Thursday, July 16, 2026

A MATANÇA

 


A ocorrência de feminicídios aumenta a cada dia! O que está acontecendo  é uma "disputa de poder" ou "ódio ao sexo feminino"? 

Talvez a pergunta a seer feita seja esta: podemos tratar cada ameaça à vida de maneira isolada? Buscando causas nos galhos e ignorando a raiz da violência?

É espantoso o numero de mulheres que são assassinadas no mundo todo! Estatisticamente, calcula-se que a cada dez minutos, uma mulher é vítima e pelo menos 60% dos assassinatos tem autoria de pessoas próximas, como o companheiro. E  o Brasil ocupa a quinta posição no mundo como o país que mais mata mulheres.

Mas é espantosa também a ameaça à vida de crianças e adolescentes! Uma média de 13 a 29 crianças e adolescentes são assassinados por dia no Brasil! Em torno de 5 mil vítimas fatais por ano!

Por que isso está acontecendo?

A grave questão da violência contra a mulher não pode ser discutida e controlada sem discutir a violência contra a criança e o interesse político em uma sociedade desorganizada. Porque não são assuntos distintos, mas indelevelmente ligados a um fator: o desprezo pela vida, a ausência de valores éticos e a precarização da Justiça em todo o mundo. 

Vivemos em uma sociedade global que tende a normalizar violência extrema.  A omissão estimula armas e invasões de soberanias, cria guerras sem base real para exterminar a população civil, assassinando crianças e mulheres que não tem como se defender!

Devemos reconhecer que o mundo, hoje, distingue cada vez menos culturas e globaliza experiências e comportamentos. A tal ponto que opiniões e ações claramente psicopatas e destrutivas não são eliminadas pelo crivo crítico de grande parte das pessoas. 

Nossa sociedade atua com interpretações convenientes das leis. Ora, o marido que mata a mulher acaba com punição branda, mesmo que a pena seja pesada. Ainda que feminicídio seja classificado como crime hediondo há mais de dez anos, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão,  a maioria cumpre um terço de sua pena e vai para o regime aberto. Mas convém lembrar que a violência não tem idade, nem sexo. A psicopatia não tem gênero! Suzane Von Richthofen, planejou e ajudou a executar a morte dos pais, foi condenada a quase 40 anos de prisão, mas passou para regime aberto após 20 anos, assim como Elize Matsunaga, que fez picadinho do marido em 2012 e está em liberdade condicional desde 2022...

Criminosos homens, que parecem normais, matam mulheres desavisadas, que não atentam aos sinais de psicopatia do companheiro, assim como estupram e matam crianças, enquanto mulheres criminosas também matam seus companheiros, seus filhos! E filhos adultos também matam seus pais! 

Sem querer equiparar crimes, a verdade é que o maior desafio deste tempo é controlar criminosos que assumem papeis diferentes, de marido, de pais, de mães, mas que são feitos de um mesmo material violento e nocivo, que desabrocham em ambientes conturbados e sem o freio da ética e da punição severa.

Homens e mulheres podem ser assassinos perigosos. Nem sempre com uma arma nas mãos, mas até politicamente, quando incentivam propostas que matam pessoas, como o aumento da miséria, o uso de venenos perigosos nas plantações, ou que enfraqueçam leis ou permitam que inocentes sejam alvo de uma polícia criada no molde de um sistema exterminador.

É exatamente isso, a impunidade permite que psicopatas ou descerebrados atuem politicamente criando ambiente contrário à vida humana.

Há mais um fator a ser considerado na agressão à mulher. Não se trata de simples "disputa de poder" entre macho e fêmea, mas de adaptação ao sistema e equilíbrio. Nos tempos primitivos, quem ditava as regras era a mulher, nos bastidores da família. Cabia a ela estimular a visão do mundo e entendimento do meio aos filhos, enquanto o homem lidava com o ambiente externo e trazia o almoço e o jantar.  Na atual sociedade a mulher assumiu o papel de provedor, mas o homem não mudou. Esse fato trouxe à tona um crescente movimento de "machos alfa", que pressiona culturalmente os homens e cria conflitos que levam a maior dificuldade  na relação familiar

A violência contra a mulher, portanto, não é um fato isolado, mas parte da influência que determina o nosso ambiente familiar, cultural, social e econômico, que está criando monstros, porque isso convém ao sistema de poder que se alimenta do comportamento agressivo. Como é possível combater infanticídio ou feminicídio ou assassinatos (são quase 20 casos de mortes violentas por 100 mil habitantes), quando a  violência extrema parece ficção hollywoodiana? (Mirna Monteiro)


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https://leiamirna.blogspot.com/2011/02/sete-segundos-e-nova-agressao-mulher.html