Na mitologia os deuses tinham um péssimo defeito: adoravam manipular os pobres mortais. Lá de cima do Olimpo, entre brancas nuvens e regados a néctar e ambrosia, combatiam o tédio inventando desafios ou mesmo benesses para alterar o destino da humanidade.
Bons ou malvados, os deuses gregos e romanos representavam qualidades e defeitos humanos. Os humanos, por outro lado, espelhavam-se nos deuses que adotavam como regentes de sua vida, fazendo orações, sacrifícios e erguendo monumentos para agrada-los e receber sua proteção!
A sociedade humana baseia a sua sobrevivência no poder da manipulação, que assim como o bem e o mal, também tem duas faces.
Se alguém aqui disser que nunca manipulou ou tentou manipular alguém ou determinada circunstância, estará certamente mentindo ou é extremamente desatento. Manipulamos sim, a todo instante, quando interferidos de maneira indireta na vida da família, dos amigos, do chefe no trabalho ou dos empregados.
Portanto a questão principal não é se somos ou não manipulados ou até que ponto obtemos sucesso com tentativas de manipulação, mas sim até que ponto somos manipulados ou manipulamos alguém!
Sempre houve, ao longo da história, uma preocupação crescente com a manipulação. E uma listagem enorme de crimes com esse objetivo.
Mas se a Bíblia serviu ao bem e ao mal, como nos tempos negros da Inquisição, governos autoritários destruíram livros com informações preciosas com o objetivo de manter o povo na ignorância.
O sujeito manipulado não tem consciência desse poder sobre sua mente, seus hábitos, seus pensamentos...Em contrapartida à maior informação, as técnicas para dominar tornaram-se aprimoradas. Uma das maneiras de manipulação envolve o inconsciente, com mensagens visuais e sonoras subliminares, que não são óbvias, mas lá estão em frações e velocidade imperceptíveis aos olhos, captadas pelo nosso cérebro e que permanecem no inconsciente humano tão poderosas como o grilo falante na cabeça de Pinóquio.
A investida naturalmente visa a massa, ou o coletivo, o mais poderoso "ser". Carl Jung defendia que o inconsciente coletivo - que seria transmitido as gerações posteriores, em uma herança natural, não deriva de experiências individuais, como o inconsciente individual, trabalhado por Freud, ainda que precise de experiências reais para se manifestar.
Erich Fromm observou outro aspecto, o "inconsciente social", que seria a experiência humana tornada inacessível pela sociedade repressiva. Assim a humanidade é presa fácil da repressão do meio cultural, aliada do novo poder de influência sobre o indivíduo na vivência dessa cultura, através de mensagens subliminares em textos, filmes, video-game e todo e qualquer recurso visual e sonoro!
Pergunta difícil de ser respondida... (Mirna Monteiro)












