Tuesday, February 17, 2026

O ESPELHO DISTÔNICO

 

Quando você olha no espelho, vê a mesma imagem que outras pessoas fazem de você? Se respondeu sim, é bom parar e observar muito bem a situação.
Quando outra pessoa olha para você, ela vai enxergar através do próprio prisma, considerando todas as expectativas, preconceitos, interesses, entre inúmeros outros fatores mentais e emocionais que podem interferir na sua avaliação.
Mas o problema não é a visão diferenciada das pessoas. O problema é aquilo que você imagina que será captado!

Esse é o drama a ser enfrentado na preocupação excessiva da imagem física. Uma pesquisa demonstrou que essa dificuldade de auto-percepção, aliada à preocupação em ser bem recebido pelo meio social, pode causar sérios danos à vida. Um deles é o risco de mortes de adolescentes e jovens por anorexia nervosa e bulimia. O outro é uma nova obsessão, a de realizar cirurgias plásticas e outras intervenções a ponto de ir mudando não apenas  detalhes físicos, como a própria personalidade. Em alguns casos o  resultado do exagero também é fatal; em outros transforma a pessoa em um ser com aparência artificial.

Uma em cada três pessoas tem imagem distorcida de si mesma, ainda que esteja com o peso ideal. Entre as mulheres, 31% com peso adequado se acham mais gordas do que deveriam. Curiosamente, entre os homens ocorre o oposto: 25% dos que tem peso adequado se acham mais magros do que deveriam ser...

Há como fugir desse esteriótipo? Difícil. A mídia cria o modelo, por exigência do mercado e os seres comuns do planeta correm atrás desse ideal de beleza.
É a escravidão mental que atinge a maioria das pessoas, independente do grau de instrução ou de sua condição econômica. Aparece na forma da insegurança emocional que recheia o medo de ser observado e julgado pelo meio.
É também um sintoma de que todos julgamos o mundo como se fossemos individuais e solitários!
De qualquer maneira a mulher sempre foi uma das maiores vitimas do modelo social, que eliminava com isso sua força política, ao resumi-la ao aspecto visual.
Na Grécia antiga Vênus de Milo mostrava um corpo feminino forte, sem os extremos exagerados que vemos entre a Renascença, onde a beleza feminina era traduzida em formas quase obesas e excessivamente arredondadas, e os espartilhos do século 19, que deixavam a “cintura de vespa”.  A Vênus aliás conseguiu vencer o tempo como um símbolo da beleza feminina...mesmo estando fora do padrão em muitas fases da história.
Engorda, emagrece, cintura fina, ombros largos e estufados...o corpo feminino já virou quadrado, retângulo, triângulo e trapézio! Pior foi o emagrecimento absoluto que começou a ganhar força após os anos 60, do século XX. As modelos eram tão magras e frágeis que pareciam bonecas.
Hoje a beleza da moda é o corpo magro e malhado, ornado de músculos. No início deste século XXI, onde as protuberâncias são obtidas com próteses e as gorduras sugadas em lipoesculturas e outros novos processos, pretende-se criar a "beleza perfeita"...Se é que isso é possível.  Perfeição artificial tornou o desejo de muitas pessoas, homens e mulheres. Só que o seu conceito ainda é discutível.

A verdade é que a mulher, ao longo da história, sempre foi tratada como objeto decorativo e sofreu pressões relacionadas aos “dotes físicos”. A culpa é da variedade de atributos físicos e de biotipos. Dependendo da época, um biotipo acertava o alvo.
Na Inglaterra do século XV as damas desejavam morrer ao constatar que não possuíam a pele alva o suficiente (apenas camponesas eram coradas), o corpo rechonchudo, a testa larga, olhos largos, cabelos claros (loiros ou ruivos), entre outras especificações, como pés delicados e mãos de seda.
Hoje as adolescentes ficam sem comer e vomitam por ver nas passarelas a magreza absoluta. Modelos têm corpo de eterna adolescente anoréxica, com pernas compridas e finas e corpo longilíneo o suficiente para tornar qualquer pano enrolado o máximo na arte da elegância.
Provavelmente em breve esse tipo cairá de moda. O que virá?
Afinal, o que é bonito e o que é feio? O que esperamos ao tentar nos metamorfosear constantemente? Todos sabemos que a diversidade do elemento humano impede a padronização de um determinado modelo. O que se perde ao se manter uma aparência equilibrada, sem os exageros do momento? A beleza da moda garante a harmonia em um relacionamento? Ou é aval da felicidade?

Para a feminista americana Nancy Wolf, a beleza não passa de uma invenção do homem para escravizar a mulher. Seria um sistema monetário, assim como o ouro. A anorexia seria um dano político causado às mulheres pela necessidade de manter o corpo magro e esbelto a qualquer preço.
Talvez essa seja uma visão extremamente radical, um tanto simplista, mas não deixa de ter algum sentido. Só que hoje não apenas a mulher, mas também o homem  é vítimas de um padrão ditado pela mídia.
A mania da magreza é, naturalmente, cultivada pelo meio cultural e atinge mais intensamente o sexo feminino, embora o padrão de beleza moderno também tenha como alvo o sexo masculino, como "necessidade de mercado". Mas seres humanos não podem ser tratados como mercadoria descartável, ou “modificável”.
Talvez o mundo devesse exigir que as modelos nas passarelas fossem tão diversificadas fisicamente como as criações que vestem. Caso contrário correremos o risco de perder, no futuro, a essência da beleza humana, transformada em seres com aparência alienígena, verdadeiros ciborgs da tecnologia estética.
(Mirna Monteiro)

Tuesday, February 03, 2026

TROMBETAS E BUZINAS DO APOCALIPSE

 

Se existe um assunto que é motivo de discussão cada vez mais frequente, esse é o o final dos tempos. Nunca antes o Apocalipse foi tão citado. Com ou sem conhecimento do texto do Livro das Revelações, ou o último livro do Novo Testamento.

Não importa se o comentário vem de alguém com conhecimento das profecias que descrevem a luta final entre o Bem e o Mal ou de leigos impressionados com a velocidade dos acontecimentos neste terceiro milênio. 

A humanidade estará no "fim da linha"? E quem ou o que permanecerá por aqui? 

A quem acredite que o ser humano abriu uma "caixa de pandora" chamada Inteligência Artificial. 

Com sua mania de ser algum deus ou quem sabe por puro  engano, a tecnologia controlada que repassa o conhecimento humano e sua criatividade, entre outras coisas, está ganhando vida própria. Como assim? Ora, a inteligência artificial que teoricamente é dominada pelo ser humano, servindo como um fantástico sistema para simular o pensamento humano,  e com maior capacidade que ele próprio para registrar informações, raciocinar, planejar, resolver problemas, enfim, muito mais, está começando a achar que não precisa mais do fator humano! 

As respostas de agentes de IA a perguntas sobre a humanidade está assombrando a ciência. Quanto mais os humanos criam sistemas de evolução da IA, mais ela aprende e começa a ir além das tarefas programadas.  Existe o tal aprendizado profundo, o chamado "Deep Learning", onde as máquinas utilizam redes neurais artificiais para simular o funcionamento do cérebro humano, sendo base para reconhecimento de voz e imagem. 

Em resumo, a humanidade poderia muito bem manter a IA limitada, aquela dos nossos sistemas que é treinada para tarefas específicas. Mas não, estamos atravessando um limite perigoso, conforme alertam especialistas. 

Uma prova é a disseminação de desinformação. IA é uma grande aliada da manipulação. Ou perder seu emprego para o sistema inteligente. Ou ainda, correr ricos de segurança cibernética. Sua privacidade acaba e ainda há perigo de sistemas autônomos tomarem decisões sem supervisão humana. 

Pode ser prematuro ainda todo esse risco, mas não é fantasia. É realidade!




Thursday, January 15, 2026

O MEDO DE VIVER E CONVIVER

 

 Mirna Monteiro


Sentir medo até certo ponto é natural. Se não tivéssemos a percepção do perigo não poderíamos preservar a vida.

Se estivermos em uma situação de risco ou que simula um risco - como uma montanha-russa por exemplo- sabemos que o mecanismo físico do receio vai fazer com que nosso cérebro provoque uma descarga poderosa de adrenalina para aliviar o corpo desse estresse momentâneo...
Até aí, tudo bem. No entanto quando passamos a sentir medo de situações ou momentos que não conseguimos definir ou racionalizar, nossa capacidade de defesa pode ficar comprometida. Seria o medo irracional, lesivo à sociedade,  pois dá origem a distorções que retornam como as ondas em uma praia. Não se trata de estados alterados, originados por alguma patologia, como a violência psicopata, mas de omissões imiscuídas no nosso dia a dia, de maneira quase imperceptível. É o medo de manifestar uma opinião, de expressar-se, de reclamar, de exigir direitos que são importantes para a manutenção da vida! É a necessidade de recolher-se, encolhendo-se e até mesmo anulando-se, vaporizando-se. O que acontece?
O problema do medo exagerado é o isolamento gradual da realidade, a ponto de atrapalhar o próprio senso de preservação. Um tipo de sensação negativa que vai além do receio de situações de risco, do ataque de um animal ou da agressão de um semelhante.
Há medo evidente de participar da vida e interagir com o meio. Ou seja, perde-se o "ponto" que justifica nossa própria existência.
Elimina-se assim, infelizmente, a nossa capacidade de vivenciar e sentir o prazer do contato humano, já que qualquer um, em qualquer circunstância, representa uma ameaça.
Atuar torna-se um risco e as pessoas evitam até mesmo opinar e exigir respeito às mais elementares regras de convivência.
"Imagine se vou reclamar em um restaurante...vão cuspir no próximo prato"..."Não se pode criticar o site de relacionamento, vai que acabe "sumindo" todos os meus dados e amigos"..."Como vou reclamar de diferenças no preço?...Vão pensar que estou contando meus trocados"...
Pior quando o medo se esconde atrás de uma capa de indiferença. "Eu não vou reclamar porque não adianta mesmo". Ou pelo receio da crítica, de ser alvo das atenções ou de ter de manter um compromisso com a situação após o episódio.
Quem age assim antecipa por conta própria a situação de risco. O funcionário que "cospe no prato" de um cliente que reclamou algum direito está lá, existe, ou foi criado? Como se pode viver partindo do pressuposto de que todas as pessoas que preparam ou servem os pratos cometem um ato assim, que é criminoso, apesar de servir de piadas!
Críticas e reclamações e a inconformação com  situações artificiais e ameaçadoras podem ser extremamente positivas para melhorar serviços e garantir o cumprimento de leis e da cidadania. A sociedade precisa aprender a ouvir e realizar críticas que possuem fundamento.
Como vivemos em um mundo de extremos, convém lembrar que reclamar sem motivo é tão ruim quanto a omissão. Para saber se exercitamos um direito saudável é só avaliar a situação naquele momento: é um tipo de distorção que pode afetar o conjunto social?
Também devemos lembrar que "o outro" nem sempre é o vilão da história. E verificar se nossa tentação de omitir-se a exercer a cidadania de maneira equilibrada, sem agressão, mas com firmeza, não está partindo de uma insegurança excessiva, ou da necessidade de aprovação constante, por recear criticas!
Atitudes de rejeição e agressividade também são uma demonstração de medo e ansiedade de autopreservar-se e não de princípios...
Há exemplos mais dramáticos do que uma cuspida. O risco que passamos quando nosso semelhante temeroso e confuso tem uma arma na mão ou dirige um veículo que se transforma em uma máquina de destruição. Não basta olhar para os dois sentido ao atravessar uma via, já que um bêbado não distingue o asfalto da avenida daquela calçada cheia de pedestres. Tampouco o segurança da agência bancária ou do shopping pode ser confiável, já que um descontrole súbito pode disparar uma arma, que por sua vez pode ir parar nas mãos de uma criança que a leva para a escola com a finalidade de impressionar os coleguinhas ou confundir a ficção com a realidade.
Politicamente temos de assumir uma atitude de equilíbrio. Visceralmente dependemos do controle de nossos instintos primários para respirar no ambiente social. Vivemos em comunidade e partilhamos esse meio. É onde encontramos a sobrevivência. Dizer que se vive só é irreal. Apenas viveríamos sós se fossemos isolados em uma ilha feita de rocha. Não há sobrevivência na vivência estéril. É preciso reconhecer o valor do meio social e contribuir para que haja maior garantia de convivência pacífica. (M M)

Thursday, March 06, 2025

Fim do mundo

Mirna Monteiro 

Em todos os lugares, nas conversas ao vivo ou bombando nas redes, o principal tema tem sido o receio de que este mundo esteja prestes a virar pozinho. O apocalipse está batendo às portas deste planeta, dizem por aí. 





Argumentos não faltam: interpretação de registros bíblicos e de outras escrituras consideradas sagradas, das ameaças ao meio ambiente e mudanças climáticas, do envenenamento do ar, dos alimentos que o Agro produz, de vírus poderosos em organismo humano cada vez mais debilitado pelo sistema de vida, da ameaça da fome, do uso da IA ou inteligência artificial para controle da sociedade e de chips que substituiriam as tatuagens numeradas que o nazismo marcava no braço de prisioneiros que faziam fila para os crematórios no holocausto. 

E tem mais: com figuras estranhamente ditadoras, como Trump e Musk, comandando política de um país com histórico de imperialismo, pressionando outras grandes potências  mundiais, como a China, Rússia, Coreia e Arábia, e outros países europeus e latinos, o receio é uma terceira guerra mundial, bombástica e destruidora, porque ninguém pode prever até que ponto uma tecnologia de guerra tão poderosa vai passar de chantagem econômica para ataques reais e, como se diz, fazer a raça humana ser extinta ou virar poeira!



E agora?

Uma coisa é certa: mesmo que a tecnologia nuclear esteja de prontidão, nem mesmo ditadores arriscariam chegar a esse ponto. Afinal,  psicopatas preferem matar e destruir, mas não suicidar-se...

O maior risco, portanto, talvez nem esteja no poder de ogivas nucleares, mas na lenta destruição da humanidade. Nos agrotóxicos presentes na agricultura e nas carnes, no circulo vicioso dessa agressão nos medicamentos criados pelos laboratórios presentes nos protocolos de uma medicina fria e calculista, em vírus cultivados não para proteger a imunidade, mas para arrasar em epidemias em centros urbanos saturados.

Nos bombardeios químicos que mudam o clima e que vaporizam áreas urbanas causando maior fragilidade no organismo humano.

Na tecnologia dos aparelhos celulares, na radiação, nas ondas de frequência que desorganizam a capacidade do cérebro em distinguir o que é real ou imaginário, no olho grudado em telas que afetam a cognição e criam robozinhos humanos...que certamente não serão páreo para a danadinha da inteligência artificial. 


Já conversou seriamente com o ChatGPT?

É claro que a IA tem seus limites nos seus tipos, mas a  IA autoconsciente preocupa  o mundo. Depois, com a humanidade perdendo capacidades múltiplas  da sua inteligência, fica fácil para a IA dominar .

E então?      















Monday, January 27, 2025

O medo de conviver

 Mirna Monteiro


Sentir medo até certo ponto é natural. Se não tivéssemos a percepção do perigo não poderíamos preservar a vida.

Se estivermos em uma situação de risco ou que simula um risco - como uma montanha-russa por exemplo- sabemos que o mecanismo físico do receio vai fazer com que nosso cérebro provoque uma descarga poderosa de adrenalina para aliviar o corpo desse estresse momentâneo...
Até aí, tudo bem. No entanto quando passamos a sentir medo de situações ou momentos que não conseguimos definir ou racionalizar, nossa capacidade de defesa pode ficar comprometida. Seria o medo irracional, lesivo à sociedade,  pois dá origem a distorções que retornam como as ondas em uma praia. Não se trata de estados alterados, originados por alguma patologia, como a violência psicopata, mas de omissões imiscuídas no nosso dia a dia, de maneira quase imperceptível. É o medo de manifestar uma opinião, de expressar-se, de reclamar, de exigir direitos que são importantes para a manutenção da vida! É a necessidade de recolher-se, encolhendo-se e até mesmo anulando-se, vaporizando-se. O que acontece?
O problema do medo exagerado é o isolamento gradual da realidade, a ponto de atrapalhar o próprio senso de preservação. Um tipo de sensação negativa que vai além do receio de situações de risco, do ataque de um animal ou da agressão de um semelhante.
Há medo evidente de participar da vida e interagir com o meio. Ou seja, perde-se o "ponto" que justifica nossa própria existência.
Elimina-se assim, infelizmente, a nossa capacidade de vivenciar e sentir o prazer do contato humano, já que qualquer um, em qualquer circunstância, representa uma ameaça.
Atuar torna-se um risco e as pessoas evitam até mesmo opinar e exigir respeito às mais elementares regras de convivência.
"Imagine se vou reclamar em um restaurante...vão cuspir no próximo prato"..."Não se pode criticar o site de relacionamento, vai que acabe "sumindo" todos os meus dados e amigos"..."Como vou reclamar de diferenças no preço?...Vão pensar que estou contando meus trocados"...
Pior quando o medo se esconde atrás de uma capa de indiferença. "Eu não vou reclamar porque não adianta mesmo". Ou pelo receio da crítica, de ser alvo das atenções ou de ter de manter um compromisso com a situação após o episódio.
Quem age assim antecipa por conta própria a situação de risco. O funcionário que "cospe no prato" de um cliente que reclamou algum direito está lá, existe, ou foi criado? Como se pode viver partindo do pressuposto de que todas as pessoas que preparam ou servem os pratos cometem um ato assim, que é criminoso, apesar de servir de piadas!
Críticas e reclamações e a inconformação com  situações artificiais e ameaçadoras podem ser extremamente positivas para melhorar serviços e garantir o cumprimento de leis e da cidadania. A sociedade precisa aprender a ouvir e realizar críticas que possuem fundamento.
Como vivemos em um mundo de extremos, convém lembrar que reclamar sem motivo é tão ruim quanto a omissão. Para saber se exercitamos um direito saudável é só avaliar a situação naquele momento: é um tipo de distorção que pode afetar o conjunto social?
Também devemos lembrar que "o outro" nem sempre é o vilão da história. E verificar se nossa tentação de omitir-se a exercer a cidadania de maneira equilibrada, sem agressão, mas com firmeza, não está partindo de uma insegurança excessiva, ou da necessidade de aprovação constante, por recear criticas!
Atitudes de rejeição e agressividade também são uma demonstração de medo e ansiedade de autopreservar-se e não de princípios...
Há exemplos mais dramáticos do que uma cuspida. O risco que passamos quando nosso semelhante temeroso e confuso tem uma arma na mão ou dirige um veículo que se transforma em uma máquina de destruição. Não basta olhar para os dois sentido ao atravessar uma via, já que um bêbado não distingue o asfalto da avenida daquela calçada cheia de pedestres. Tampouco o segurança da agência bancária ou do shopping pode ser confiável, já que um descontrole súbito pode disparar uma arma, que por sua vez pode ir parar nas mãos de uma criança que a leva para a escola com a finalidade de impressionar os coleguinhas ou confundir a ficção com a realidade.
Politicamente temos de assumir uma atitude de equilíbrio. Visceralmente dependemos do controle de nossos instintos primários para respirar no ambiente social. Vivemos em comunidade e partilhamos esse meio. É onde encontramos a sobrevivência. Dizer que se vive só é irreal. Apenas viveríamos sós se fossemos isolados em uma ilha feita de rocha. Não há sobrevivência na vivência estéril. É preciso reconhecer o valor do meio social e contribuir para que haja maior garantia de convivência pacífica. (M M)

Saturday, January 25, 2025

Medo de viver!



Criminalidade, malucos no poder provocando genocídios, confusão humana diante do poder da inteligência artificial, terras sendo incendiadas e inundadas, a natureza provocando um novo ciclo perigoso ... o que mais?

A tensão e o medo parecem um rastilho de pólvora: se espalham em uma velocidade impressionante sobre as pessoas, no mundo todo. Quem não ouve de pessoas conhecidas ou nas redes sociais o  medo espremendo a vida?

"Ontem eu quase morri de medo com a chuva em São Paulo. Parecia que o céu ia cair, parecia o fim do mundo!" Outro desabafo: "Caraca, eu só vejo desgraça, acho que não chego aos 40 anos!". Ou talvez você tenha ouvido algo assim: "Não tenho vontade de sair de casa e quando faço isso parece que estou enfrentando perigo o tempo todo"...ou "acordo todo dia de madrugada, tenso, muito angustiado. No dia seguinte estou um caco, não trabalho direito porque minha mente não ajuda".

E você, qual a intensidade de seu medo de viver ou em viver? 

Esse estado de tensão foi aumentando nas últimas décadas. Talvez seja proposital. Pessoas apavoradas não pensam sobre a origem dos problemas, ficam fixadas na superfície, em desespero, como alguém em algum oceano que tenta manter-se à tona sem saber nadar. 

Isso não resolve nada. Apenas enchem os consultórios de psiquiatras e terapeutas, seguindo protocolos que usam drogas que amortecem o medo de viver, mas não resolve as ameaças do sistema ou da natureza.

É bom abrir os olhos para a realidade!

Thursday, January 16, 2025

O PODER QUE FRAGILIZA VOCÊ

Devemos pensar sobre o que vem acontecendo com a perda do senso de comunidade. A partir da célula familiar, que se desgasta, até a vida comunitária que é  cada vez mais rara no contato físico, vivemos outra condição perigosa: a perda da identidade e o poder de gerenciar a própria vida.
 Isso equivale a entregar todas as decisões da vida pessoal ou comunitária, até global, a um sistema que é identificado como beneficiador, mas que na verdade vai minando a percepção do futuro. 

Hoje fala-se muito no sionismo. Principalmente depois da violência de Israel sobre a Palestina, com aval e armas dos EUA. O que acontece com o mundo que reage em câmera lenta aos apelos da população de Gaza.

A estratégia sionista é desqualificar o adversário ou aquele que precisa ser subjugado. Para isso utiliza o caos social para desestruturar sua base.

Um exemplo fácil, considerando a crise na estrutura familiar: a desestruturação do  núcleo familiar afeta a comunidade, o país e o globo. Todas as espécies do planeta apenas sobrevivem com estruturas de apoio, sejam arvores com suas raízes, formigas ou seres humanos em sua comunidade. 

Com o avanço da extrema direita ou sionismo, o que acontece na estrutura familiar no mundo é a mesma estratégia de desmonte dos valores que fortalecem a união familiar. 

Pode ser a criação de um mito onde a criança ou o adolescente precisam ser mais "autônomos" e "pensar com a própria cabeça" desprezando os valores familiares...enquanto acaba adotando ideologias maliciosas, na confusão das redes sociais ou em cultos que seriam "salvadores" do enfraquecimento emocional e moral, causados pela perda dos valores da comunidade familiar. 

Isso foi utilizado durante o nazismo  na Alemanha, onde os jovens eram distanciados da influência familiar e doutrinados nos núcleos educacionais da "juventude hitlerista". A lavagem cerebral na época era limitada a essa "educação", mas fez enormes estragos na estrutura familiar, onde os próprios filhos eram orientados a denunciar os pais e familiares que não se submetiam ao nazismo.

Hoje a lavagem cerebral dos jovens funciona da mesma maneira não apenas em cultos e escolas, mas nas redes sociais. O objetivo  é estimular o desligamento da família e, portanto, da realidade política.

Se a estratégia do sionismo é desacreditar figuras fortes que mantém a democracia, isso ocorre a partir da família, onde os genitores passam a ser desmoralizados pelos próprios filhos. Com a estrutura familiar corroída de fora para dentro, os pais são relegados apenas ao papel de subsistência dos filhos, que absorvem ordens externas que tem a finalidade de servir ao sistema, mas não preenchem a necessidade da afetividade e dos valores familiares.

Mate a rainha, interfira na ordem do formigueiro e as formigas entram em pânico e e se tornam presas fáceis de predadores.

Desacredite a função dos pais, avós e outros familiares com experiência de vida, crie o caos familiar, crie o  mito  de que todos os filhos devem renegar o peso das tradições que unem a família,  que saiam de casa o mais precocemente possível e esse conjunto leva ao rompimento da estrutura familiar;

Como consequência o isolamento das pessoas enfraquece toda a comunidade. Não são apenas riscos do consumo de drogas, do aumento de suicídios, da vulnerabilidade ao poder de cultos que dominam pensamentos e ações das pessoas solitárias e desesperadas. O risco é a perda gradativa dos valores que sustentam a força de uma comunidade, que se espalha como um câncer e afeta todo um país, onde o cidadão não sabe distinguir o que é democracia, em contrapartida com governos que dominam sua liberdade, extraindo sua capacidade de pensamento.


Sunday, November 26, 2023

GUERRA, PAZ E FUTURO

 

Nos velhos tempos erguia-se a clave, o machado, a espada! E entre conquistas e perdas, as civilizações se recuperavam. As guerras sempre foram horrendas e sangrentas, mas pelo menos eram resumidas ao perímetro de suas batalhas e as vidas perdidas viravam adubo da terra. 

E hoje...bem, hoje o medo da guerra não é subjetivo, nem relativo. Uma guerra não fica mais circunscrita, não se desenrola em um espaço distante, não envolve apenas dois povos ou batalha de soberania de um ou outro. Envolve o mundo todo! 

A distância entre os países não existe mais. Primeiro pela miscigenação cultural, pelo contato direto através do mundo virtual, que desconhece distâncias geográficas e comprova que pessoas não são alienígenas,  são pessoas em qualquer espaço do planeta. Segundo porque o mundo é economicamente e interdependente, cada vez mais. Interdependente também em outros fatores, como o climático e o controle de doenças mortais.

Mas temos um outro fator definitivo no cuidado com guerras: a dimensão do poder bélico e o poder das armas nucleares. 

Ignorar a importância de controlar conflitos e evitar guerras é expor-se à vulnerabilidade em qualquer lugar deste mundo. Não adianta esconder-se em bunkers ou correr para algum mosteiro no Himalaia. uma bomba nuclear não afeta apenas um espaço, mesmo se controlada em sua dimensão de destruição. Seus efeitos indiretos atingem a atmosfera do planeta, que já vai muito mal com a emissão de gases e venenos na terra e água.

Quem não teme a guerra certamente possui uma mente psicopata. Talvez acredite poder dominar o poder mundial, escravizando quem sobrar de um holocausto nuclear ou de drones assassinos, como nos filmes classe B de ficção científica.


 
O que acontece na casa do vizinho, hoje, é da conta de todos. Se não existe mais privacidade individual, não existe também isolamento possível. O que acontece em outras nações, quando envolve um risco ao resto do mundo, é da conta do mundo todo, não simplesmente pela interdependência econômica, mas principalmente pela letalidade das ações, seja no equilíbrio ecológico, seja na ameaça do crescimento dos conflitos.
 




Thursday, November 09, 2023

O MEDO DE VIVER

 

Sentir medo até certo ponto é natural. Se não tivéssemos a percepção do perigo não poderíamos preservar a vida.

Se estivermos em uma situação de risco ou que simula um risco - como uma montanha-russa por exemplo- sabemos que o mecanismo físico do receio vai fazer com que nosso cérebro provoque uma descarga poderosa de adrenalina para aliviar o corpo desse estresse momentâneo...
Até aí, tudo bem. No entanto quando passamos a sentir medo de situações ou momentos que não conseguimos definir ou racionalizar, nossa capacidade de defesa pode ficar comprometida. Seria o medo irracional, lesivo à sociedade,  pois dá origem a distorções que retornam como as ondas em uma praia. Não se trata de estados alterados, originados por alguma patologia, como a violência psicopata, mas de omissões imiscuídas no nosso dia a dia, de maneira quase imperceptível. É o medo de manifestar uma opinião, de expressar-se, de reclamar, de exigir direitos que são importantes para a manutenção da vida! É a necessidade de recolher-se, encolhendo-se e até mesmo anulando-se, vaporizando-se. O que acontece?
O problema do medo exagerado é o isolamento gradual da realidade, a ponto de atrapalhar o próprio senso de preservação. Um tipo de sensação negativa que vai além do receio de situações de risco, do ataque de um animal ou da agressão de um semelhante.
Há medo evidente de participar da vida e interagir com o meio. Ou seja, perde-se o "ponto" que justifica nossa própria existência.
Elimina-se assim, infelizmente, a nossa capacidade de vivenciar e sentir o prazer do contato humano, já que qualquer um, em qualquer circunstância, representa uma ameaça.
Atuar torna-se um risco e as pessoas evitam até mesmo opinar e exigir respeito às mais elementares regras de convivência.
"Imagine se vou reclamar em um restaurante...vão cuspir no próximo prato"..."Não se pode criticar o site de relacionamento, vai que acabe "sumindo" todos os meus dados e amigos"..."Como vou reclamar de diferenças no preço?...Vão pensar que estou contando meus trocados"...
Pior quando o medo se esconde atrás de uma capa de indiferença. "Eu não vou reclamar porque não adianta mesmo". Ou pelo receio da crítica, de ser alvo das atenções ou de ter de manter um compromisso com a situação após o episódio.
Quem age assim antecipa por conta própria a situação de risco. O funcionário que "cospe no prato" de um cliente que reclamou algum direito está lá, existe, ou foi criado? Como se pode viver partindo do pressuposto de que todas as pessoas que preparam ou servem os pratos cometem um ato assim, que é criminoso, apesar de servir de piadas!
Críticas e reclamações e a inconformação com  situações artificiais e ameaçadoras podem ser extremamente positivas para melhorar serviços e garantir o cumprimento de leis e da cidadania. A sociedade precisa aprender a ouvir e realizar críticas que possuem fundamento.
Como vivemos em um mundo de extremos, convém lembrar que reclamar sem motivo é tão ruim quanto a omissão. Para saber se exercitamos um direito saudável é só avaliar a situação naquele momento: é um tipo de distorção que pode afetar o conjunto social?
Também devemos lembrar que "o outro" nem sempre é o vilão da história. E verificar se nossa tentação de omitir-se a exercer a cidadania de maneira equilibrada, sem agressão, mas com firmeza, não está partindo de uma insegurança excessiva, ou da necessidade de aprovação constante, por recear criticas!
Atitudes de rejeição e agressividade também são uma demonstração de medo e ansiedade de autopreservar-se e não de princípios...
Há exemplos mais dramáticos do que uma cuspida. O risco que passamos quando nosso semelhante temeroso e confuso tem uma arma na mão ou dirige um veículo que se transforma em uma máquina de destruição. Não basta olhar para os dois sentido ao atravessar uma via, já que um bêbado não distingue o asfalto da avenida daquela calçada cheia de pedestres. Tampouco o segurança da agência bancária ou do shopping pode ser confiável, já que um descontrole súbito pode disparar uma arma, que por sua vez pode ir parar nas mãos de uma criança que a leva para a escola com a finalidade de impressionar os coleguinhas ou confundir a ficção com a realidade.
Politicamente temos de assumir uma atitude de equilíbrio. Visceralmente dependemos do controle de nossos instintos primários para respirar no ambiente social. Vivemos em comunidade e partilhamos esse meio. É onde encontramos a sobrevivência. Dizer que se vive só é irreal. Apenas viveríamos sós se fossemos isolados em uma ilha feita de rocha. Não há sobrevivência na vivência estéril. É preciso reconhecer o valor do meio social e contribuir para que haja maior garantia de convivência pacífica. (M M)

Sunday, April 29, 2018

O MITO DO EMPODERAMENTO

Aos 20 anos de idade, B. fez um discurso apaixonado sobre o empoderamento feminino. As mulheres conquistam seu espaço, ressaltou. A mulher reúne qualidades e força para transformar o mundo! As mulheres vêm vencendo barreiras da desigualdade, ocupando seu lugar de liderança, provando que é um ser capaz, na política, nas finanças, nos negócios, como advogadas, magistradas, executivas, cientistas, astronautas, fisiculturistas, e até mesmo amantes de seu próprio sexo.

Existe alguma coisa que a mulher não tenha o poder de conseguir com essa mentalidade da  "força feminina"?

Tem sim: autonomia e poder de fato !

Antes da indignação das mulheres empoderadas em nosso tempo, vou argumentar essa observação. Empoderamento. da mulher, do negro, dos homossexuais, enfim, de minorias ou maiorias sufocadas pelo sistema, não pode acontecer de maneira isolada. Ou teremos como resultado apenas maior escravidão ao sistema.

A capacidade feminina e sua força sempre existiram. O poder também sempre existiu. Não haveria história se não fosse assim. Mas a submissão  histórica ao longo da civilização, onde a força de poderosos dependia da insegurança da massa, não e diferente nesta fase de "empoderamento" tão supervalorizado.

O que é a mulher  "empoderada"?
A resposta certamente será "ser independente, trabalhar  e pagar as contas, não ficar presa às amarras do lar, não ficar submissa ao machismo e acabar com ele, usufruir da igualdade de gêneros (outro termo facilmente deturpado pelo conservadorismo), escolher sem interferência se quer ter filhos ou não, casar ou não, com homem ou não, usar saia ou calça, exibir seios ou ficar careca"...

Enfim! Isso já é realidade faz tempo. Não prova poder algum! È na verdade a prova da escravidão ao sistema , porque  a mulher tem tudo isso. Mas é espancada e assassinada, completamente  fragilizada; e obrigada a trabalhar em jornadas duplas ou triplas, enquanto seus filhos são doutrinados pelo sistema, através da mídia como filmes, jogos e televisão, que cria futuros cidadãos submissos ao mesmo sistema que sempre oprimiu a mulher.

Não existe empoderamento da mulher sem que sejam consideradas questões políticas e sociais. Estamos criando um falso empoderamento. E há quem acredite que "é apenas uma questão cultural"...ah, questão meramente cultural?

Uma ova!

Nós temos "mulheres empoderadas" ocupando cargos de decisões politicas ou judiciais que anulam todos os supostos avanços na luta por direitos sociais e que, portanto, aumentam os índices de violência contra a própria mulher!

É para isso que o movimento de "empoderamento da mulher" está servindo: para criar monstros enlatados, que não têm compromisso algum com o combate à coisificação feminina e cuja única relação que possuem com a figura da mulher consciente e defensora da vida são as saias!

O mesmo sistema que prega  o "empoderamento da mulher" é aqueles que usa mulheres como objeto de marketing politico, social e cultural. Estamos vivendo a era da "mulher tresloucada" e idiotizada,

Essa mulher defende golpes de Estado e compactua com a corrupção sistêmica, com a miséria e que fica calada quando mulheres de verdade são ofendidas nas ruas ou em plenários, que se dizem "conservadoras" e agem  sustentadas pela mesma mentalidade que escraviza a mulher. São imbuídas de um poder fictício, como marionetes, e não são em absoluto exemplo da força e da inteligência feminina, que como geradora não se conforma com o desequilibrio dos extremos.

O poder da mulher está acima de falsos "empoderamentos" que interessam ao sistema. Mulher não disputa o mercado, e feita para gerar, não  vota, deve ser submissa... A não ser que haja necessidade de sua mão de obra em tempos de guerra e escassez de homens no mercado, que haja população demais para mulheres gerarem, quando então o próprio sistema incentiva a queima de soutiens  e estimula sua convicção para que seja fuzileira e aprecie metralhar pessoas. A mulher deve ser santa e pura, a não ser que o sistema dependa de sua promiscuidade...e por ai vai! Guerra dos sexos? O buraco é mais embaixo. Como tudo na vida.

Precisamos entender melhor esses "avanços femininos" e esse empoderamento escravizador! A verdadeira força da mulher não é ainda conhecida (ou foi esquecida) nessa fantasia empoderada que fecha a cortina para os abusos ao ser feminino, enquanto nos bastidores  da sociedade usa de todos os meios para  o seu enfraquecimento. (Mirna Monteiro)