Sair às ruas e demonstrar aquilo que se pensa ou se quer para o seu país é importante. Mas será que a própria liberdade pode ser manipulada e levada a interesses contrários à esses mesmos desejos da maioria dos cidadãos?
Em atos de liberdade, pacíficos, o que levaria pequenos grupos a cometer atos de vandalismo e outros comportamentos que são contrários ao próprio objetivo manifestado, invadindo o direito de outros?
Imaginar que um direito pessoal de expressão possa ser escravizado ou desviado para interesses de uma minoria é uma situação dramática e que se torna mais clara e definida com o aumento da comunicação no mundo. Redes sociais, assim como toda a internet, a mídia em geral, a televisão, os filmes e até os games, podem ser instrumentos de verdades ou de mentiras.
Mais do que nunca fala-se nos riscos que envolvem as pessoas em uma teia confortável de ilusões, que não é feita de palavras, mas utiliza o inconsciente humano, como previu a própria ficção em tempos onde sequer poderia ser cogitada a comunicação virtual ou mesmo a projeção de imagens.
Como isso é possível? Pesquisadores do mundo todo observam uma dramática mudança no comportamento das massas a partir da metade do século XX, quando o cinema e a TV passaram a integrar o cotidiano do Ocidente, como o aumento da violência.
A partir dessa realidade, a ciência se mistura ao exagero da imaginação humana. Da existência real de mensagens subliminares - inicialmente utilizadas para incremento do consumo - chega-se hoje ao receio da invasão dos sentidos com objetivos de domínio da massa, supondo-se que existam mensagens subliminares em desenhos animados - que modificariam o comportamento do cidadão a partir de sua formação de maneira inconsciente - em filmes e jogos.
O que seriam essas mensagens subliminares afinal? Se não podemos vê-las, como podem afetar a mente humana?
Em 1957 um especialista em marketing chamado James Vicary, demonstrou que era possível inserir mensagens muito rápidas, em frações de segundo, em filmes mostrados no cinema. Foram escolhidas algumas frases, como "beba coca-cola" e "coma pipoca" e elas foram inseridas no filme em flashes rápidos demais para os olhos perceberem. Mas aquele relâmpago de ordem foi captado pela maioria do público presente: nas noites em que essa experiência foi feita as vendas de pipoca aumentaram 57,7% e as de coca-cola quase 20%.
Estava comprovado o poder dessa mensagem relâmpago. Ou mais rápida que isso, pois é "invisível". Subliminar porque não se consegue conscientiza-la. Mas mesmo que a novidade tenha sido abafada na época, sem respaldo imediato da ciência, aparentemente crianças seriam mais suscetíveis ao poder da mensagem subliminar, o que não elimina o risco de adultos serem influenciados.
Imagine o poder que isso poderia acarretar. Será possível que através dos desenhos infantis e de qualquer outra imagem veiculada, comercial ou não, o cidadão passe a ter comportamentos influenciados?
Aparentemente sim. Mensagem subliminar é diferente da "lavagem cerebral" ou do convencimento pela repetição da imagem, que é percebida pelo indivíduo que se rende a ela. São todas condições nocivas da mudança de comportamento, mas a mensagem subliminar parece ser a mais criminosa, pois invade a mente sem que seja percebida ou deixe rastros de sua invasão. Salvo pela mudança de pensamento ou comportamento.
Na internet são cada vez mais frequentes vídeos que tentam demonstrar mensagens subliminares em filmes, principalmente para crianças. São palavras não captadas em sua intenção ou mensagens escritas que falam de sexo ou estimulam a violência. Certamente muitos casos são exagerados. Mas existem imagens e pequenos detalhes que realmente não deveriam estar ali e parecem propositais, independente do motivo.
A preocupação com mensagens subliminares nos dias de hoje substituiu a antiga condição humana do medo da opressão, mas também surge como um desafio monumental. Como lidar com isso em um mundo que é cada vez mais gerenciado pela imagem? Não só de televisão, cinema, jogos eletrônicos, mas pelo imenso espaço virtual, que cada vez mais isola pessoas do convívio pessoal e do contato humano, mantendo-as por horas a fio diante da tela de um computador, presas fáceis da hipnose das imagens ou de palavras que podem tolher sua capacidade crítica.
Seria afinal explicada a "moda zumbi", aquela que coloca a humanidade sob o risco de acéfalos violentos. Porque a ficção representa também o medo inconsciente do ser humano e muitas vezes antevêem um risco sem perceber conscientemente os sinais.
Como se vê, tudo pode ser possível... (Mirna Monteiro)
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Friday, June 21, 2013
Friday, May 10, 2013
MÃES DOCES E MÃES MALVADAS
Quando o assunto é "mãe" parece haver uma mágoa profunda com as mudanças na maneira de viver da mulher. "Mãezonas não existem mais, apenas máquinas de procriar", escreveu alguém nos comentários deste blog.
Apenas máquinas de procriação? Referir-se à mulher que é mãe como um ser distante da realidade de sua função, como se os filhos fossem gerados com objetivos práticos, preocupa. Isso porque de fato as estatísticas demonstram que na mesma medida em que as sociedades se desorganizam em valores e ética, com o aumento de ações políticas e econômicas que supervalorizam o supérfluo como fonte de manutenção da vida, também produzem mulheres que rejeitam o conceito da maternidade que provém do instinto.
Estamos, ainda que lentamente, perdendo o instinto maternal que preserva a vida?
A questão parece extremamente grave porque não se trata simplesmente de um aumento gradual de mulheres que não desejam gerar, ou vivenciar toda a responsabilidade materna, que exige mudanças óbvias na vida desde o momento da concepção.
Não é exatamente isso, por mais que a negação da maternidade possa surpreender. Afinal ao assumir funções diferentes na sociedade produtiva, o interesse, e até as condições, para exercer a função de mãe, se tornam reduzidos ou pelo menos mais reticentes.
Mas o fator que surge como ameaça maior é a ausência do instinto de preservação da vida que não impede a concepção, mas se volta contra sua existência de maneira extremamente irresponsável ou violenta. É a mulher que gera e despreza o cuidado com o novo ser. Pior: aquela que se torna assassina, de maneira direta ou indireta, abandonando os filhos ou simplesmente torturando e matando a própria cria.
Casos de tortura e assassinatos de crianças estão acontecendo cada vez mais frequentemente. Quem não se horrorizou com casos como o da americana que assassinou a filhinha de dois anos porque "ela chorava muito", esmagando seu crânio?
Saber que algo tão horrendo está acontecendo a nossa volta, assusta e confunde a ideia da maternidade. Como pode uma mulher não suportar a criança que gerou, a ponto de cometer atos tão insanos? Essa é uma condição insuportável para o futuro.
Acompanhado ou não de violência, gravíssima ou de sopapos, há exemplos de sobra do desleixo materno para com a cria. A obesidade infantil por exemplo não é de forma alguma exagero de cuidado: crianças que não são orientadas e alimentadas corretamente desenvolvem vícios alimentares que podem prejudicar a sua saúde a ponto de reduzir sua perspectiva de vida!
Crianças não sabem coisa alguma ao nascer. O bebê humano é absolutamente dependente e vulnerável de cuidados. Ao longo da convivência com a família aprendem qual alimento ingerir e quais hábitos desenvolver. A mulher que gera possui a responsabilidade inicial absoluta sobre isso, por força da natureza.
Mães nervosas, que interrompem a amamentação precocemente, que desde muito cedo abdicam do cuidado alimentar e da relação afetiva com a criança, que passa a maior parte do tempo com uma babá ou em uma escola, certamente não estão cumprindo com uma função importante. Mesmo argumentado que precisam do tempo para o trabalho, acabam causando mais prejuízo do que vantagens financeiras.
Equacionar essa questão - a de desejar filhos, mas não cuidar deles, seja por motivo financeiro, seja por outras razões, é um desafio urgente. A responsabilidade familiar deve ser exigida na prática pela sociedade, pois o custo desse desleixo é muito alto e todos pagam por ele.
Portanto, com essa nova realidade, fazer de conta que mães são seres esplêndidos, é irreal. Mas existem mulheres que levam a maternidade a sério e assumem essa responsabilidade por inteiro. Nesse caso, que sejam aduladas e reverenciadas, porque a tarefa de ser mãe, verdadeiramente, não é fácil. Mas é a maneira mais eficaz de tornar a sociedade menos violenta e desequilibrada.
Um papel e tanto! (Mirna Monteiro)
Apenas máquinas de procriação? Referir-se à mulher que é mãe como um ser distante da realidade de sua função, como se os filhos fossem gerados com objetivos práticos, preocupa. Isso porque de fato as estatísticas demonstram que na mesma medida em que as sociedades se desorganizam em valores e ética, com o aumento de ações políticas e econômicas que supervalorizam o supérfluo como fonte de manutenção da vida, também produzem mulheres que rejeitam o conceito da maternidade que provém do instinto.
Estamos, ainda que lentamente, perdendo o instinto maternal que preserva a vida?
A questão parece extremamente grave porque não se trata simplesmente de um aumento gradual de mulheres que não desejam gerar, ou vivenciar toda a responsabilidade materna, que exige mudanças óbvias na vida desde o momento da concepção.
Não é exatamente isso, por mais que a negação da maternidade possa surpreender. Afinal ao assumir funções diferentes na sociedade produtiva, o interesse, e até as condições, para exercer a função de mãe, se tornam reduzidos ou pelo menos mais reticentes.
Mas o fator que surge como ameaça maior é a ausência do instinto de preservação da vida que não impede a concepção, mas se volta contra sua existência de maneira extremamente irresponsável ou violenta. É a mulher que gera e despreza o cuidado com o novo ser. Pior: aquela que se torna assassina, de maneira direta ou indireta, abandonando os filhos ou simplesmente torturando e matando a própria cria.
Saber que algo tão horrendo está acontecendo a nossa volta, assusta e confunde a ideia da maternidade. Como pode uma mulher não suportar a criança que gerou, a ponto de cometer atos tão insanos? Essa é uma condição insuportável para o futuro.

Crianças não sabem coisa alguma ao nascer. O bebê humano é absolutamente dependente e vulnerável de cuidados. Ao longo da convivência com a família aprendem qual alimento ingerir e quais hábitos desenvolver. A mulher que gera possui a responsabilidade inicial absoluta sobre isso, por força da natureza.
Mães nervosas, que interrompem a amamentação precocemente, que desde muito cedo abdicam do cuidado alimentar e da relação afetiva com a criança, que passa a maior parte do tempo com uma babá ou em uma escola, certamente não estão cumprindo com uma função importante. Mesmo argumentado que precisam do tempo para o trabalho, acabam causando mais prejuízo do que vantagens financeiras.
Equacionar essa questão - a de desejar filhos, mas não cuidar deles, seja por motivo financeiro, seja por outras razões, é um desafio urgente. A responsabilidade familiar deve ser exigida na prática pela sociedade, pois o custo desse desleixo é muito alto e todos pagam por ele.
Portanto, com essa nova realidade, fazer de conta que mães são seres esplêndidos, é irreal. Mas existem mulheres que levam a maternidade a sério e assumem essa responsabilidade por inteiro. Nesse caso, que sejam aduladas e reverenciadas, porque a tarefa de ser mãe, verdadeiramente, não é fácil. Mas é a maneira mais eficaz de tornar a sociedade menos violenta e desequilibrada.
Um papel e tanto! (Mirna Monteiro)
Tuesday, April 30, 2013
DA RODA AO CHIP, VIVA O TRABALHO!
Mas Confúcio certamente não poderia imaginar que 1.500 anos depois essa consideração sábia seria utópica, por dois motivos. Um deles é o fato de que a vocação, por mais importante que ainda seja no mundo do trabalho, é sucateada pela confusão de interpretações a respeito da alternativa de sobrevivência nas novas exigências da sociedade. Outro é a oportunidade de sobreviver, simplesmente, em um momento onde a tecnologia substitui cada vez mais a a mão de obra humana.
É claro que não se pode ser pessimista. Por toda história da civilização humana, as sociedades sempre procuraram superar as armadilhas armadas por ela mesma e contra ela mesma, na busca de novos horizontes da sobrevivência e na facilitação de seu trabalho.
Isso, desde a invenção dos instrumentos cortantes e da roda, que foi a maior criação humana em direção às maravilhas tecnológicas do futuro. Maravilhas que hoje ameaçam os postos de trabalho.
Trabalho é fundamental para a vida. Hoje a União Européia quebra a cabeça para resolver o que fazer com seus 26 milhões de desempregados - o que mostra que os países mais civilizados e culturalmente invejáveis não conseguiram evitar o peso do girar da velha roda neolítica transformada em um chip microscópico.
O pragmatismo que envolveu o mundo no século XX parece não se encaixar na capacidade humana quando o assunto é criatividade da sobrevivência. Que o digam os EUA, que sofrem com o desemprego e a dificuldade de acertar soluções, enquanto mantém as ações externas em modelos que não funcionam mais.
No Brasil o processo é oposto e as taxas de desemprego diminuem e 2012 foi fechado com a menor taxa de desemprego de sua história. O brasileiro, apesar das dificuldades enfrentadas pela sociedade mundial, possui um talento inato para "dar um jeitinho" quando a situação aperta: é intuitivo e empreendedor. Mergulha de cabeça em novos empreendimentos, buscando seu lugar ao sol. As vezes até mesmo sem verificar a profundidade de seu mergulho.
Ainda existe espaço para a vocação e o exercício prazeroso do trabalho? Sim, sem dúvida. Mas parece que isso exige boa dose de criatividade e novos caminhos, a exemplo dos antigos desbravadores, mas com nova mentalidade. Se antes as florestas eram derrubadas à força dos braços, hoje devem ser preservadas com inteligência justamente para garantir a força do trabalho futuro, que muda de formato. Se as cidades incharam e lotaram as alternativas de colocação profissional, que novos negócios sejam criados para corrigir as disfunções provocadas.
De uma maneira geral a mentalidade sobre emprego, trabalho e negócios precisa ser arejada com novas alternativas, algumas ainda não inventadas, quem sabe? A única certeza é que não se pode projetar futuro sobre escombros e sim de maneira produtiva e consciente. (MM)
Monday, April 29, 2013
A HIPOCRISIA, PODER E CORRUPÇÃO
Durante toda história da humanidade o homem tentou entender a voracidade do poder político. Talvez tenha sido justamente isso – a insanidade que marcava a briga política ao longo de séculos e séculos de organização da sociedade humana, que tenha levado à necessidade de pensar suas origens, seu presente e seu futuro.
A contradição sempre foi tamanha, entre aquilo que se propagava e a realidade do poder, que até mesmo o berço da democracia, a Grécia, começou a imaginar igualdade entre os homens de maneira a preservar a desigualdade, ou seja a garantia do poder. Que o diga o velho Sócrates, obrigado a beber cicuta porque cometeu a heresia de ensinar os jovens a pensar, ao contrário dos sofistas, que costumavam levar o conhecimento controlado e medido de acordo com os desejos do poder constituído.
Sócrates, naturalmente, não foi o único homem com pretensão de discutir o poder político e suas artimanhas que se deu mal. Por toda a história, quem ousasse pensar e desafiar o poder, entrava pelo cano. Fosse na fase da Inquisição, com todo o poder centralizado na igreja e em papas escolhidos não pela santidade, mas pelo oportunismo, fosse nos tempos modernos, onde a perseguição contra quem reclamava do abuso político e apontava as falhas de ideologias massificadas não foi menos cruel ou absurda!
E agora, no Terceiro Milênio, a “Idade da Informação”, do apogeu da mídia e do confronto com a maior comunicação popular da história da humanidade?
Bem, agora, sofisticaram-se os meios, mas o recheio do bolo continua o mesmo. O cenário em que vivemos é magnífico: naves espaciais orbitando a terra, satélites que mandam imagens do sujeito que passeia na Patagônia para a “Concinchina”, chips que substituem funções do cérebro humano, enfim!
Mas a briga pelo poder é tão mesquinha e perigosa como nos tempos de Calígula!
Mas e a nossa democracia, a nossa campanha política, o nosso voto popular?
Pois é, metade do caminho já andamos. O problema fica com a outra metade, pressionada por quem não quem “perder” o poder de tantas décadas e que utiliza os mesmos recursos do “bem” para o “mal”. O jogo é sujo: denúncias vazias, que pretendem denunciar o que não existe na realidade. É só bagunça!
Não é um problema brasileiro. É um problema dos países comprometidos com interesses de grupos econômicos, habituados a imperar. A corrupção é endêmica, dizem os analistas brasileiros e (que vexame!) de outros países. A tendência de vestir a intenção de coletar lucros com a capa das boas intenções confunde realmente o cidadão comum. O lobo que se esconde sob a capa do cordeiro ou o complexo do conto da chapeuzinho vermelho.
Corrupção endêmica significa corrupção enfronhada, absorvida pelo sistema. As pessoas confundem e imaginam que é novidade, sendo manipuladas pelo frenesi político, que propaga os próprios pecados, senão de profundo conhecimento de falcatruas, pelo menos no de omissão para punir e banir a corrupção de fato. A mídia infelizmente não escapa desse cerco e leva informação distorcida. No tempo das trevas, os livros eram raros, e o conhecimento empírico. Mesmo assim a sociedade humana rompeu as barreiras da falta de informação.
Hoje temos de admitir que somos obrigados a romper as barreiras da ignorância, fruto de informação distorcida, comum na política quando se briga pela imposição de projetos e supremacia partidária. O mesmo projeto que parece beneficiar a população nas acaloradas discussões em tribunas dos plenários pode ser aquele que no futuro será responsável por perdas irrecuperáveis. É preciso se perguntar: qual o interesse do poder político e econômico nas bandeiras de nossos legisladores.
Wednesday, April 24, 2013
FILOSOFANDO O ÓCULOS

Distração até certo ponto. Aquela que permite divagar sobre as coisas que estão ocorrendo em torno. Se passar da medida desequilibra. É o caso da esquizofrenia, que mostra o indivíduo tão atento a tudo que acontece, de maneira tão simultânea, que acaba fugindo da realidade.
Mas uma certa distração, na medida certa, para buscar detalhes em torno de sua vida, é interessante. Ajuda a resolver problemas mais complexos. Deve ser algo semelhante quando um problema ou situação parece insolúvel e acabamos encontrando uma excelente alternativa de solução depois que desistimos de espremer os miolos sobre o assunto, pensamos em outras coisas ou nos desligamos no sono. Há quem jure que não há melhor maneira de lidar com problemas do que deixar o inconsciente resolve-los sem a interferência de nossa razão consciente quando ela está falhando.
Não vamos confundir esse tipo de distração com a falta de concentração. Temos uma mania irresistível de simplificar as coisas. Saber distrair-se positivamente é uma espécie de arte, assim como conseguir concentrar-se é uma questão de sobrevivência e certa garantia de equilíbrio emocional do indivíduo.
Como tudo na vida, distração e atenção, sem extremos, podem ser o recurso para manter o equilíbrio emocional. (Mirna Monteiro)
Tuesday, April 23, 2013
LIVRO, PARA QUE TE QUERO...
O livro já foi a atração principal na vida das pessoas que desejavam alguma emoção, aprendizado, passatempo e diversão ou simplesmente sonhar. Privilégio de uma elite e objeto de desejo de quem possuía pouco acesso à leitura.
Hoje, quem lê?
As cotações da leitura mostram que a Bíblia foi e continua sendo o livro mais lido do mundo, apesar das traduções, erros e adulterações apontadas por teólogos e críticos.
Curiosamente, em segundo plano vem o Citações do presidente Mao Tsé-Tung, que revela-se um poeta e também um pensador pragmático. "A bosta de boi é mais útil que os dogmas; serve para fazer estrume"..., afirma, entre outras coisas.
Livros políticos, como o Livro Vermelho e religiosos, como o Alcorão, estão sempre sendo procurados e lidos. Mas a ficção fantasiosa é a que vem ganhando os novos leitores.
O universo da leitura muda bastante. O numero de leitores parece grande se considerarmos que Harry Potter conseguiu movimentar a busca da literatura no mundo todo, mas a verdade é que lia-se muito mais nos tempos em que o cinema ainda não existia e onde sequer se imaginava que o mundo seria um dia encaixotado em uma tela doméstica de 56 polegadas...
A façanha de Harry Potter é seguida pelo "O Senhor dos Anéis", que com a ajuda do cinema e de efeitos incríveis ressuscitou a obra de Tolkien e vendeu mais de 100 milhões de cópias de sua obra.
A procura por essa literatura impressiona pela velocidade das vendas. É claro que é difícil chegar à quantidade de obras vendidas de escritores clássicos, que estão há alguns séculos no dia a dia da leitura, como por exemplo Willian Shakespeare, que vendeu em torno de 4 milhões de exemplares. Aliás, vamos abrir exceção para Agatha Christie, que também atingiu a marca dos 4 milhões em suas 85 obras escritas no século XX.
Dizer que não se lê seria inverdade. Mas a maioria das pessoas lê muito pouco ou é apenas impulsionada para a leitura de livros que motivaram seu interesse em filmes, caso também de "Crepúsculo" e dos "filhotes" dessa obra, no desdobramento da história de vampiros modernos e lobisomens charmosos.
Tudo bem. Assim como grandes obras foram adaptadas para o cinema, o cinema incentiva a continuidade da temática e a repetição dos personagens novas obras (não importa muito o oportunismo comercial, afinal) e o consumo da leitura. A imaginação origina um livro, assim como efeitos especiais e criatividade mostram as delícias de uma boa história.
Mas nada seria melhor do que incentivar a leitura desde muito cedo. A criança que lê parece desenvolver um equilíbrio emocional que outras atividades não conseguem, exercitando o raciocínio e aumentando a capacidade do aprendizado.
Há quanto tempo você não pega um bom livro e relaxa, afundando em sua leitura? É bom, hein? (MM)
Monday, April 08, 2013
FILOSOFIA (IRREVERENTE) DOS ANOS 20
Ingênuo, mas nem por isso menos mordaz, o humor de 1920 mostra muito da maneira de pensar e ser da época. Aqui temos um pedaço da sociedade que preparava-se para começar a viver a grande revolução de valores do século XX. O tema, alías, é "Verdade ou Mentira", publicado na revista "O Careta":
*** O alfinete é o único cavalheiro que, vivendo na intimidade das mulheres, nunca perde a cabeça...
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***A franqueza é a nudez do pensamento. Dizer a verdade é tão indecente quanto andar nu.
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***Não emprestemos dinheiro aos nossos amigos, nem digamos a verdade à mulher a quem queremos bem: será a melhor forma de conservarmos a mulher, os amigos e...o dinheiro.
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*** A honestidade é como o perfume, aproveita-a mais os outros do que quem a tem.
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***O casamento nasce de uma ilusão,vive de uma esperança e morre, quasi(sic) sempre, de um mal entendido.
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***Para que o casamento constituísse a fórmula ideal da felicidade affectiva (sic)era preciso que os homens fossem menos egoistas ou que as mulheres tivessem o dom de se renovarem constantemente como Protheu. O que mata o amor é a monotonia, que é inimiga da arte e da sensibilidade. A mesma paisagem, por mais linda que seja, acaba enfarando si (sic) não acode alguem a dar-lhe aspectos novos...
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***Beijos são bonbons (sic) que se guardam na caixinha de segredos da bocca (sic). Mas é curioso notar que comido o primeiro bonbon (sic)nunca mais se encontra, na caixinha, outro com o mesmo sabor...
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***O erro está para a verdade assim como a noite está para o dia. Se não fosse a noite o dia não seria tão lindo...
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O PENSAMENTO NA ARTE DOS ANOS 20
"Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema" (Pablo Picasso)
MODA CHARMOSA DO COMEÇO DO SÉCULO XX
Thursday, April 04, 2013
DEIXANDO A VIDA MORRER
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Por que falamos da relação ficção e vida real?
Porque a ficção, em primeira análise, é a representação criativa do ser humano, em sua vivência real do passado e dos seus anseios, medos e expectativas do futuro.
Por esse motivo a ficção é transformara da sociedade sob diferentes aspectos. "Acorda" desavisados sobre o risco de certas ações, mas estimula os mais violentos a liberar os instintos mais baixos. Principalmente nos filmes, onde o crivo crítico fica mais comprometido do que na literatura escrita pelo poder da imagem, do som e das mensagens subliminares,onde a imaginação humana pode misturar-se e gerar verdadeiros atentados à sanidade de expectadores.
A ficção portanto, é poderosa formadora de opinião e conceitos sobre a vida. Pode despertar a filosofia ou, em oposto, o descaso com a vida. Pode ensinar a trajetória do ser na sociedade e orienta-lo no percurso ou tornar a vida humana tão fútil como um sanduíche de vento ou ainda dar a entender que a vida é apenas uma mera condições individual e que o coletivo é ameaçador e inimigo, destruindo a civilidade.
Esse poder não é novidade. Novidade é o potencial destruidor que tomou conta da ficção. Nos séculos passados a literatura inicia com contos da carochinha, que mostravam no teatro da linguagem a realidade da vida, dividida entre o bem e o mal. Por ai seguiam, tornam-se picante e estimulando mudanças de comportamento sexual que transformaria a moral do futuro. Agora pisoteiam a ética e civilidade, com tal ênfase que mesmo o "Bem e o Mal" tornam-se mesclados e confusos.
É essa nova sociedade que transferiu para a vida real a inconsistência da ficção americana dos seus filmes sanguinolentos e compostos de seres ensandecidos, em uma sucessão de imagens e barulho que elimina a possibilidade crítica do expectador. Tendência que passou a ser adotada na produção de filmes por outros países e que, no final das contas, com o passar de poucas décadas, aproxima-se do retrato de uma nova realidade social. A ponto de depararmos cada vez mais frequentemente com denúncias de que tudo
conspira contra a sanidade humana, ultrapassando as telas da TV e do cinema e atingindo programas de computadores, sites e até telefones celulares, que utilizariam recursos subliminares, captados pelo inconsciente humano e não percebidos visualmente.
Se chegamos a esse ponto, não sabemos ainda. Mas que a transformação do homem como ser social é pouco segura, isso é inegável.
Por esse motivo quando médicos e outros funcionários de hospitais ou pronto-atendimentos deixam seres humanos morrer na calçada ou em alguma cadeira na sala de espera, pensamos: parece coisa de ficção!

O desleixo com a vida no entanto é responsabilidade da própria sociedade. Talvez seja o momento de reconhecer que estourar cabeças de zumbis e espirrar sangue para todos os lados não favorece a sobrevivência coletiva e nem individual e que a vida não precisa necessariamente imitar a arte, que nem sempre é criação válida. O que falta é o outro lado da balança, demonstrando que a vida é preciosa, seja ela de quem for e onde estiver, seja a de uma árvore secular, um animal ou o ser humano. Pensar sobre o assunto não é sonho ou utopia. É alternativa. (Mirna Monteiro)
Monday, April 01, 2013
DIA DA MENTIRA E VERDADES
O Dia da Mentira, que é comemorado hoje, é uma homenagem à verdade...
http://artemirna.blogspot.com.br/2011/04/dia-da-mentira-e-dos-tolos.html
http://artemirna.blogspot.com.br/2011/04/dia-da-mentira-e-dos-tolos.html
Tuesday, March 26, 2013
SERÁ O FIM DA EMPREGADA DOMÉSTICA?
Emprego doméstico, ao contrário de outras profissões, está sempre perigosamente envolvido por uma espécie de "manto" da improvisação. Por isso é complicado.
A regulamentação da profissão foi sem duvida um avanço, que continua adiante com as novas exigências, como o FGTS, que no final das contas veio na rasteira de uma sugestão de dedução no imposto de renda dos pagamentos do INSS pelo empregador.
Direitos que corrigem distorções trabalhistas, mas que por outro lado podem transformar definitivamente caracteristicas da profissão de empregado doméstico.
Há muita celeuma em torno desse tipo de atividade profissional. Como o trabalhador - ou trabalhadora, pois historicamente a mulher é maioria nesse tipo de serviço - em residências, o profissional não precisa de escolaridade ou prova de competência para a função. Geralmente isso só pode ser observado na prática e ao longo do tempo, o que dificulta a rigorosidade da contratação.
Talvez o aspecto mais importante seja o fato de que os empregadores são pessoas físicas. Quase sempre mulheres que precisam trabalhar fora e não tem tempo ou energia suficiente para arcar com o serviço doméstico.
Isso já dificulta o piso salarial. Quando legalmente esse piso é de um salário-mínimo, como prevê a lesgislação, grande parte da oferta desse trabalho fica fora do mercado. Afinal, aumenta o numero de mulheres provedoras do lar e a maioria trabalha com ganhos médios de dois a três salários, enquanto que a média de salário em sua admissão é de apenas R$ 917,87. Os homens tem um patamar de R$ 1067,66. Mulheres ainda ganham menos do que os homens para o exercício de funções semelhantes , em torno de 30%.
Aí está o grande problema!
A demanda por empregadas domésticas cresceu na mesma proporção do crescimento da mulher no campo profissional. Ou seja, a mulher, ao trabalhar fora de casa, depende de uma profissional para os serviços que não tem tempo de realizar.
A casa é um organismo vivo, dinâmico. Todos os dias há trabalho a fazer, roupas para lavar e passar, limpeza dos ambientes, organização dos espaços, refeições e manutenção de serviços relacionados
Outro grande problema: profissionais domésticos interagem obrigatoriamente com a intimidade de seus empregadores.
É quase impossível evitar essa situação, já que a casa é um ambiente de intimidade familiar. É possivel manter o profissionalismo, mas certamente o abuso da condição dessa intimidade vai depender do caráter do profissional doméstico. E essa questão ética não está prevista em nossas leis!
Outra questão citada pelos empregadores: o acesso da empregada ou empregado aos bens da familia. Há relatos de sobra de donas de casa reclamando que a mesma funcionária que limpa a casa, "limpa" também seus potes de creme caros, iogurtes, chocolates e outros produtos de consumo mais onerosos.
Nos velhos tempos isso não era problema, havia poucos supérfluos e baixo investimento nas refeições do dia. Hoje é diferente, há muitos supérfluos e pouco tempo para repor a despensa e manter a geladeira cheia. Uma funcionária custa o mesmo que qualquer outro membro da familia no ítém alimentação, o que não acontece em em empresa alguma!
Talvez seja o momento de admitir que estamos vivendo o fim da empregada doméstica...da forma como esse tipo de trabalho sempre foi encarado, também improvisadamente e considerando as limitações do empregado.
As novas exigência eliminam a possibilidade de manter a tradição de contratar o serviço doméstico de acordo com o salário do empregador ou as condições financeiras da familia.
Isso é novo no Brasil, mas não em outros paises, onde mesmo de maneira informal o trabalho doméstico é caro e mais especializado.
Tudo leva a crer que com os direitos de qualquer trabalhador, o empregado doméstico perde também o direito as falhas no desempenho das funções, que devem ser igualmente relacionadas como obrigações, assim como os direitos trabalhistas.
Isso quer dizer que as novas leis que protegem o empregado doméstico também devem considerar aspectos do direito do empregador, que não estão bem claros.
Se houver esse equilíbrio, talvez os empregados domésticos possam comemorar um avanço e os empregadores domésticos comemorar maior qualificação e garantia de segurança quanto ao funcionário que trabalhará na intimidade de sua casa.
Quando isso acontecer é também bastante provável que a imagem dos empregados domésticos mude por completo. Hoje essa profissão é opção para quem está desempregado ou aguarda melhores colocações no mercado. No futuro, será uma atividade profissional que exigirá cursos e aprendizado para qualidade compatível com os serviços exigidos, como a de qualquer outro trabalhador salvaguardado pelas leis trabalhistas. (Mirna Monteiro)
A regulamentação da profissão foi sem duvida um avanço, que continua adiante com as novas exigências, como o FGTS, que no final das contas veio na rasteira de uma sugestão de dedução no imposto de renda dos pagamentos do INSS pelo empregador.
Direitos que corrigem distorções trabalhistas, mas que por outro lado podem transformar definitivamente caracteristicas da profissão de empregado doméstico.
Há muita celeuma em torno desse tipo de atividade profissional. Como o trabalhador - ou trabalhadora, pois historicamente a mulher é maioria nesse tipo de serviço - em residências, o profissional não precisa de escolaridade ou prova de competência para a função. Geralmente isso só pode ser observado na prática e ao longo do tempo, o que dificulta a rigorosidade da contratação.
Talvez o aspecto mais importante seja o fato de que os empregadores são pessoas físicas. Quase sempre mulheres que precisam trabalhar fora e não tem tempo ou energia suficiente para arcar com o serviço doméstico.
Isso já dificulta o piso salarial. Quando legalmente esse piso é de um salário-mínimo, como prevê a lesgislação, grande parte da oferta desse trabalho fica fora do mercado. Afinal, aumenta o numero de mulheres provedoras do lar e a maioria trabalha com ganhos médios de dois a três salários, enquanto que a média de salário em sua admissão é de apenas R$ 917,87. Os homens tem um patamar de R$ 1067,66. Mulheres ainda ganham menos do que os homens para o exercício de funções semelhantes , em torno de 30%.
Aí está o grande problema!
A demanda por empregadas domésticas cresceu na mesma proporção do crescimento da mulher no campo profissional. Ou seja, a mulher, ao trabalhar fora de casa, depende de uma profissional para os serviços que não tem tempo de realizar.
A casa é um organismo vivo, dinâmico. Todos os dias há trabalho a fazer, roupas para lavar e passar, limpeza dos ambientes, organização dos espaços, refeições e manutenção de serviços relacionados
Outro grande problema: profissionais domésticos interagem obrigatoriamente com a intimidade de seus empregadores.
É quase impossível evitar essa situação, já que a casa é um ambiente de intimidade familiar. É possivel manter o profissionalismo, mas certamente o abuso da condição dessa intimidade vai depender do caráter do profissional doméstico. E essa questão ética não está prevista em nossas leis!
Outra questão citada pelos empregadores: o acesso da empregada ou empregado aos bens da familia. Há relatos de sobra de donas de casa reclamando que a mesma funcionária que limpa a casa, "limpa" também seus potes de creme caros, iogurtes, chocolates e outros produtos de consumo mais onerosos.
Nos velhos tempos isso não era problema, havia poucos supérfluos e baixo investimento nas refeições do dia. Hoje é diferente, há muitos supérfluos e pouco tempo para repor a despensa e manter a geladeira cheia. Uma funcionária custa o mesmo que qualquer outro membro da familia no ítém alimentação, o que não acontece em em empresa alguma!
NOVO CONCEITO
Talvez seja o momento de admitir que estamos vivendo o fim da empregada doméstica...da forma como esse tipo de trabalho sempre foi encarado, também improvisadamente e considerando as limitações do empregado.
As novas exigência eliminam a possibilidade de manter a tradição de contratar o serviço doméstico de acordo com o salário do empregador ou as condições financeiras da familia.
Isso é novo no Brasil, mas não em outros paises, onde mesmo de maneira informal o trabalho doméstico é caro e mais especializado.
Tudo leva a crer que com os direitos de qualquer trabalhador, o empregado doméstico perde também o direito as falhas no desempenho das funções, que devem ser igualmente relacionadas como obrigações, assim como os direitos trabalhistas.
Isso quer dizer que as novas leis que protegem o empregado doméstico também devem considerar aspectos do direito do empregador, que não estão bem claros.
Se houver esse equilíbrio, talvez os empregados domésticos possam comemorar um avanço e os empregadores domésticos comemorar maior qualificação e garantia de segurança quanto ao funcionário que trabalhará na intimidade de sua casa.
Quando isso acontecer é também bastante provável que a imagem dos empregados domésticos mude por completo. Hoje essa profissão é opção para quem está desempregado ou aguarda melhores colocações no mercado. No futuro, será uma atividade profissional que exigirá cursos e aprendizado para qualidade compatível com os serviços exigidos, como a de qualquer outro trabalhador salvaguardado pelas leis trabalhistas. (Mirna Monteiro)
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