela ambição, pelo ódio e até por frustrações e baixa autoestima. A inveja é base do egocentrismo,  já que aquele que ambiciona dominar o outro ou o mundo ao seu redor, só consegue enxergar as próprias entranhas e não percebe a dor ou o direito alheio.

Se a virtude depende de disposição para para criar e construir, a inveja também depende da decisão de não permitir o artificialismo do poder. De alguma forma é preciso quebrar o círculo vicioso que impõe a agressividade na conquista de um espaço através da eliminação do objeto da inveja, que afinal pode ser sublimada, como todo e qualquer sentimento, individual ou politicamente no espaço coletivo. (Mirna Monteiro

Monday, August 03, 2026

A MORTE E A LÓGICA IRRACIONAL

 





Lógica, ilógica...deixando e lado a teoria das idéias, onde se pressupõe o que seria admitido como realidade ou engano dos sentidos, a morte seria uma realidade incontestável, pois é óbvia e ao mesmo tempo impossível de ser razoavelmente definida, a não ser em nossa percepção física.
Isso é muito desconfortável!
É muito pouco provável que a morte seja desconfortável para quem a enfrentou. É complicado imaginar as possibilidades além da vida, mas digamos que, na pior das hipóteses (sob a ansiedade dos que se recusam a aceitar a finitude), os seres se apaguem como uma lâmpada, sendo "nada".
"Nada" é nada, puft!
...Mas a energia obtida pelos filamentos da lâmpada está por aí...



Vamos analisar uma possibilidade científica, a de que no universo tudo é matéria, inclusive nosso pensamento ou nossa consciência. Nesse caso não pode ser ruim para quem morreu, pois se morreu em seu estado físico mais grosseiro (ou para quem quiser complicar, de material molecular acumulado e pesado, próprio para um planeta primitivo... ou o que?) sobrevive em seu estado quântico e, portanto, deve poder passear pelas dimensões do tempo ou por espaços que bem podem ser algo que interpretamos como paraíso.
Vamos divagar e aceitar as possibilidades que historicamente povoam as crenças do ser humano, desde sua forma mais primitiva, até as culturas que pretendem ser sofisticadas.

Digamos que haja espaços pré-determinados para as almas, de um lado as penadas, de outro as que cumpriram o bem, como na alegoria do inferno e do céu. Também nada poderá ser mais oportuno. Pois se quem amamos tanto é uma boa alma, decerto que irá para um espaço privilegiado, onde diferentes crenças comungam que é bem mais agradável do que aqui. E se boa alma não for, não há pelo que chorar se a morte representar um tipo de enfrentamento desconfortável...ou, quem sabe, o "puft!", ou o vazio total e irreversível...
Aparentemente, preocupar-se com a morte parece ser desnecessário. Ao contrário, preocupar-se com a vida, é fundamental! É por ela que devemos lutar, com unhas e dentes e é ela, a vida, que devemos respeitar. Toda e qualquer forma de vida deve ser respeitada.
Sendo isso inquestionável, chegamos a um acordo: a vida é tão importante, enquanto vida, que pode ser interpretada como o antagonismo da morte, o que não representa uma verdade. Por que? Ora, sabemos o que é vida! Não sabemos o que é a morte! Tudo que se sabe sobre a morte é conjectura e torna esta discussão extremamente chata.
Mas certamente esquecemos um fator de peso: o medo do desconhecido. Não é a morte em si, mas o que é provável a partir dela que a torna tão temida. Para amenizar isso não há remédio, a não ser a própria vida. Quando plena e valorizada, fornece uma espécie de coragem para enfrentar o que quer que a morte signifique. É como uma fusão com o universo. Os ateus e agnósticos mais radicais ficam furiosos com essa possibilidade, pois ela reforça a teoria do divino, pois reconhece uma força onipotente entre big-bangs e buracos negros. Uma força natural que pode não ser consciente, mas que é interdependente de todas as matérias e suas variações no mundo quântico.
É, esta discussão vai longe. Segue pela vida e além da morte! Porque pelo que se sabe, todos vamos, de mente aberta ou cara emburrada.  E em uma rotina semelhante outros aqui ficam, repetindo o mesmo questionamento de outros que virão!...(Mirna Monteiro)

5 comments:

  1. Anonymous7:32 PM

    Esse texto ai pirou minha cabeça

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  2. Muito legal, linda. E gostei sobretudo disso: " Para amenizar isso não há remédio, a não ser a própria vida. Quando plena e valorizada, fornece uma espécie de coragem para enfrentar o que quer que a morte signifique. É como uma fusão com o universo. Os ateus e agnósticos mais radicais ficam furiosos com essa possibilidade, pois ela reforça a teoria do divino, pois reconhece uma força onipotente entre big-bangs e buracos negros. Uma força natural que pode não ser consciente, mas que é interdependente de todas as matérias e suas variações no mundo quântico."

    Só não vejo onde isso possa irritar ateus ou agnósticos. Pelo contrário, a universalização desse impulso e o fato de não pensarmos em morte quando temos uma vida ao menos momentaneamente plena e intensa podem mesmo fazer-nos dispensar qualquer deus.... Ao menos é o que sinto em mim. Posso pensar num caos infinito de forças inesgotáveis em luta e de seres que se autocriam a partir das configurações dessas forças. E se posso imaginar um universo (ou mesmo um multiverso) infinito e puro poder não-racional, para que pressupor um ser infinito e puro poder racional? Toda ordem, afinal, pode não ser mais que precária e provisória configuração momentãnea de forças que, por sua imensa resistência umas sobre as outras, parecem momentaneamente neutralizadas e estáveis. Para que introduzir um Ser que apenas visaria a reproduzir num nível cósmico nossa meramente instrumental racionalidade?

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  3. atlantisatlanta8:32 AM

    Para que introduzir um ser que apenas visaria reproduzir nossa meramente instrumental racionalidade?
    Concordando com sua colocação, mas lembrando que, entre os mistérios, que nada mais são do que nossa incapacidade de sentir a realidade, está o fato de que o ser humano pode não ser capaz de entender além dos instintos primários. Assim sendo, é possível aceitar a necessidade de um ser que o console em sua limitação.

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  4. Anonymous9:38 AM

    Muito interessante esse texto (crônica?) que deixa a impressão agradavel de que a morte não é um fim mas um meio. Alea iacta est!

    Reply
  5. Anonymous9:38 AM

    Muito interessante esse texto (crônica?) que deixa a impressão agradavel de que a morte não é um fim mas um meio. Alea iacta est!

    Reply

Thursday, July 30, 2026

JUVENTUDE E ETERNIDADE

 Ouve-se mais comentários a respeito do envelhecer, do que do viver...É tamanha a preocupação, que chega-se a uma conclusão: o ser humano, racional, está se rebelando demais contra a ordem natural das coisas! 

Curiosamente, nunca, desde que a sociedade criou regras éticas, a vida foi tão subestimada e  agredida. Ou essa a contradição não deve impor limites a expectativa humana?

Em "O retrato de Dorian Gray", Oscar Wilde tenta sintetizar a preocupação humana diante do envelhecimento do corpo, barganhando com uma tela, que retrata o jovem Gray, o desgaste causado pelo tempo. O quadro, com sua pintura, passa a "assumir" seu envelhecimento, enquanto Dorian Gray permanece lépido e faceiro, eternamente jovem, como sempre sonha a humanidade em sua vida fugaz!

Claro que, no final das contas, não dá certo e Gray é obrigado a encarar o seu retrato nos tons aguados da velhice extremamente avançada e, consequentemente, a morte tão temida. Pois o medo da velhice estaria intrinsecamente ligado ao medo da morte.

Temos o complexo de "Dorian Grey"! Wilde na sua época utilizou retrato, hoje utiliza-se o bisturi. Entre outras coisas, como botox, preenchimentos, cremes mágicos, fios de ouro ou de plástico, enfim, uma infinidade de recursos que pretendem manter a aparência mais jovem.


E por dentro?
Calma, existem recursos ortomoleculares! E no futuro a genética deverá criar outras maravilhas, a ponto de retardar o envelhecimento do organismo e permitir uma longevidade ainda desconhecida.

Ah, se Wilde soubesse que chegaríamos a este ponto!...Cleópatra, com seus banhos de leite, ficaria assombrada! Até a louca Condessa Elizabeth Bathory, que assassinou, bebeu e banhou-se no sangue de garotas para manter sua juventude e beleza, iria lamentar ter nascido no século XVII e não no terceiro milênio, em séculos que desafiam o universo!

Mas será que resolve mesmo?

Hoje mulheres e homens que desafiam o envelhecimento são criticados, em uma postura confusa em um mundo que exige juventude. Parece um beco sem saída: se a pessoa não se cuida, é velha e deve ser "encostada"; caso se cuide e mantenha a saúde e a aparência de juventude, é "ridícula"...

Isso quer dizer que existe mesmo um "complô" contra aqueles que vão envelhecendo, na disputa pelo mercado de trabalho, no argumento de que tudo deve ser renovado. É uma prática cruel do sistema de poder. 
Os jovens sentem-se em desvantagem, pois a maturidade e a experiência podem fazer milagres que a força da juventude, sua ansiedade e prepotência, não conseguem!

Agora a situação, pelo jeito, será invertida...a maioria da população mundial está amadurecendo! Ou seja, nas próximas décadas teremos 80% da população mundial acima dos 60 anos!
E então?

É bem provável que a ciência já tenha, a esta altura, concluído pesquisas que permitirão a renovação do organismo e que a longevidade de mais de uma centena de anos não seja absolutamente rara.
O mundo será, então, fundamentalmente integrado por pessoas maduras!

O que vai levar o homem a desejar a vida prorrogada indefinidamente. Com risco do sistema ameaçar interferir muito mais para controle populacional...O que seria de um planeta onde o embate entre o bem e o mal teria como pano de fundo os mesmos personagens?

Tempo e velhice serão pormenores. O negócio será viver cada vez mais. E como o ser humano nunca está satisfeito (e tempo sempre será relativo) por mais que a sua vida seja prolongada, vai chegar a desejar o impossível nesta cadeia natural de reciclagem orgânica: viver para sempre!

Nesse ponto voltamos para trás, para o amadurecimento, o envelhecimento e a morte, nesta caminhada da terceira década do terceiro milênio. Por que resistimos tanto em aceitar o ciclo natural da vida? 

Nos tempos primitivos, a velhice era rara, pois todos morriam jovens, nas guerras e doenças. Hoje é farta, repleta de opções.
Mas em contrapartida...não vamos também fazer apologia a velhice! Pois corre-se o risco de receber respostas atravessadas, porque viver mais não significa necessariamente viver melhor.
- Nossa, mas você está tão bem com 90 anos! Reclamar do que?
-Do que? Escuta aqui, quem sabe disso é minha escoliose, minha artrite e minhas pontes de safena!

...É, envelhecer é sempre difícil, pois a natureza não barganha retratos, bisturis e botox. O corpo muda, mesmo quando as pessoas envelhecem de forma saudável, porque as mudanças não acontecem na maturidade e desgaste físicos, mas em todo um conjunto: somos um organismo em constante mutação, desde a formação da vida no útero!

Mudanças são mudanças e quando acontecem em sintonia com a natureza, não podem ser ruins.
Talvez ao invés de tentar mudar a natureza devêssemos aprender a escuta-la, observa-la e aprender com seu ritmo.
Talvez a finitude, que é uma realidade insofismável, signifique um aprendizado para aumentar a percepção de que o corpo físico e o ego exagerado são transitórios demais para permitir a audácia humana de sentir-se dona do mundo e da natureza que a cerca, ao invés de sinalizar a necessidade de integrar-se a ela.

Talvez aí esteja o segredo da juventude eterna.
Será possível?   (Mirna Monteiro)

Thursday, July 23, 2026

HIPOCRISIA, PODER E CORRUPÇÃO

 Durante toda história da humanidade o homem tentou entender a voracidade do poder político. Talvez tenha sido justamente isso – a insanidade que marcava a briga política ao longo de séculos e séculos de organização da sociedade humana, que tenha levado à necessidade de pensar suas origens, seu presente e seu futuro.


A contradição sempre foi tamanha, entre aquilo que se propagava e a realidade do poder, que até mesmo o berço da democracia, a Grécia, começou a imaginar igualdade entre os homens de maneira a preservar a desigualdade, ou seja a garantia do poder. Que o diga o velho Sócrates, obrigado a beber cicuta porque cometeu a heresia de ensinar os jovens a pensar, ao contrário dos sofistas, que costumavam levar o conhecimento controlado e medido de acordo com os desejos do poder constituído.

Sócrates, naturalmente, não foi o único homem com pretensão de discutir o poder político e suas artimanhas que se deu mal. Por toda a história, quem ousasse pensar e desafiar o poder, entrava pelo cano. Fosse na fase da Inquisição, com todo o poder centralizado na igreja e em papas escolhidos não pela santidade, mas pelo oportunismo, fosse nos tempos modernos, onde a perseguição contra quem reclamava do abuso político e apontava as falhas de ideologias massificadas não foi menos cruel ou absurda!

E agora, no Terceiro Milênio, a “Idade da Informação”, do apogeu da mídia e do confronto com a maior comunicação popular da história da humanidade?

Bem, agora, sofisticaram-se os meios, mas o recheio do bolo continua o mesmo. O cenário em que vivemos é magnífico: naves espaciais orbitando a terra, satélites que mandam imagens do sujeito que passeia na Patagônia para a “Concinchina”, chips que substituem funções do cérebro humano, enfim!
Mas a briga pelo poder é tão mesquinha e perigosa como nos tempos de Calígula!
Mas e a nossa democracia, a nossa campanha política, o nosso voto popular?
Pois é, metade do caminho já andamos. O problema fica com a outra metade, pressionada por quem não quer “perder” o poder e que utiliza os mesmos recursos do “bem” para o “mal”. O jogo é sujo: denúncias vazias, que pretendem denunciar o que não existe na realidade. É só bagunça!
Não é um problema brasileiro. É um problema dos países comprometidos com interesses de grupos econômicos, habituados a imperar. A corrupção é endêmica, dizem os analistas brasileiros e (que vexame!) de outros países. A tendência de vestir a intenção de coletar lucros com a capa das boas intenções  confunde realmente o cidadão comum. O lobo que se esconde sob a capa do cordeiro ou o complexo do conto da chapeuzinho vermelho.

Corrupção endêmica significa corrupção enfronhada, absorvida pelo sistema. As pessoas confundem e imaginam que é novidade, sendo manipuladas pelo frenesi político, que propaga os próprios pecados, senão de profundo conhecimento de falcatruas, pelo menos no de omissão para punir e banir a corrupção de fato. A mídia infelizmente não escapa desse cerco e leva informação distorcida. No tempo das trevas, os livros eram raros, e o conhecimento empírico. Mesmo assim a sociedade humana rompeu as barreiras da falta de informação.
Hoje temos de admitir que somos obrigados a romper as barreiras da ignorância, fruto de informação distorcida, comum na política quando se briga pela imposição de projetos e supremacia partidária. O mesmo projeto que parece beneficiar a população nas acaloradas discussões em tribunas dos plenários pode ser aquele que no futuro será responsável por perdas irrecuperáveis. É preciso se perguntar: qual o interesse do poder político e econômico nas bandeiras de nossos legisladores.(Mirna Monteiro)

Thursday, July 16, 2026

A MATANÇA

 


A ocorrência de feminicídios aumenta a cada dia! O que está acontecendo  é uma "disputa de poder" ou "ódio ao sexo feminino"? 

Talvez a pergunta a seer feita seja esta: podemos tratar cada ameaça à vida de maneira isolada? Buscando causas nos galhos e ignorando a raiz da violência?

É espantoso o numero de mulheres que são assassinadas no mundo todo! Estatisticamente, calcula-se que a cada dez minutos, uma mulher é vítima e pelo menos 60% dos assassinatos tem autoria de pessoas próximas, como o companheiro. E  o Brasil ocupa a quinta posição no mundo como o país que mais mata mulheres.

Mas é espantosa também a ameaça à vida de crianças e adolescentes! Uma média de 13 a 29 crianças e adolescentes são assassinados por dia no Brasil! Em torno de 5 mil vítimas fatais por ano!

Por que isso está acontecendo?

A grave questão da violência contra a mulher não pode ser discutida e controlada sem discutir a violência contra a criança e o interesse político em uma sociedade desorganizada. Porque não são assuntos distintos, mas indelevelmente ligados a um fator: o desprezo pela vida, a ausência de valores éticos e a precarização da Justiça em todo o mundo. 

Vivemos em uma sociedade global que tende a normalizar violência extrema.  A omissão estimula armas e invasões de soberanias, cria guerras sem base real para exterminar a população civil, assassinando crianças e mulheres que não tem como se defender!

Devemos reconhecer que o mundo, hoje, distingue cada vez menos culturas e globaliza experiências e comportamentos. A tal ponto que opiniões e ações claramente psicopatas e destrutivas não são eliminadas pelo crivo crítico de grande parte das pessoas. 

Nossa sociedade atua com interpretações convenientes das leis. Ora, o marido que mata a mulher acaba com punição branda, mesmo que a pena seja pesada. Ainda que feminicídio seja classificado como crime hediondo há mais de dez anos, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão,  a maioria cumpre um terço de sua pena e vai para o regime aberto. Mas convém lembrar que a violência não tem idade, nem sexo. A psicopatia não tem gênero! Suzane Von Richthofen, planejou e ajudou a executar a morte dos pais, foi condenada a quase 40 anos de prisão, mas passou para regime aberto após 20 anos, assim como Elize Matsunaga, que fez picadinho do marido em 2012 e está em liberdade condicional desde 2022...

Criminosos homens, que parecem normais, matam mulheres desavisadas, que não atentam aos sinais de psicopatia do companheiro, assim como estupram e matam crianças, enquanto mulheres criminosas também matam seus companheiros, seus filhos! E filhos adultos também matam seus pais! 

Sem querer equiparar crimes, a verdade é que o maior desafio deste tempo é controlar criminosos que assumem papeis diferentes, de marido, de pais, de mães, mas que são feitos de um mesmo material violento e nocivo, que desabrocham em ambientes conturbados e sem o freio da ética e da punição severa.

Homens e mulheres podem ser assassinos perigosos. Nem sempre com uma arma nas mãos, mas até politicamente, quando incentivam propostas que matam pessoas, como o aumento da miséria, o uso de venenos perigosos nas plantações, ou que enfraqueçam leis ou permitam que inocentes sejam alvo de uma polícia criada no molde de um sistema exterminador.

É exatamente isso, a impunidade permite que psicopatas ou descerebrados atuem politicamente criando ambiente contrário à vida humana.

Há mais um fator a ser considerado na agressão à mulher. Não se trata de simples "disputa de poder" entre macho e fêmea, mas de adaptação ao sistema e equilíbrio. Nos tempos primitivos, quem ditava as regras era a mulher, nos bastidores da família. Cabia a ela estimular a visão do mundo e entendimento do meio aos filhos, enquanto o homem lidava com o ambiente externo e trazia o almoço e o jantar.  Na atual sociedade a mulher assumiu o papel de provedor, mas o homem não mudou. Esse fato trouxe à tona um crescente movimento de "machos alfa", que pressiona culturalmente os homens e cria conflitos que levam a maior dificuldade  na relação familiar

A violência contra a mulher, portanto, não é um fato isolado, mas parte da influência que determina o nosso ambiente familiar, cultural, social e econômico, que está criando monstros, porque isso convém ao sistema de poder que se alimenta do comportamento agressivo. Como é possível combater infanticídio ou feminicídio ou assassinatos (são quase 20 casos de mortes violentas por 100 mil habitantes), quando a  violência extrema parece ficção hollywoodiana? (Mirna Monteiro)


Leia também 

https://leiamirna.blogspot.com/2011/02/sete-segundos-e-nova-agressao-mulher.html

Tuesday, July 14, 2026

INTELIGENCIA HUMANA, IA E SOBREVIVÊNCIA

 

Veja se consegue imaginar isto aqui: você coloca uma lente de contato que não apenas permite navegação e dados, mas analisa através de suas lágrimas como está seu índice glicêmico ou seus hormônios, entre outras coisas. 

Então vem a pergunta: ora, unir biomedicina e IA parece que tem lógica, porque facilita diagnósticos e tratamentos e acelera pesquisas de medicamentos. Uma mão na roda! Ao tentar criar uma lente ocular com múltiplas funções, não apenas diagnóstica, tudo parece lógico! Mas nem tanto!

Se relacionarmos todas as vantagens e riscos no uso da IA, há uma questão que se destaca como muito perigosa: o seu poder sobre o ser humano. Até que ponto o domínio da Inteligência Artificial será controlado? Ou até que ponto controlará a sociedade humana?

Antes que alguém diga que os benefícios compensam o risco, é bom lembrar que a IA é fruto da informação humana. Uma espécie de inteligência com capacidade de armazenar e lidar com informações com uma eficácia que o cérebro humano não consegue obter. Portanto se a AI absorve toda experiência humana e todos os dados científicos, culturais e biológicos, também armazena, além dos acertos, os erros e disfunções que permeiam seu espaço.

Absorve portanto o o Bem e o Mal, reproduzindo a vivência humana!

Portanto a IA, quando não permanece sob controle de seus dados, pode cometer erros. Ou ser programada para isso.

Além da desinformação, a IA representa um risco à privacidade, porque mantém armazenados dados de bilhões, precisos e facilmente acessados. É através da IA que a tecnologia consegue operar espionagem em grandes áreas e localizar pessoas. Poderia ser operada para o bem, mas o problema é que serve para o mal, nas guerras e agressões, como  nos casos conhecidos na Palestina, Líbano, Irã, etc. 

Há outros riscos, como provocar maior desigualdade social e subtrair o papel do ser humano. O que começou com o aprimoramento mecânico após a revolução industrial, começa a chegar ao seu auge neste terceiro milênio, onde a robótica cumpre um  papel na indústria com maior perfeição. A IA substituiu o atendimento humano cada vez mais.

E a tal lente inteligente? Nesta sua fase de pesquisa monitora a saúde e tem biosensores, mas também a computação invisível, com umas tela de  microled que permite acesso a navegação e dados. Exatamente como naqueles filmes de ficção. Seria um aperfeiçoamento dos tais óculos da Meta, que integram IA, câmeras e áudio, o que aliás já está causando danos  e motivos para processos por invasão à privacidade.

Em resumo, essa lente que logo estará no mercado, pode não ser a maravilha que seus criadores divulgam, trazendo riscos para a saúde ocular, privacidade de dados e muitas implicações éticas! A presença de circuitos e baterias podem comprometer a retina ao causar falta de oxigenação.  E o contato prolongado pode causar irritação, inflamação e infecções mais graves.

Por mais sedutora que seja a ideia  de poder na interação organismo humano e IA, o homem biônico alimentado pela IA  se tornar-se presa no domínio do mal ou no descontrole de sua ação, pode ser a prisão definitiva da mente humana. (Mirna Monteiro)

 

Saturday, July 11, 2026

MANIPULADOS

Recentemente em uma discussão onde a temática girava em torno das artimanhas políticas e da imensa cara de pau de políticos da extrema direita, a crítica fervilhava. Havia evidente indignação nas criticas e opiniões a respeito da classe politica brasileira, com adjetivos nada agradáveis.
De repente uma pergunta primária trouxe um silêncio inesperado: "Como é que nós permitimos isso, gente? Como é que o povo cai nessa situação?"

Pode completar essa cena com a expressão de grande constrangimento  geral! Aliás ninguém respondeu e a discussão seguiu adiante. Obviamente a resposta a essa pergunta não pode ser resumida. Depende da qualidade de informação, de um Poder Judiciário sem contaminação, do cumprimento de leis, da formação moral e ética  da população e  muito mais! Poder e corrupção estão enfronhados no sistema desde sempre.

É claro que nestes tempos  tudo pode acontecer. Vivemos uma fase de conflitos, onde todos os acontecimentos pressionam para grandes mudanças. Mas até o momento a sociedade humana mudou muito pouco em sua essência. Mudou o cenário, mas o ser humano é moldado no barro velho.

Kant acreditava que a dignidade é qualidade inerente ao homem. E que essa dignidade seria determinante do valor moral, de forma que o respeito ao semelhante deveria gerar uma relação emoldurada pela dignidade.

Podemos divagar sobre esse pensamento e arriscar até que ponto, independente da cultura, a sociedade humana assimila a afirmação de que seres humanos seriam mais evoluídos a partir de sua capacidade de valorizar a própria dignidade. Porque ao longo da história humana a dignidade e a honra ocuparam espaços de importância vital, mas sempre foram soterrados pelas ações obscuras e secretas, que ocorriam nos bastidores da política, filosofia e do imaginário popular.

Intrigas, planos secretos, mentiras e o uso da boa fé do cidadão integram o caldeirão dos grupos que se unem no interesse de dominar a sociedade.

Os soberanos nunca dormiram em paz, conforme podemos observar nos registros históricos. Bons governantes ou déspotas corriam sempre o risco que se escondia nas sombras. As guerras eram travadas com outros soberanos, mas nos bastidores do  próprio reino fervilhavam conspirações.
Fora desse cenário, convinha manter os cidadãos longe da verdade.

Ao longo da história humana, isso nunca mudou. Os cenários se modificaram, a tecnologia transformou o mundo, mas sempre a serviço de um mesmo senhor: o poder e a manipulação da massa.

Do ponto de vista político, existe realmente diferença de percepção politica entre um camponês do século XVIII e o cidadão dos nossos dias?

Considerando a capacidade de um ou outro entender o que acontece o seu redor e quais seriam as razões de seu calvário ou de sua rotina menos dolorosa, não parece haver diferença...

Seja em tempos primitivos, seja neste início do Terceiro Milênio, a maneira como o poder domina a sociedade de várias culturas diferentes, ainda é a mesma. Essencialmente, o ser humano é o mesmo, confuso em sua interpretação do que seria ético e preservaria a sua dignidade, sendo presa fácil da manipulação de fatos.

Aí chegamos no começo desta conversa e à observação indignada: "como é que nós permitimos isso, gente?" 

Podemos dizer que essa também não é uma pergunta inusitada e foi justamente essa indignação popular que registrou historicamente levantes e revoluções.
Mas por maior que seja a tendência em minimizar as mudanças no estabelecimento da dignidade humana, somos obrigados a admitir que pela primeira vez na história da humanidade- pelo menos na história conhecida da humanidade - há algo diferente, que se coloca frente aos acontecimentos gerados pelos grupos de poder e domínio político. Trata-se de um processo inverso ao domínio da comunicação da massa, cuja cartilha começa a mostrar rupturas e amassados.

Leis que são deturpadas e ignoradas pelo poder político, abastecido de muito dinheiro desviado do publico e privado, estão gradativamente sendo observadas pelo cidadão comum, em seu conflito com a necessária preservação da dignidade humana!

O abuso da manipulação está remexendo com as entranhas da sociedade, que, ainda sem racionalizar o sentimento, está estabelecendo o espírito crítico não apenas individual, mas também coletivo.
Podemos arriscar a seguinte conclusão: manipulados começam a conscientizar que são submetidos a uma falsificação de sua dignidade. Mesmo com o abuso da mentira nas redes e na grande mídia.(Mirna Monteiro)

 


Thursday, July 02, 2026

O PASSADO NOS PERTENCE



Devemos enterrar o passado em algum abismo da memória para criar uma nova vida ou recomeçar do zero?



Há quem acredite nisso. Mas veja bem, apagar o passado é equivalente a repetir não exatamente os acertos, mas os erros. Ora, apagamos o aprendizado! Dessa forma não evoluímos.

O que fazer com o passado? Devemos enfrenta-lo e entender as circunstâncias de fatos que não são fáceis de ser avaliados. Pode ser uma ação ou sentimento, não importa. O que realmente faz do passado um poderoso aliado do futuro é a capacidade de reconhecer os erros ou os sentimentos dolorosos. Para não perpetuar o sofrimento causado ou sofrido!

A quem interessa "enterrar o passado" como se fosse um corpo morto, quando na verdade ele está ocupando nosso inconsciente pessoal ou coletivo e interfere em nosso futuro? Apenas  pessoas que encaram os erros como algo "natural" e que não têm respeito pela vida acham que os crimes que provocam podem ser esquecidos de fato. 

A dor das experiências ao longo da vida, assim como o amor e afetividade, são preciosidades para moldar não apenas o caráter, mas nossa capacidade de entender o processo da existência. A capacidade em reconhecer erros ou a dor em fases da vida permite a superação desses fatos e o fortalecimento no  aprendizado da vida. Aprendizado que não acaba, mesmo no enfrentamento da morte.(Mirna Monteiro)