Tuesday, May 17, 2011

O MAL DISFARÇADO

Entre as distorções humanas, uma das mais graves e impressionantes é a pedofilia. A pergunta mais frequente é esta: o que leva um adulto a aproveitar-se da fragilidade de uma criança para cometer um abuso, com ou sem aparente violência?
A ciência tenta explicar essa ação, que afinal não é nova. Por toda a história da humanidade crianças foram vítimas de violência. Mas as regras morais criadas pela sociedade organizada permitiu uma teia protetora, que se não impedia ações criminosas contra a criança, pelo menos dificultava e tornava a prática menos comum.
Hoje, no século XXI, parece que retrocemos ao tempo dos bárbaros: os casos de agressões à criança, com ou sem violência sexual, aumentam. Os casos de psicopatia são mais diversificados também e podem incluir os casos em que mães que acabam de gerar tentam livrar-se de seus recém-nascidos de maneira chocante. No caso da agressão sexual chega-se a uma conclusão sobre as causas desse ato criminoso: todo pedófilo é um psicopata, embora nem sempre o psicopata seja um pedófilo!
Por que o pedófilo é um psicopata, em menor ou maior grau? Pela ausência de sentimentos. Uma pessoa que submete uma criança ao abuso sexual ou a outras formas de violência não consegue sentir o sofrimento infringido a ela. Caso contrário jamais faria isso, pois a natureza humana tem a tendência a proteger o semelhante indefeso. Omissão ou sadismo são situações deturpadas e indicam intolerância ou rejeição ao meio, entre outros problemas.
Nos últimos tempos a psicopatia tem sido a analisada de todas as formas. A falta de freio moral tornou a sociedade humana mais sujeita às distorções causadas pelos indivíduos com esse transtorno.

O psicopata é considerado um indivíduo altamente perigoso. De uma maneira geral entende-se que a caracte­rística essencial do psicopata é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos alheios, que inicia na infância ou começo da adolescên­cia e continua na idade adulta.
Também reconhece-se hoje graus variados de psicopatia, que vai de leve, a moderada e grave. Os serial-killers seriam a forma mais grave de psicopatia. O sujeito que não sente empatia por nada além dele, seja de outras pessoas ou mesmo animais, não mantendo qualquer forma de emoção na relação com o mundo, seria um psicopata menos drástico. Mas nem por isso pouco perigoso.
O diagnósti­co para esse transtorno, colocando de maneira simplificada, deve levar em consideração a existência de pelo menos três critérios que podem ser descritos como um fracasso em conformar-se com normas legais, uma propensão para enga­nar, impulsividade, agressividade, desrespeito pela segurança própria ou alheia, irresponsabi­lidade que pode estar vinculada ao trabalho ou às finanças, bem como uma ausência de remor­so.


Ausência de remorso! Impossibilidade de sentir a dor alheia! O psicopata nem sempre é um indivíduo excluído do meio, muito pelo contrário. Eles estão em todos os lugares, podendo pertencer ao submundo ou classes sociais sofisticadas.
Da mesma forma, são sensíveis a esse meio quando nascem e se desenvolvem. Segundo os estudos, que vem sendo realizados há séculos (o termo foi introduzido por Phillippe Pinel há cerca de 200 anos)entende-se que há fatores genéticos preponderantes, mas o meio também é responsável por acentuar ou suavizar essa predisposição.
Isso significa que mesmo com a predisposição genética, o indivíduo que conviver em um lar equilibrado e isento de violência terá menor gravidade nessa patologia, ficando mais apto a conviver socialmente dentro das regras. Esse mesmo indivíduo, se for criado em um lar desajustado e sofrer abusos e violência na infância, fatalmente será um psicopata de maior periculosidade.
Também existe entre os estudiosos um consenso em relação à incidência de indivíduos com essa patologia: cerca de 4% da população, dos quais 3% são homens e 1% mulheres.

Um aspecto interessante da psicopatia é lembrado pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, que escreveu um livro sobre o assunto (Mentes Perigosas): "o poder destrutivo dos psicopatas.São manipuladores, perversos e desprovidos de culpa, remorso ou arrependimento, são capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus próprios interesses. Podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas em sua maioria não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloqüentes, ‘inteligentes’, envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, bons políticos, bons amantes, bons amigos. Visam apenas benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade".
Bastante complicado lidar com isso. Mesmo sendo um percentual pequeno na sociedade, não é tão difícil você ter um psicopata ao lado.


Psicopatas são "irracionais"? Não, de forma alguma, tanto que quando infringem leis morais e legais, como no caso da pedofilia, sabem que é um crime.
O psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, afirma que os psicopatas têm total ciência dos seus atos. "A parte cognitiva ou racional é perfeita, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e porque estão fazendo. O déficit deles está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravessa o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha exercida de forma livre e sem qualquer culpa".
Talvez haja no futuro uma maneira de lidar com os indivíduos psicopatas, que causam tantos estragos à célula familiar e à sociedade como um todo, em maior ou menor grau. O que se sabe, hoje, é que pessoas com esse problema não se regeneram - ou seja, cedo ou tarde vão repetir a ação deletória ou criminosa se tiverem oportunidade para isso.(Mirna Monteiro)

Tuesday, May 10, 2011

FRAGILIDADE DA LEI E DEPRESSÃO

Qual seria a relação entre uma sociedade que perde valores básicos e menospreza regras de cidadania, com a depressão do indivíduo?
Não existe um levantamento claro e científico que detalhe uma resposta a essa dúvida. Mas é inegavel a relação entre aumento de doenças fisicas e mentais e a perda de controle da criminalidade, da corrupção e do abuso ao indivíduo nos mais variados campos do consumo.
Podemos ter a depressão, isolada e pessoal, causada por problemas de desequilíbrio bioquímico ou outras causas individuais. Mas a grande incidência da doença demonstra que vivemos o risco da depressão surgida da sensação de impotência e abandono, em  um sistema que despreza valores básicos da sobrevivência e proteção do indivíduo, tristemente escancarada na fragilidade do sistema judiciário.  O resultado é medo e muita ansiedade pelo futuro. O coletivo experimenta uma crescente histeria, onde persiste a insegurança da sobrevivência.
Há exemplos de sobra desse processo de histeria coletiva, onde há perda do controle social. O respeito às leis de trânsito é um deles. Além dos abusos incentivados pela impunidade, há o outro lado da questão: como obedecer ao semáforo que manda esperar, diante da possibilidade de um assalto? Como evitar cobrir os vidros do veículo com filme plástico, que oferece a sensação de proteção à possíveis agressores?
O mesmo filme plástico escuro que impede a visão do interior dos veículos pelo bandido, também atrapalha a visão de policiais que buscam suspeitos. O mesmo recurso que protege de um lado, aumenta o risco de outro! Essa contradição confunde a razão e aumenta a sensação de insegurança.

Não faltam situações dramáticas para a tranquilidade, mesmo em situações aparentemente de menor importância. Filas em bancos que nunca respeitam o direito do atendimento em tempo médio causam desânimo. Longa espera para atendimento em hospitais públicos  causam óbitos que poderiam ser evitados e isso causa desespero. O desapontamento em não obter  consultas imediatas, para quem paga altas somas de convênios médicos torna empresas de saúde vilãs autorizadas.
Há uma infinidade de frustações e motivos de desalento. Filas para atendimento das reclamações em orgãos de defesa do consumidor, como procons, onde o cidadão já chega revoltado e acaba saindo sem resultados, torna as instituições desacreditadas.
Como suportar a sequência de agressões e desrespeito sem alterar-se? As reclamações mostram-se ineficientes, pois não se consegue registrar queixas contra alguns setores. O que se passa com uma pessoa que se sente desestimulada para ir adiante em processos judiciais que a ajudariam a recuperar a confiança e a auto-estima? Como deve reagir um cidadão que recebe a orientação para "deixar para lá" as ilegalidades sofridas? "Não há mais em quem confiar!" é uma frase comum nas filas de unidades do Procon ou no atendimento do INSS ou do Tribunal Federal onde se aguarda um processo de aposentadoria. Uma senhora chora ao ver pela terceira vez sua denúncia ser dispensada. "Para onde eu vou, onde existe justiça?" pergunta ela.

Desesperança e desconfiança até mesmo nos organismos criados para defender quem sempre sai perdendo. Nos tribunais, com exceções cada vez mais raras, longos processos terminam com sentenças absurdas que não são aceitas pelo consumidor. Processos são extremamente demorados e acontece cada vez mais a ridícula e triste situação de um processo ser finalizado depois da morte do cidadão que esperou anos a fio pela resposta  Justiça.
Cai a confiança no sistema.
Percebendo-se sem alternativa, o indivíduo se torna agressivo, descrente e acaba se voltando contra o próprio meio. Fica portanto sem saida!
A quem interessa esse estado de coisas? Com uma mentalidade voltada para o supérfluo e imediato, o sistema de consumo exagera e sacrifica a própria fonte de seus recursos, desgastando o indivíduo, que se sente cada vez mais oprimido.
O resultado está nas estatísticas oficiais: cada vez mais as clínicas e consultórios psiquiátricos ficam lotados. Torna-se evidente o aumento de doenças físicas e mentais,. A incidência é tamanha que se torna difícil sua absorção pelo sistema de saúde, criando um circulo vicioso onde a demanda do atendimento é sempre crescente. A indústria de medicamentos floresce e consegue lucros cada vez maiores, com uma produção impressionante de drogas anti-depressivas, anti-hipertensivos, analgésicos e relaxantes musculares! 
Nunca antes as pessoas dependeram tanto de atendimento médico. Nunca antes  a vida esteve tão ameaçada. Vivenciamos uma sociedade que se encontra em estado de alerta máximo, demonstrando cada vez menos credibilidade em si própria, enquanto se programa de maneira distorcida. 
A origem, sem dúvida, é a fragilidade de nossa Justiça. Uma sociedade onde a Justiça não funciona ou funciona parcialmente, gera insegurança profunda e descrédito, que leva à  um estado coletivo depressivo não apenas àqueles que são vítimas da ausência clara da aplicação da lei. Todo o conjunto social sofre com a ausência de punição à corrupção e à prevaricação, que  acaba tornando-se perigosamente rotineira no comércio, na educação privada, nos serviços em geral, enfim, na vida do indivíduo. 
O unico remédio para a depressão crescente que se torna um desvario coletivo é o respeito às instituições, o retorno de valores e a clareza da aplicação da lei, que precisa ser resgatada. Caso contrário qualquer ação isolada terá o poder limitado, apenas como um paliativo de uma grave situação social. (Mirna Monteiro)

LEIA TAMBÉM   http://artemirna.blogspot.com.br/2011/04/fazer-justica.html

                             http://artemirna.blogspot.com.br/2010/10/justica-primitiva.html

                             http://artemirna.blogspot.com.br/2011/09/pequenos-e-grandes-pecados.html

Friday, May 06, 2011

MÃES DIFERENTES

Durante toda a história, mãe não era simplesmente um indivíduo, mas uma potência natural. Geradora da humanidade, altruísta, defendendo a sua prole a todo custo, como uma leoa. Disposta a abrir mão de todo o conforto e até do próprio alimento para proteger um filho. Não é a toa que povos primitivos adoravam a figura feminina, a deusa-mãe, que garantia o alimento dos povos germinando a terra.
Mulheres geravam com a mesma naturalidade com que empunhavam espadas, se preciso fosse. A história está cheia de exemplos de mulheres guerreiras, deusas adoradas, pitonisas e sacerdotisas.
Como não havia propaganda ou influências poderosas da mídia  nos tempos primitivos, podemos supor que essa é a natureza feminina. Geradora, protetora, pacifista, tranquilizadora.
Mesmo com o desenvolvimento da sociedade humana e o advento de maior poder mecânico e das artimanhas políticas na luta acirrada pela sobrevivência, a mãe protetora persistia. Ela criava os seres para o mundo. Dela dependia basicamente estimular os bons instintos e o caráter nos filhos que seriam pacíficos, guerreiros ou reis...ou déspotas e violentos.
Bom, aqui vamos fazer uma pausa. Falando assim temos a impressão de que a mulher é a responsável por todos os rebentos que viraram heróis ou vilões e transformaram o mundo. É um peso de responsabilidade injusto! Quer dizer que tudo é culpa da mãe? Se os filhos são pessoas de caráter e hombridade, é uma façanha da mãe! Se os filhos são cruéis e canalhas, é culpa da mãe?
Já sabemos que popularmente quando se pretende ofender alguém, ofende-se a genitora...ah, a mãe! Pior é que tem um fundo de verdade nisso tudo.
Quem nasce precisa do ventre e esse ventre precisa ser amigo, gentil, consciente da importância do ser. Um bebê humano é completamente vulnerável, o mais dependente de todos os animais. Precisa do alimento materno - o leite do peito - para se fortalecer e receber os anticorpos, depois, mesmo com os dentes e as pernas firmes, precisa de cuidados para alimentar-se, limpar-se, aprender a lidar com a vida complexa da sociedade humana. São tarefas preciosas, que realmente vão determinar quem e como vai ser esse futuro adulto e de que maneira ele vai interagir com o meio.
É muita responsabilidade, um filho! Quem vai fazer isso por ele? Nos velhos tempos diríamos sem hesitar: a mãe! Ela é preparada para lidar com isso, já veio equipada com útero e mamas, a natureza já deixou bem claro que quem tem responsabilidade de gerar e cuidar desse filho nos primeiros anos é a mulher.
E nos novos tempos?
Aí chegamos ao ponto que provoca discussões e alimenta polêmicas. A mulher, hoje, não é criada para ser a geradora da humanidade, mas para viver como ser individual. Ela se prepara para entender o mundo, para competir no mercado de trabalho, para se auto-prover e pensar livremente. Igualzinho ao homem, que sempre teve esse papel.
Tudo bem. Cadê a mãe? A sociedade mudou, a mulher mudou, o homem se manteve...e como fica? Quem é que vai assumir aquele papel que equilibrava a humanidade, o bem e o mal, o construtor e o destruidor, o amor e o desleixo do sentimento, o respeito e a discórdia?
Problemão! Estamos em um dilema crucial! Desse jeito a humanidade vai perder o ponto de equilibrio, já que nada, sistema nenhum, por mais sofisticado e cheio de coloridos artificiais que seja, pode substituir a relação direta entre os seres humanos que geraram e o seu o bebê.

O que observamos é um contingente masculino crescente de homens que assumem o papel que antes era exclusivo das mulheres. Elas continuam gerando, mas não tem mais paciência ou condições financeiras de amamentar o bebê, mesmo que seja por poucos meses. O homem não tem mamas ou leite do peito, mas assume com coragem as mamadeiras, assim como assume um papel cada vez mais poderoso de orientação e educação de sua prole. Esses homens que tem coragem de vivenciar esse papel em  geral desenvolvem  características de proteção e equilíbrio que antes pareciam exclusivos da mulher/mãe!
Mas tempos um problema: esses homens que evoluiram em todos os aspectos ainda são minoria. A maioria ainda tem dificuldades de lidar com as necessidades de seus rebentos. E as mulheres cada vez mais deixam de assumir esse papel.
Então sobram desajustes. Bebês são suprimidos de um alimento essencial (nada substitui o leite materno, inclusive para o desenvolvimento da inteligência e equilibrio emocional do indivíduo) e desde muito cedo são criados por terceiros - babás e escolas - ou ficam abandonados em casa.
Se considerarmos essa situação crescente, as mães vão muito mal. Porque não importa se é preciso trabalhar ou se não existe paciência para amamentar (e quem não quer amamentar realmente acaba sem leite) e consciência para orientar, educar, alimentar e amar os filhos ao longo da infância e adolescência. O que se pergunta é como ser mãe, pai e como ser família sem transformar-se em vítima de um sistema implacável e artificial, que afasta os seres, destruindo relações e criando desequilíbrio.
Será que essa ideia da mulher menosprezar seu instinto interessa a um sistema artificializado e repressor da liberdade humana?
O problema não é ser uma mãe diferente. É ser mãe consciente. Nesse caso poderíamos festejar o dia das mães além de seu objetivo comercial...(Mirna Monteiro)

Wednesday, May 04, 2011

ART NOUVEAU, A ARTE EM MOVIMENTO



Art Nouveau é  diferente, exuberante, cheia de detalhes. Talvez por isso tenha sido interpretada na Europa de diferentes maneiras, como um "estilo macarrônico" na França e "estilo golpe de chicote" na Bélgica. Talvez a melhor definição para a art nouveau tenha sido na da Itália, onde era interpretada como "estilo livre".
Livre e com a intenção de modernizar as formas tradicionais da arquitetura e design em geral, em movimento que atingiu as artes plásticas e marcou a expressão não apenas nas telas de pintores, mas principalmente nos desenhos e gravuras do começo do século XX.
Foi essa a época em que a sociedade transformava-se em função da indústria e novos materiais eram criados. A litografia colorida foi um deles, em técnica que marcou essa fase. A moda era minuciosa e colorida, fosse em detalhes arquitetônicos, decoração, design de jóias, vestimenta, gravuras ou litografias.





Desde que houvesse estética, a art nouveau permitia-se
a criações sem preocupação com a a rigidez das formas
e sua simetria, como uma escada que ondulava no
ambiente, brincando com a percepção e a sensiblidade
visual. Antecedeu a art deco, que tornou as formas mais rígidas, retas ou circulares estilizadas, de design abstrato.


Vitrais alegres: o ar de romantismo ficou mais evidente do que nunca




Móveis com formas arredondadas, criando composições inusitadas



Arquitetura rica, detalhista, com elementos inesperados,
mas também com inspiração rococó