Monday, October 18, 2010

ARTE EM PRETO E BRANCO












Preto e Branco e o resultado pode ser extremamente belo ou instigante. Muitas vezes o preto sobre o branco significava apenas a prévia de uma arte que reproduzia a natureza com perfeição ou explodia em coloridos inesperados.


Mais raramente permanecia tal como o artista havia concebido. Elegante e atraente, a arte em duas cores parece mostrar muito da emoção retratada, concentrando as formas e ressaltando os mínimos detalhes.

"La dance à la campagne"de Renoir




Le chapeau Épinglé - Renoir

Van Gogh - "The Hogue"


Van Gogh
Um belissimo rascunho de D. Quixote, feito por Picasso
Picasso



Salvador Dali, não resistindo ao toque da cor neste auto-retrato. O resultado intensifica o poder do preto e branco


Thursday, October 14, 2010

CONTRADIÇÕES DA ALMA HUMANA


O resgate dos 33 mineiros no Chile emocionou e fez chorar as pessoas que trabalhavam ou assistiam ao esforço, inclusive jornalístas que faziam a cobertura no local. O drama representou um tributo à vida! Um momento contrastante com perda de vidas nas guerras do Oriente Médio, a exploração e violência na África e a  intolerância de Israel na Palestina.

A mundo se divide nas emoções, mas a dureza da realidade da violência não consegue matar no ser humano a justa medida da solidariedade e do respeito à dor do semelhante. Entre heróis e vilões, vivemos nos dias de hoje a dualidade do pensamento humano: vencer a todo custo, mesmo que isso represente sofrimento e perdas, ou retomar as rédeas para impedir genocídios e abusos, tornando o mundo mais seguro!

A questão é: qual das opções permitirá a sobrevivência natural? A ação do homem predador parece não se encaixar em uma sociedade mundial que miscigenou culturas e divide expectativas semelhantes em relação ao ambiente que todos desejam. Tudo indica que a postura do futuro é a do homem sensitivo e sensível ao meio, no respeito ao equilíbrio natural.

Foram 33 homens, presos a 700 metros do solo, enfrentando durante 69 dias a possibilidade de morrer na mina de cobre, enquanto pessoas do lado de fora tentavam resgatá-los.   Um espaço adormecido foi ativado, o da relação humana que se identifica e aproxima, como se todas as pessoas que pisam esta terra integrassem um grande organismo, ao invés do isolamento egoísta que não consegue entender a importância da inteiração humana.

Um duro exercício que relembrou o fato de que vidas humanas não tem preço e estão acima de  de vaidades ou ansiedade de lucro de grupos de

indivíduos. Estranha essa afirmação? Não, pois a mesma política que salva vidas pode ser usada para causar a destruição. Só há um problema: hoje estamos todos entrelaçados e a idéia de que é possível varrer o mundo descartando os valores éticos, soa absurda. Ainda que a briga pelos direitos de divulgação da aventura na mina do Chile deva ser acirrada, a idéia de que a vida deve ser respeitada acima de tudo renovou-se. (Mirna Monteiro)

Monday, October 11, 2010

A LEI DE MURPHY E O ACASO

Quando um sujeito chamado Edward Murphy irritou-se com a falha no funcionamento de um mecanismo no momento de uma exposição importante, "jogou" a culpa em seu assistente dizendo :  "Se há mais de um modo de fazer um trabalho e um deles resulta em desastre, então alguém irá escolher esse"!  Não sabia o quanto esse desabafo faria sucesso. E, dentro desse clima, o quanto contribuiria para uma confusa interpretação do destino, justificando erros e comodismos.
A "Lei de Murphy" tem sido interpretada como uma comprovação de limitação do homem sobre seu futuro. É fatalista,  pois de alguma forma torna as pessoas passivas em relação a acontecimentos, que são considerados inevitáveis!
O mais curioso é que antes dele outro Murphy, Joseph, passou a vida pregando justamente o contrário em uma ampla literatura onde sobressaia a importância da motivação para a transformação. Na verdade um início da poderosa indústria literária da "auto-ajuda", que tomaria o mercado algumas décadas depois com as receitas miraculosas de transformação do meio e das condições individuais transformadoras do destino!
Mas será mesmo que são posições opostas? Ou há um erro de interpretação no que convencionamos chamar de Lei de Murphy, esta curiosa faceta do comportamento humano? 
Essa postura de pensamento, aliás, serve como uma luva para quem quer acreditar que a vida já vem pronta e embalada em papel pré-determinado, com acontecimentos imutáveis que são regidos por um conjunto de acontecimentos muito mais poderosos do que o indivíduo. Lembra outra "lei" (ah, os homens e suas máximas crenças) conhecida como Finagle e popularizada em romances de ficção, que afirma que quando alguma coisa ruim acontecer, acontecerá no pior momento...o que é óbvio! Vem na extensão da famosa postura do "pior do que está não fica".
Nesse caso somos apenas mero acaso não apenas no universo, mas em nossa razão existencial!
Será mesmo que o destino está definido? Ou lidamos meramente com a leviandade humana e comodismo existencial?  Por que é fácil acreditar que não se pode mudar o mundo ou as pessoas, sem assumir riscos de novas ações e decisões, no mais puro estilo "lavo minhas mãos"? 
Dúvida dramática. No entanto até hoje a humanidade critica a decisão de Pilatos! O que teria acontecido se ao invés de fugir à responsabilidade de uma decisão, ele fosse dotado de consciência comunitária e tivesse enfrentado os riscos?...Ou o destino tornaria as coisas tal como são?
Provavelmente não! Uma ação sempre vai causar uma reação  e modificar o futuro. Anular uma interferência consciente é permitir que outras ações determinem os acontecimentos...ações nem sempre muito éticas ou construtivas! 
No entanto a fatalidade do destino pode ser confundida. Uma fatia de pão com manteiga vai sempre cair do lado da manteiga...por questões de gravidade, não de fatalidade.


A fila do lado sempre anda mais rápido...O que quer dizer que não adianta mudar de fila, pois aquela que você escolher vai andar mais devagar...por uma questão de ansiedade que muda a sua percepção do meio. Se você for contestar isso, lembre-se que se é a sua fila que sempre anda mais devagar, as outras andam depressa.. do seu ângulo de visão!
Se você está se sentindo bem não se preocupe: isso passa...para se sentir bem é preciso saber o que é sentir-se mal. Não é fatalidade, é lógica!
O gato sempre cai em pé...sem comentários! E por aí vai. Você sai de casa sem guarda-chuva e pensa: só falta chover justamente hoje! E chove, porque se você pensou, deve ter percebido inconscientemente indícios de que isso poderia acontecer. Mas negligenciou a idéia porque não queria sair de guarda-chuva...
Nesse ponto devemos considerar o fator "negligência". É ele o alimento do fatalismo e a fama da tal "lei de murphy". Suponhamos que estamos andando na rua, em calçadas irregulares e esburacadas.  Caimos em um buraco ou tropeçamos no piso irregular. Caídos no chão pensamos: ai, ai, ai, eu sabia que hoje não era meu dia!...
Quer dizer, era um dia em que você não estava bem e portanto deveria ter prestado atenção aos detalhes em seu caminho, como os buracos! A culpa não é do destino, mas de sua negligência! Um acidente de carro seria evitado se antes fossem observados problemas mecânicos ou maior cuidado e atenção à direção; um assalto poderia ser evitado se as possíveis vítimas observassem melhor ao redor e dificultassem o acesso. 
Se observamos por esse angulo, chegaremos a conclusão que o destino jamais poderia estar previamente traçado, mas é produto do meio, de seus acertos e erros. E portanto não é inevitável e pode ser transformado a qualquer instante, a todo momento. Podemos exagerar e imaginar que um asteróide enorme caminha para o planeta Terra anunciando o apocalipse,mas que ainda assim  podemos tentar alternativas para mudar a sua trajetória ou reduzir seu impacto. 
Claro que o poder de transformar o destino depende de nós, mas não apenas do indivíduo. O meio tem o grande poder transformador e talvez seja por esse motivo que um indivíduo tem a sensação de impotência para transformar o destino e sente-se uma folha na correnteza, preferindo consolar-se com a ideia da fatalidade!
Mas a ação coletiva nasce, obrigatoriamente, do indivíduo! O que nos leva a conclusão de que a omissão não é interessante para o destino de ninguém!
Bom dia! Que dia lindo, a vida é maravilhosa!
Preste atenção ao seu redor!... (Mirna Monteiro)

Friday, October 08, 2010

Anomias da campanha eleitoral


Os últimos acontecimentos - como a denúncia de que panfletos "ensinando" a denegrir a imagem de candidatos usando artifícios e acusações vazias - trazem à tona uma questão crucial: de que maneira a sociedade pode enfrentar um pleito que decide o futuro de um país em meio a balbúrdia moral?

Sabe-se o motivo que leva as disputas políticas a se desenvolvem em meio a acusações vazias, com a intenção de confundir o eleitor. Mas como a sociedade pode admitir em pleitos eleitorais ações que seriam severamente punidas em outras circunstâncias, por ferirem princípios éticos e legais?

Parece extremamente contraditório exigir ética na vida pública, sem estabelecer os mesmos limites na apresentação e disputa daqueles que pretendem o exercício dos cargos eletivos. Naturalmente denúncias fazem parte de um processo de campanha, mas o período de propaganda eleitoral não "perdoa" os abusos ou mentiras que pretendem uma contra-propaganda do adversário. Há possibilidade de processos e retratações, mas certamente o objetivo de confundir o eleitor já foi obtido e, portanto, a punição se torna meramente retórica.

Por esse motivo - o poder do estrago mesmo que posteriormente seja esclarecida a verdade - é que criar denúncias vazias tornou-se um hábito nas campanhas eleitorais, fora e dentro das instituições. Há alguns anos, por exemplo, o Congresso Nacional transformou-se em piada para o mundo, com a profusão de CPIs e CPMIs  pré-fabricadas com o objetivo eleitoreiro e não de um combate à corrupção sério e eficiente.

Não podemos permanecer em estado de anomia na campanha política, que carrega a conotação de mentiras, intrigas e fofocas e não a apresentação de planos de governo e demonstração de capacidade para o cargo pretendido. Assistir ao programa eleitoral gratuito pode ser cômico, mas também é trágico, considerando que ali estão opções de pessoas que irão legislar e governar.