Saturday, October 30, 2010

A ARTE DA MANIPULAÇÃO

Por que motivo somos tão influenciados por palavras e imagens? Será que possuímos capacidade crítica suficiente para "filtrar" as informações captadas e seleciona-las de acordo com a realidade?
O domínio e controle sobre os seres acontece mediante as técnicas de manipulação. O que seria isso?  Seria a capacidade de manejar, impondo pensamentos e comportamentos que são absorvidos como uma esponja pela mente humana. 
Há várias formas de manipulação. Na verdade todos nascemos com a capacidade de conduzir o mundo externo às nossas necessidades, até mesmo por uma questão de sobrevivência. Até mesmo um bebê depende dessa capacidade para sobreviver. 


A questão é a utilização desse poder para manipulação abusiva ou da massa. Isso corresponde, em geral, à vontade de dominar pessoas e grupos em algum aspecto da vida e dirigir sua conduta. Afonso López Quintás, em "A manipulação do homem através da linguagem", exemplifica alguns tipos de "convencimento" ao qual somos submetidos sem que haja um controle consciente do processo.
Ele comenta a manipulação comercial, "que quer converter-nos em clientes, com o simples objetivo de que adquiramos um determinado produto, compremos entradas para certos espetáculos, nos associemos ao clube tal...".  Já o manipulador ideólogo pretende modelar o espírito de pessoas e povos a fim de adquirir domínio sobre eles de forma rápida, contundente, massiva e fácil.
A manipulação, lembra López, corresponde à vontade de dominar pessoas e grupos. Em geral deprecia tudo que existe de real e supervaloriza idéias, mesmo que não possam ser realizadas na prática. Também não há limite nem ética para atingir seu objetivo e a mentira passa a ser uma questão de sobrevivência de sua manipulação.


Técnicas que lidam com o inconsciente também são utilizadas na manipulação da massa. É uma maneira de fazer a pessoa acreditar que mesmo algo ruim pode ser bom. Ou seja, a vontade e a interpretação dos fatos são controlados pela manipulação do inconsciente, que acredita que aquilo que deseja está na imagem que foi projetada.
Esse tipo de técnica integra o que se chama de mensagem subliminar, que age diretamente no inconsciente de quem assiste. Somos constantemente submetidos a ela em propagandas, filmes, programas, sendo influenciados por marcas  e produtos - ou mesmo comportamentos - sem percebermos. 




Será impossível evitar esse tipo de manipulação? Para Lopéz, existem algumas alternativas de obter um "antídoto"para a maliciosa e maniqueísta ação sobre o nosso subconsciente. Estar alerta e pensar com rigor são condições indispensáveis! Viver criativamente, ou seja, procurar enxergar além das aparências também. Lembrar que as coisas não são tão óbvias.  Ou, como popularmente se diz, verificar se o "buraco é mais embaixo"... (Mirna Monteiro)





Wednesday, October 27, 2010

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO


Por trás de todas as coisas podem estar operando forças misteriosas e manipuladoras...pelo menos esta parece ser uma preocupação crescente, uma espécie de síndrome da conspiração! Ainda não reconhecida, é claro, mas claramente detectada na preocupação popular, que corre o risco de transformar-se em angústia: a sensação de perda da individualidade, da privacidade e da liberdade.


Orwell, em seu romance "1984", imaginou um mundo futuro onde todos esses valores estavam irremediavelmente perdidos e onde a mesma televisão que não podia ser desligada transformava-se em câmera sem que os indivíduos soubessem. As pessoas viviam em castas, onde o domínio principal vigiava e usufruía, enquanto a casta seguinte era vigiada e obedecia ordens. A massa, por sua vez, vivia sem rumo, absolutamente robotizada e sem ação.


Hoje, tantas décadas depois, as pessoas falam sobre os mesmos receios, que recebem outra roupagem. Os valores perdidos são a violência emergindo em diferentes momentos, de crianças em escolas e adultos que se engalfinham em estádios de futebol ou no trânsito de avenidas, a uma criminalidade tão imiscuída no meio que se torna imbatível! 


Ao invés da televisão espiã, satélites poderosos e câmeras tão minúsculas que se tornam invisíveis e uma rede de informações obtidas no universo informatizado. Os novos teóricos da conspiração também falam de castas, nem tanto sociais, mas castas com domínio da informação e do conhecimento, que seriam portanto o principal alvo da espionagem, enquanto a massa se perde nos jogos da manipulação, que a ocupam com o caos e a diversão.


A listagem das teorias é enorme! Algumas complexas - como a afirmação de que o "11 de setembro"  foi planejado para justificar novas guerras contra o Iraque e que os aviões que derrubaram as torres gêmeas não continham pilotos de verdade, mas automáticos, e que a operação já havia determinado os melhores ângulos para filmar e fotografar o momento da implosão do prédio!


Outras fantasiosas, como a existência de extra-terrestres que comandam parte da humanidade. Aliás, os "reptilianos" seriam os grandes vilões da humanidade, os incentivadores das guerras e da desordem ...


Algumas teorias são curiosas e engraçadas. Como a das canetas "Bic": "São fáceis de encontrar para comprar, mas depois que você as possui elas desaparecem ou surgem em lugares onde você jamais as deixaria"!...Palavras de um teórico da conspiração, que afirma ainda que mesmo que você tenha uma única caneta, encontrará várias no lugar onde a deixar, porque elas se multiplicam rapidamente e nossa visão não consegue perceber esse movimento...Bem, o bom humor permite teorias infinitas!


Se canetas podem ser sondas extra-terrestres, a tecnologia alienígena é bastante rudimentar, diante de outra teoria, esta fruto da insanidade pelo poder: a de que os alimentos estão sendo modificados para afetar genéticamente a humanidade. Bem, considerando a quantidade de hormônios em frangos e de anabolizantes em carnes vermelhas, metal pesado em peixes e venenos nas plantações, esse receio não é teórico, mas real! 


Nesse pontos chegamos ao cerne da questão: as teorias da conspiração, com toda a sua dramaticidade e exageros (e humor também ) parecem eclodir  no inconsciente humano, que percebe a precariedade da vida e os riscos que estamos acumulando em nosso meio por ações reais e bastante devastadoras. Não são portanto piadas ou fantasias, embora sejam alegorias e símbolos, como realidades ainda não desnudadas!


Se o poder da imaginação move o mundo, essa mania de conspirações contra a sociedade humana pode até ajudar a evitar alguns desastres. Além disso, a discussão das possibilidades várias dos acontecimentos são a demonstração da liberdade do pensamento e da especulação e atuam no imaginário social de maneira construtiva! Nesse caso, que sejam criadas as teorias!...(Mirna Monteiro)


Monday, October 25, 2010

IMAGINAÇÃO DO EQUILÍBRIO




O mundo está mais imaginativo! Sintoma de evolução, sem dúvida!  Parece pouca coisa, mas não é: a capacidade de imaginar e criar é a qualidade humana que permitiu o domínio do planeta! Por mais que o empirismo reduza a imaginação a mera reprodução mental e os intelectualistas a uma forma enfraquecida de percepção - como se imaginar fosse a causa principal de erros e ilusões - não se pode negar que a questão aqui é meramente interpretativa do que se supõe ser a imaginação!

Por isso é possível entender porque as pessoas de "mente fértil" valorizam a capacidade imaginativa. O físico alemão Einstein considerou que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Afirmação que deixa até hoje muita gente confusa, porque pressupõe-se que imaginação solta é criar fantasia, boiando em um canto ficcional da mente, enquanto que imaginação reprodutora é racionalizar a realidade e criar teorias...algo que resume o pensamento humano!

 Einstein comparou bem a equivalência entre imaginação e conhecimento. Imaginação é a base de tudo e é de seu fluxo, inclusive fantasioso ao extremo, que se origina o conhecimento. O conhecimento, por sua vez estimula a imaginação, em um círculo criativo que faz a evolução da sociedade humana. 

A matemática perfeita! Heráclitos de Ëfeso dizia que a falta de imaginação atua como geradora de conflitos. Ora, se eu sou estéril e não consigo imaginar, não poderei saber o que se passa com meu semelhante ou com o que quer seja. Vou basear-me inteiramente no meu mundo ou no meu ponto de vista! 

Com a incapacidade de imaginar, as pessoas agem como se não houvesse diferenças. O mundo seria a sua própria cabeça e, portanto, limitado a esse espaço!  Heráclitos acreditava que a oposição dos contrários é condição para a transformação das coisas e isso quer dizer que sem imaginação não há evolução!

A imaginação é uma força que leva ao raciocínio com a mesma potência com que estimula a criatividade e a intuição! Ora, se eu penso, penso sobre o que? A diferença entre a imaginação que leva ao conhecimento e a imaginação reprodutiva é a mesma de um filme onde não se sabe o que vai acontecer e outro que repete a mesma imagem!

A mesma imaginação que levou o homem primitivo a olhar além de si mesmo, para poder sobreviver em um mundo inóspito e repleto de perigos. A imaginação que permitiu captar os recursos, criar mecanismos, manter um meio social e chegar ao início do conhecimento!

Por isso podemos observar que se ao longo da história política o mundo estacionou em mera aceitação e rotina do pensamento, agora passa a ser mais imaginativo! Atinge também um maior interesse no conhecimento e portanto na evolução da informação e dos costumes. Não é preciso ser um inventor ou um precursor do pensamento, mas simplesmente aprender a relacionar-se e interagir com o meio de maneira mais ampla e participante, reconhecendo as diferenças e equacionando a relação humana nos novos tempos.(Mirna Monteiro)



Tuesday, October 19, 2010

A ARTE DE ACREDITAR...SEM ENGANAR-SE


Volta e meia aparece a dúvida: em quem acreditar? No que acreditar? A insegurança sobre a verdade não é característica de pessoas jovens, assim como a certeza não é privilégio de quem viveu muitas décadas.

Sob essa ótica (verdadeira?) estamos todos no mesmo barco, o da incerteza sobre as coisas e isso pode ser angustiante! Nietzsche, ele próprio exasperado com as próprias dúvidas em uma época onde tudo era contestado de maneira extremamente econômica, concluiu que a busca da verdade não passava de simples necessidade humana de se sentir em segurança.  Um mundo que "não se contradiz", seria um mundo mais confiável, com conceitos baseados na crença de valores imutáveis e, portanto, aceitos como verdade universal. 

Bem, de qualquer forma nós temos nossas verdades universais. Por exemplo a igualdade entre os homens e o respeito à natureza. Naturalmente são verdades óbvias oriundas da necessidade de sobrevivência, entre outras que surgem da relação histórica do homem com o meio. 

O que sabemos é que o reconhecimento da verdade, ou de alguma realidade que possamos assumir como determinante, parte de nossa capacidade de sentir a vida. O conhecimento sobre si mesmo modifica o reconhecimento da verdade. E como acreditava Sócrates, só age erradamente aquele que desconhece a verdade e, por extensão, o bem. Nesse caso permanece boiando na incerteza, ou esperneando se assim lhe ditar o temperamento, mas em ambos os casos provocando desequilíbrio e caos ao meio. 
 Como mestre que pretendia ensinar a pensar, sem impor uma verdade do próprio punho...ou do próprio pensamento, Sócrates colocava a  busca do saber como o caminho para a perfeição humana e, por tabela, para obter a sensação de segurança que permite um enfrentamento mais tranqüilo de nossas dúvidas a respeito do que seria a verdade e a mentira.
Bem, 400 anos antes de Cristo e já se sabia o que hoje ainda constatamos. Por mais que seja teorizado o assunto e por mais que os pensadores sejam rebuscados e retóricos, realistas, fatalistas ou neuróticos, a verdade é que o drama do "onde está a verdade", resume-se a esta simples lógica socrática: observe, pense, aprenda e deduza!

Se a verdade necessita de sabedoria para ser detectada, a mentira basta a si própria, infelizmente. A sorte da humanidade é que seu tempo de vida é curto. Por isso devemos considerar a sabedoria popular, quando diz que "toda mentira tem perna curta". Aliás todos temos sempre uma boa interpretação da mentira. Rápida como o bote de uma cobra (uma mentira dá a volta ao mundo antes mesmo de a verdade ter a oportunidade de se vestir, ironizou Churchill) ou vital para a sobrevivência de alguns (A mentira é muitas vezes tão involuntária quanto a respiração, observou acertadamente o escritor Machado de Assis) a mentira é o avesso do conhecimento sem deixar de ser ilustradora da verdade (não ser descoberto em uma mentira equivale a dizer uma verdade...)

É nessa relatividade que se apoiam os grandes mentirosos da humanidade, antigos e atuais. Hitler achava que para convencer a massa era preciso uma grande mentira, cercada de muita bagunça e atritos, pois assim o caos formado esconderia ainda mais a verdade. Tinha razão, sem dúvida! É óbvio que para se conseguir impor uma mentira há necessidade de se impor o caos e a insegurança...aquele estado citado por Nietzsche, onde as convicções podem ser mais perigosas para a verdade do que a própria afirmação mentirosa! 
Acreditar, portanto, parece ser a arte de desvendar o que se passa atrás das grandes afirmações, das grandes mentiras e das supostas verdades. Uma arte que começa com o conhecimento do temperamento humano que habita em todos nós e o reconhecimento de nossas fraquezas. (Mirna Monteiro)